Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


Nosso e-mail: umamigalhadeluz@gmail.com

Você pode nos mandar um e-mail ou deixar sua opinião
no final de cada texto. Sua participação é muito importante!
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sábado, 8 de dezembro de 2018

Vinde a mim as criancinhas!


         
      
                Em que pesem todas as dificuldades porque passam aqueles que se encontram sob o julgo da carne, ainda assim é preciso que nos conscientizemos de que não somos marionetes do destino. Mesmo sabendo que todas as coisas já estão determinadas por Aquele que tudo criou e que tudo sabe, não é motivo para que nos entreguemos ao ócio improdutivo e ao desânimo paralisante. O corpo físico exige nossa atenção. Ele precisa carregar e descarregar energias num renovar-se constante. Sem este movimento não há vida e por isso somos assaltados pelos mais diversos desejos a cada momento, mas mesmo isso não pode ser uma desculpa para nos comportarmos como animais sensuais, cujo objetivo na vida não seria outro se não comer, defecar e procriar. Somos muito mais do que isso, e é esse “mais” que deve constituir o objeto de nossa busca interior. Precisamos transcender a realidade da matéria para atingir o estado de espírito do espírito.

                O que se ganha com isso? E por que devemos pensar em ganhar alguma coisa? Não estamos propondo aqui um negócio, uma barganha onde se visa lucro. Nossa existência não é um jogo que alguém está assistindo e torcendo para nós ou contra nós. Infelizmente, ainda nos encontramos numa espécie de condicionamento, e só conseguimos pensar em fazer alguma coisa mediante resultados, como o operário que trabalha o mês inteiro em troca de seu salário. Não! Aqui não estamos falando de sobrevivência, muito menos de distinções ou de recompensas de qualquer tipo. Estamos conversando a respeito da vida humana e sua experiência na matéria e da vida espiritual que a antecede e que a sucederá depois desta fase.  Estamos tentando, pelo menos, vislumbrar algum sentido para este perambular do espírito para a matéria e da matéria para o espírito. Tentamos encontrar algo que ainda não foi dito, ou que tenha sido dito do outro modo, visando alargarmos cada vez mais a nossa compreensão a respeito desse tema.

                É inegável que estamos condenados à vida. Somos todos escravos do viver.  Uma vez criados, só temos a eternidade pela frente. Se isso fosse um jogo, certamente nos cansaríamos logo de jogar, não é verdade? Imaginem jogar um jogo que não termina nunca. Chegaria um momento em que cairíamos num estado de tédio tão gigantesco que nem dá para imaginar. Até mesmo este tipo de pensamento é fruto de nosso modo condicionado de pensar. A verdade é que não conseguimos imaginar outro modo de viver que não esteja relacionado àquilo que já vivenciamos. Como é possível que imaginemos coisas que nunca vimos nada semelhante?  Seria pedir muito, precisamos concordar, mas nada é impossível para o espírito que se abre para novas possibilidades.

                Olhar para o infinito com os olhos da criança, isso é o que precisamos fazer, ainda que seja por um breve momento, e nos abrirmos para possibilidades outras que não essas que já conhecemos. Caríssimos, o que vamos dizer soará como uma brincadeira, mas este é o momento em que precisamos nos libertar da dura realidade material e exercitar um dos nossos grandes potenciais: precisamos usar nossa imaginação e sonhar com algo melhor. Este é o momento em que devemos pelo menos tentar agir como espíritos que de fato somos. Todos os segredos do universo estão guardados em nós e para acessá-los precisamos nos libertar do julgo da matéria. Vivemos na Terra, mas não pertencemos à Terra. Que cada um use o método que achar melhor, mas que não deixe de imaginar, que não deixe de sonhar. Não foi sem razão que Jesus recomendou que fôssemos como as crianças, pois elas não impõem limites à sua imaginação. As crianças não têm vergonha de sonhar, pelo contrário, elas fazem disso uma ocupação muito prazerosa.

                Já sabemos que nós mesmos é que construímos nossa realidade espiritual. Os umbrais que nos rodeiam foram criados, pedacinho por pedacinho, por nossos pensamentos formatados pelos nossos sentimentos. Nossos infernos são criados por nós mesmos. São construídos pela insanidade da nossa razão e são mantidos pelos nossos desejos de destruição, poder, inveja e outros tantos do mesmo cardápio. Sim, estamos recomendando uma volta à infância. Devemos voltar a ser crianças e desenvolver a pureza e a sinceridade como qualidades essenciais. Precisamos ter a coragem de retornar ao ventre materno e recomeçar de um jeito diferente para que nossos mundos, tanto o material quanto o espiritual se transformem em mundos melhores. Chegou o momento da transformação. Ou saltamos com o planeta ou ficaremos para trás e demoraremos mais um tempo até que nova oportunidade nos seja oferecida.

                É provável que alguém nos pergunte: Se já está tudo determinado, de que adiantaria mudar nosso modo de pensar ou de viver? Vamos refletir um pouco em cima desta questão. Imagine que você está passando por um lago e vê uma criança que está se afogando. Você corre para salvá-la ou você vai pensar que está tudo determinado e que de nada adiantará tirá-la da água? Imaginamos que a maioria, senão todas as pessoas que se depararem com esta cena tomarão a decisão de salvar a criança, isto é, a maioria vai agir segundo a própria consciência, independente de saber se as coisas estão determinadas ou não. Isso significa que talvez possamos influir e mudar aquilo que está determinado? Ou será que até este nosso modo de agir já está também determinado? Nós diríamos que nem uma coisa e nem outra. Uma solução para este enigma é pensarmos que de fato tudo está determinado, pois passado e futuro são conhecidos pela Consciência Cósmica Universal, também conhecida como Deus e por outros nomes, pois Ela criou inclusive o tempo, mas nós não possuímos este conhecimento. Isso torna o futuro desconhecido para nós, espíritos que habitam corpos humanos, de modo que o determinismo não nos afeta. Nossas decisões de hoje construirão o futuro que para nós é incerto. Não faz diferença para nós o fato de Deus já saber qual será o resultado de nossas ações, o que nos importa é que nós podemos decidir nosso futuro sim. Se Deus já o conhece, paciência, isso é lá com Ele.

                Nossa existência tem uma finalidade e esta finalidade está relacionada ao todo de que fazemos parte. Não se trata de um jogo e sim de um propósito. Entender que propósito é esse faz parte da busca pelo sentido do viver. Pela racionalidade parece que não iremos muito longe nessa busca. Por isso é que estamos recomendando aqui para nos dedicarmos um pouco mais à arte da imaginação, e que nos permitamos sonhar um pouco mais. Cremos que será por este caminho que as respostas virão em forma de intuição. Libertando nosso espírito para imaginar e sonhar, teremos insights tão impressionantes que não encontraremos palavras que possam descrever o que se passou em nossas mentes. Este duelo deve ser travado - razão contra a intuição, mas neste duelo não precisa necessariamente que um dos contendores seja aniquilado. Usemos a razão para as coisas da lógica humana e deixemos que nosso espírito voe livre nas asas da imaginação, do sonho e da intuição, pois sua lógica é diferente. Só não podemos demorar demais para nos libertarmos das algemas da racionalidade, basta ver até onde ela nos conduziu para entendermos a necessidade desta libertação. A racionalidade é necessária, mas não deve ser ela a governadora absoluta de nossas vidas.

                Seria bom se conseguíssemos nos comportar como adultos e pensar como crianças. Nossa vida deveria ser vivida como uma grande brincadeira onde o importante é que fôssemos felizes, que aprendêssemos e que nos divertíssemos, sem nos destruir uns aos outros. Deveríamos ter sempre sinceridade em nossas palavras e pureza em nossos corações. Acreditamos que a humanidade já está madura o bastante para voltar a ser criança.

                Alguns pensarão: bonitinho de falar, mas impraticável!  Será que não temos mesmo coragem de soltar a criança que existe dentro de cada um de nós? Será que estamos tão contaminados pelos costumes e pelas convenções sociais que não temos mais coragem de sonhar? Será que estamos tão endurecidos pela pequenez de nosso modo de pensar que não podemos imaginar um mundo melhor? Muitos pensam que o autoconhecimento nos transformará em grandes sábios que para tudo terão respostas e ensinarão os segredos do universo para os demais. Sentimos muito dizer, mas estes não estão completamente certos, pois o autoconhecimento nos transformará apenas em crianças que não terão vergonha de imaginar, sonhar, sorrir e admitir que de nada sabem, e que a única certeza que têm é que estão abertas para todas as possibilidades.

                O Mestre disse para amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos e que nesta afirmação estava contida toda a lei e os ensinamentos dos profetas. Nós concordamos plenamente que estas palavras contêm tudo o que precisamos saber para nos transformarmos e transformar o mundo num lugar melhor e humildemente acrescentamos que o resto é só convenção humana!

Victor

Mensagem psicografada em 07/12/2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Visitando e revisitando o passado


            


  É sempre útil e importante visitar e revisitar o passado para podermos ter uma noção mais clara daquilo que somos e daquilo que estamos fazendo no presente. Não devemos viver do/ou no passado, mas sim tê-lo como referência e ponto de apoio para adquirirmos plena consciência de como devemos agir no presente. Já sabemos que tudo tem uma causa e que toda causa tem um efeito como determina a lei da causalidade, que é uma lei universal, portanto, o passado é, sem sombra de dúvida, muito importante. O que houve no passado é a causa do que acontece no presente. O passado é importante não só para que façamos esta autoavaliação, mas também para podermos traçar estratégias para a construção de nosso futuro.

                Não estamos sugerindo que nos tornemos saudosistas ou que fiquemos estagnados e presos mentalmente a uma época que, em nosso modo de ver, foi melhor, ou mais feliz ou talvez mais produtiva. A volta ao passado como exercício de buscar uma visão mais abrangente de nossa estadia na matéria não deve ser encarada como uma forma de reviver as sensações e sentimentos que ficaram no passado. Nosso olhar, nossa esperança e nossos planos devem estar sempre direcionados para o futuro. Cada vez que voltamos a pensar em algumas situações já vividas, ainda que façamos isso de modo instintivo, sem saber bem por que o fazemos, estamos seguindo, mesmo sem ter consciência, a lei do progresso, também conhecida como lei da evolução. Esse retorno ao passado é uma espécie de dispositivo de que a providência nos dotou e que tem a finalidade de nos fazer caminhar sempre rumo ao melhor, em direção às fases evolutivas seguintes. Parece paradoxal - que voltemos ao passado para seguirmos em direção ao futuro, mas é assim mesmo que o progresso se dá. Essa avaliação, consciente ou inconsciente que fazemos funciona mais ou menos como uma pessoa que dá um passo para trás, buscando um impulso para dar um salto maior para a frente do que aquele que daria sem sair do lugar em que se encontra. Todos nós fazemos este exercício de ida e volta ao passado. Ele é parte do processo através do qual evoluímos.

                Ao longo de nossas vidas vamos tendo as mais diversas experiências, notadamente aquelas que necessitamos e que, na maioria das vezes, acreditamos que não são adequadas para nós. Ora achamos que são repetitivas, ora achamos que são duras demais, mas o fato é que estamos tendo as experiências que nos cabem e não outras. Se assim não fosse toda a nossa existência não teria o menor sentido. Muitas dessas experiências, quer acreditemos ou não, foram até combinadas e planejadas quando de nossa preparação para a reencarnação. Portanto, cada um de nós está no lugar certo e na hora certa, passando por aquilo que deve passar, e assim acontece para o nosso crescimento. Essas experiências vão se acumulando e se tornando uma rica fonte de pesquisa que pode ser usada sempre que precisarmos. Somos hoje o produto da soma de todas as nossas experiências nesta encarnação e nas encarnações passadas. Chegará o dia em que poderemos, pois já estaremos evoluídos o bastante para tal, revisitar não só nossas lembranças desta encarnação, mas de todas as encarnações. Isso já pode ser feito quando do desencarne. Alguns de nós, conforme sua condição evolutiva, naturalmente, depois do desencarne recuperam de modo muito rápido sua memória integral. São poucos os que podem fazer essa recuperação, mas no futuro, poderemos todos fazer isso, e o melhor, faremos isso aqui mesmo, encarnados. Isso ocorrerá sem que precisemos ser hipnotizados ou submetidos a terapias. Será um processo natural, fruto da evolução espiritual e material que está ocorrendo de forma lenta e gradual como tem que ser.

                Alguns de nossos irmãos acabam ficando presos ao passado. Isso se dá pelo mau uso deste dispositivo que nos permite voltar mentalmente às experiências passadas através de nossa capacidade de lembrar. Porque isso ocorre? Existem muitas causas para esse fenômeno. Talvez a mais comum ocorra quando utilizamos este recurso de progresso para fugirmos do presente, quando ele nos desagrada, ou quando o consideramos insuportável. Usamos esta capacidade fantástica de retornar aos fatos já ocorridos para, com eles, substituirmos as sensações, sentimentos e contrariedades de um presente ou mesmo de um futuro que tememos. Casos como este podem acabar, e na maioria das vezes acabam como patologias mentais, muitas delas sem retorno, pelo menos durante a encarnação vigente. Outra agravante deste quadro que começa com o mau uso das lembranças passadas são as obsessões. Os obsessores costumam aproveitar-se de pessoas que se refugiam no passado para prejudicá-las. Percebendo o desejo de fuga da vítima, o obsessor procura reforçar as lembranças do passado dessa pessoa, transformando-as em ideias fixas e desse modo fazendo com que o obsedado se transforme num autômato. Alguém que se prende a determinadas experiências e dali não consegue se libertar, ou seja, não faz novos planos e não desenvolve novas ideias. Fica estagnado, comprometendo assim sua encarnação. Isso é algo a que devemos ficar muitos atentos. Quando percebermos que estamos insistindo em recordar determinados fatos que não têm como retornarem, é o sinal de alerta para que voltemos ao presente, porque ele é o que importa. Temos que ter em mente que as lembranças, boas ou más das experiências passadas, só devem servir como base para que não cometamos os mesmos erros e para fazermos tudo cada vez melhor. Lembranças repetitivas é sinal de problema e podem ser uma porta aberta para a obsessão, isso quando não são elas mesmas, fruto de uma obsessão.

                Podemos e devemos visitar e revisitar o passado. Isso é saudável e faz parte de nossa natureza. Evoluímos através de nossos erros e nossos acertos e para fazermos este balanço temos que utilizar nossa capacidade de recordar as experiências boas e ruins que tivemos. Só não podemos fazer disso uma ponte para escaparmos das experiências presentes ou futuras que nos farão crescer. Precisamos ter em mente que o crescimento traz dores, mas depois de toda dor vem o alívio e a certeza de que estamos mais fortes. O acúmulo de experiências é banco de dados precioso que deve ser mantido para consulta sempre que necessário, mas não pode ser sustentáculo da encarnação. Quem fica preso ao passado está simplesmente ignorando o presente e abrindo mão do futuro.

                Devemos olhar para o futuro. É lá que se encontra a oportunidade de progresso, em qualquer sentido que entendamos essa palavra. O passado, por mais radiante que o consideremos, ficou para trás. Vamos pensar que o futuro pode ser melhor ainda do que o passado e que podemos construí-lo do jeito que quisermos usando para isso tudo aquilo que aprendemos até agora. Se observarmos atentamente, veremos que nós somos movidos a sonho. Vivemos muito mais em função daquilo que desejamos que aconteça do que daquilo que está acontecendo ou que aconteceu. Somos movidos a esperança e ela aponta para o futuro e não para o passado. Isso, por si só já razão suficiente para percebermos que o passado tem sua importância sim, mas que é para o futuro que caminhamos.

                Tudo isso ganha importância maior quando nos vemos como espíritos imortais que têm a eternidade pela frente. Temos um futuro infinito pela frente, no qual as possibilidades também são infinitas. Pensado assim, chega até ser irracional que fiquemos atrelados a algum momento no passado dessa eternidade. Este passado nunca representará mais do um ponto numa reta infinita. Ponto que não deve ser desprezado, mas que deve ser considerado apenas uma referência para que saibamos para onde aponta a reta que nos encaminha para o futuro melhor.

                A providência é sabia e nos dota daquilo que precisamos para a nossa evolução. É compreensível que nós, pela nossa própria natureza, algumas vezes utilizamos estes recursos de modo inadequado. Mas isso não pode ser usado como desculpa para permanecermos cometendo os mesmos erros repetidamente. Como já dissemos, a evolução tal como a lei de causa e efeito é uma lei divina e como tal não é discutível, ela apenas é e se cumpre. Visitar o passado buscando um modo de melhorar o futuro é estar dentro da lei, porém, ficar preso ao passado se recusando a enfrentar o futuro é uma tentativa de burlar a lei, e isso não é razoável nem permitido. Permanecer dentro da lei, ou seja, olhar para frente e para o futuro, buscando o progresso constante, é a melhor forma de estar ajustado à lei é também uma forma de expressar gratidão ao Criador!

Passado, futuro e presente só existem em nossa mente, por isso podemos dar maior importância a um ou a outro. A escolha é nossa!

Victor

Mensagem psicografada em 25/06/2018



quinta-feira, 28 de junho de 2018

O medo tem um lado positivo?


          
    
                  O medo é bom ou ruim? Em algumas situações pelas quais temos que passar, e que não são poucas, o medo pode ser bom. Como é de praxe, em nossas singelas notas, sempre procuramos apresentar o lado positivo das coisas. Por positivo, entendemos tudo aquilo que possa contribuir para o nosso crescimento e para o nosso progresso; algo que nos faça melhores; que nos faça mais éticos; que nos faça mais sábios e que nos conduza para mais perto de nossos objetivos mais imediatos e do nosso propósito enquanto espíritos encarnados em evolução.

                Em nossa sociedade, até há algum tempo atrás não era de bom alvitre, principalmente para os que estão encarnados em corpos do gênero masculino, assumir publicamente que sentiam medo. Logo essa declaração era associada a ideia de covardia. Acreditamos que isso acontecia, principalmente pela cultura e pelas tradições que nos foram passadas pelas gerações precedentes que eram, em sua maioria, compostas de guerreiros. A guerra e o desejo de combater sempre fizeram parte da história da humanidade. Demonstrações de coragem eram meios utilizados para a autoafirmação, mas hoje não precisamos mais fingir que somos super-homens. Não precisamos esconder nossos medos atrás de máscaras. Já sabemos que o medo é uma perturbação angustiosa inerente ao ser humano, que tem por finalidade alertar-nos para a necessidade de preservação de nossa integridade física, sensação esta que, com nossa evolução também evoluiu. Desenvolvemos também o medo de coisas invisíveis, como por exemplo, o medo do que outras pessoas pensam sobre nós, o medo do fracasso, etc. Sabemos que não é sinal de coragem, e sim de desequilíbrio, enfrentar perigos que estão acima de nossas forças. Até os animais mais fortes, quando estão ameaçados, sentem medo e fogem para preservar sua integridade. Alguns desses animais se preservam porque, instintivamente sabem que têm filhotes para criar e precisam estar em boas condições físicas para cumprir sua tarefa.

                Que fiquem sossegados aqueles que se acham covardes por sentir medo quando sua integridade, seja física ou psíquica estão sendo ameaçadas. Isso é algo que herdamos de nossos antepassados, e que nos acompanha desde os mais remotos tempos; desde que éramos seres unicelulares. Foi graças a esse aviso de necessidade de preservação que chegamos até aqui. Só precisamos perceber quando esse medo ultrapassa o limite do razoável. Quando isso acontece, certamente estamos sofrendo de alguma patologia. O medo é normal, mas algumas coisas devem ser enfrentadas, porque isso nos fortalece e nos torna cada vez mais aptos para a vida no planeta.

                O medo que sentimos e que nos auxilia em nossa preservação é o medo saudável. E quando é que o medo deixa de ser esse dispositivo orientador é se torna um problema? Bem, comecemos por explicar que, embora o medo vise prioritariamente a preservação do corpo físico, ele não é físico; ele é psicológico. O medo é sentido pelo nosso corpo astral, que também é conhecido como o corpo das emoções. Funciona como um alerta para que redobremos nossa atenção em relação à nossa segurança quando sua contraparte física é ameaçada. Precisamos estar atentos para perceber quando esta reação se torna exagerada, fora de medida. Quando por exemplo, observamos pessoas que tem medo de coisas inofensivas, tais com pequenas alturas, lugares apertados, pequenos insetos e outros, já podemos considerar isso como   sintoma de um medo patológico, que pode ter várias causas. Pode ser um problema adquirido nesta encarnação ou numa encarnação passada e que está sendo reavivado por ressonância vibratória. É mais ou menos como uma lembrança longínqua que vem à tona, mas que nós não conseguimos identificar a fonte de onde procede, isso porque ela se manifesta no nível inconsciente. Sentimos medo, mas não sabemos o que causa esta sensação desagradável. Existem casos muito graves, nos quais as pessoas chegam ao cúmulo de não saírem mais à rua por um medo irracional de que alguma ruim possa lhes acontecer. Sabem que é algo ruim, mas não sabem de onde vem e nem o que é.

                Outra causa importante dos medos inexplicáveis são as obsessões. Em linhas gerais a obsessão se caracteriza pela influência negativa de espíritos desencarnados sobre os encarnados. O contrário também pode acontecer, isto é, a influência de encarnados sobre desencarnados, embora sejam casos menos frequentes. Essa influência se dá através do pensamento e da afinidade vibratória. Quando nos descuidamos de nós mesmos, deixando de manter nosso pensamento elevado, baixamos nosso padrão vibratório e abrimos a porta para espíritos que desejam nos prejudicar; que querem o nosso atraso. Este assédio pode acontecer por razões momentâneas ou por razões que se encontram enraizadas em passado distante que pode remontar à várias encarnações anteriores. Incutir medo na mente dos encarnados é uma das formas preferidas dos obsessores para perturbar suas vítimas. Quando sentimos medo, não conseguimos raciocinar direito e assim ficamos mais acessíveis à influência desses espíritos. O tema da obsessão é vasto, já estudado e explicado em farta literatura, por isso não vamos nos aprofundar. Mas que fique bem claro: quando sentirmos medo sem causa aparente, essas duas possibilidades devem ser consideradas: ressonância vibratória de traumas passados que se manifestam em nível inconsciente e a influência de espíritos desencarnados sobre nós. São causas, cuja sutileza disfarçam a sua gravidade. O medo patológico, se não tratado em tempo, pode nos levar a quadros de verdadeiro desespero, nos jogando no mais completo desequilíbrio emocional.

                Mas, e o lado positivo do medo, onde se encontra, se até agora só apontamos o medo como um problema que pode nos levar ao desiquilíbrio emocional e até mesmo à loucura? O medo, como aquele alerta que nos impele para a autopreservação é saudável e necessário. O que precisamos é ter sensibilidade para perceber quando ele passa do limite e se torna torturante. Neste caso, devemos considerá-lo como um sinal de que alguma coisa anda errado. É o sinal de que precisamos nos avaliar, e se o resultado dessa avaliação for negativo, que devemos procurar ajuda. Viver com medo não é viver plenamente. Precisamos estar sempre conscientes de nosso viver e aptos para tomarmos as decisões que nos farão evoluir. Quando se está sob o julgo do medo, perdemos nossa capacidade de raciocínio e deixamos que ele conduza nossas vidas.

                Nos dias atuais, estamos expostos a perigos de toda ordem. Somos ameaçados fisicamente pela violência da sociedade, cuja origem está em grande parte na desigualdade social. Somos ameaçados psicologicamente pelas pressões sociais, como por exemplo a competitividade na luta pela sobrevivência. A simples convivência com outros seres humanos já é suficiente para fazer com que nos sintamos ameaçados. A impressão que temos é que estamos vivemos numa verdadeira selva, onde animais famintos estão sempre à espreita para nos devorar. Tudo isso faz com que nos sintamos ameaçados o tempo todo. Como enfrentar tudo isso sentindo medo, o que é natural, mas sem deixar que esse medo se torne patológico e nos jogue no fundo de um manicômio?  Nos mantendo em alerta, para perceber quando o medo extrapola o limite do normal e tendo sempre em mente a transitoriedade de nossas vidas como encarnados. Quando temos em mente que nossa encarnação é passageira e que podemos deixar de estar aqui de um momento para o outro, nos tornamos mais tranquilos e menos preocupados com os males que podem nos afligir. Muitas pessoas têm verdadeiro pavor da pobreza, não é verdade? Conscientes de que a vida na matéria é passageira, estas pessoas não terão a preocupação de acumular bens e muito menos o medo perder estes bens, pois sabem que eles não duram mesmo para sempre.

                Outra coisa que pode ajudar bastante é saber que estamos aqui para evoluir através do acúmulo de valores que poderemos levar conosco para as próximas encarnações, e isso não inclui bens materiais. Desligando-nos do desejo exagerado pelos bens terrenos e nos dedicando aos valores que importam ao espírito imortal, valores estes que podem ser resumidos na frase do Cristo: “ama ao próximo com a ti mesmo” ou numa linguagem mais atual – faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem para você, nos tornaremos praticamente imunes a doença do medo. Primeiro, porque não entraremos na loucura da sociedade e não seremos perseguidores e nem perseguidos, deixando, deste modo, de fazer parte da selvageria moderna. Em segundo lugar, porque quando estamos sintonizados com esses princípios universais trazidos pelo Cristo, nos tornamos imunes às obsessões. Quando equilibrados, deixaremos de ser vítimas dos obsessores e nos tornaremos fonte de luz e conhecimento para eles, porque da mesma foram que podem nos influenciar negativamente, nós podemos, mesmo sem perceber influenciá-los positivamente, conduzindo-os à reabilitação e ao progresso.

                A vida na Terra não é fácil, concordamos, mas ela não precisa ser um martírio. Se ela se apresenta assim é porque ainda estamos imersos na ignorância e não estamos sabendo como aproveitar melhor a oportunidade que nos foi dada. Uma coisa é certa, o medo exagerado é um fator que contribui para que nossa encarnação seja mais penosa, portanto, vamos estar atentos para quando o nosso medo começar a atrapalhar nossa evolução. Um pouco de medo é positivo e necessário. Não devemos ter vergonha de sentir medo de vez em quando, só não devemos deixar de enfrentar os desafios que nos farão crescer. Só pode ser chamado de corajoso aquele que sente e enfrenta seus medos, porque é assim que ele melhora. E quando, o medo nos impedir de viver plenamente, saibamos que é hora de procurar ajuda.

Victor

Mensagem psicografada em 11/06/2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Separação, um conceito que pode nos unir.


               
Falar de separação é sempre complicado, uma vez que a própria palavra nos remete à ideia de desagregação e se opõe frontalmente à palavra união, que por sua vez nos conduz à ideia de crescimento e progresso. Costumamos ter uma visão negativa das separações. Porém, as separações, como tudo nesta vida, tem seu aspecto positivo e é sobre este prisma que pretendemos discorrer sobre o assunto. Realmente não é uma coisa que possamos chamar de boa quando, por exemplo, amigos se separam por razões egoístas ou por desavenças; nem é algo bom quando pessoas que tinham um objetivo comum de progresso resolvem ir cada uma para seu lado, abandonado o interesse maior que as mantinha unidas. Não é desse tipo de separação que vamos falar. Vamos nos ater a separação como uma forma de melhorar as coisas. Mas é possível, separar para melhorar? Acreditamos que sim e vamos tentar demonstrar isso. Nosso objetivo, como sempre, não é confrontar ninguém e muito menos nos colocar como donos da verdade, porque, como já repetimos em textos anteriores, acreditamos que esta, só o Criador a tem.
                Quando temos muitos problemas para resolver e quando esses problemas estão nos deixando atordoados, de modo que não conseguimos equacioná-los e dar a cada um a devida solução, surge uma boa oportunidade de usarmos positivamente a separação. Existem casos, por exemplo, em que estamos querendo ajudar alguém, mas por estarmos envolvidos emocionalmente com esta pessoa, não conseguimos lhe apontar o melhor caminho. Isso acontece porque nós também nos deixamos afetar pela mesma pressão a que está sujeita a pessoa que queremos ajudar. Existem também aqueles casos em que os problemas são tantos, e tão variados, que se torna praticamente impossível resolvê-los, pois quando resolvemos um o outro se agrava e acaba se tornando maior que os dois juntos. Nesses casos ficamos perdidos, tal como um barco à deriva num mar tempestuoso. Estas são situações em que podemos usar a separação de um jeito muito produtivo. Devemos simplesmente separar os problemas, classificá-los por ordem de prioridade ou de urgência, ou mesmo de dificuldade. Quando temos muitos problemas a resolver, precisamos decidir qual deles deve ser resolvido primeiro, pois alguns problemas estão relacionados a outros e sua solução contribuirá para a solução desses outros. Parece que estamos chovendo no molhado, não é verdade? Parece que estamos falando o óbvio, mas por incrível que pareça, a maioria de nós não tem tirocínio para proceder desta maneira. Irritamo-nos ou nos apavoramos com o volume dos problemas e só conseguimos solucioná-los com muita dificuldade e depois de muito penar. Queremos resolver tudo de vez, o que é impraticável.
                A solução que apresentamos parece simples, mas separar problemas para poder resolvê-los não é tão fácil assim. Isso porque, nós seres humanos, enquanto espíritos encarnados temos, além da capacidade de raciocinar, a emotividade. Quando estamos envolvidos emocionalmente num problema isso afeta nosso raciocínio e faz com que nós deixemos de raciocinar plenamente, assim perdemos momentaneamente a habilidade de equacionar as questões com as quais temos que lidar. Esse talvez seja o elemento que mais nos atrapalha na hora de fazer a separação que estamos propondo. Precisamos aprender a nos afastar dos problemas. Ainda que, por um breve momento, precisamos enxergar esses problemas como se não fossem nossos, eliminando o componente emocional, assim ficará mais fácil estabelecer a ordem de importância ou de gravidade de cada problema. Fazendo isso vamos ter de volta nossa capacidade de raciocínio e conseguiremos colocar cada problema em sua devida ordem de importância.
                Separados e classificados os problemas, nos surpreenderemos com o fato de que, alguns deles são de solução muito fácil, e veremos claramente que outros simplesmente não tem solução, e como diz o ditado popular, “o que não tem remédio, remediado está”. Somente com este exercício de afastamento é que conseguiremos ter essa visão amplificada, imparcial e racional sobre aquilo que está acontecendo à nossa volta. Sabemos que não é tarefa das mais fáceis nos desligarmos emocionalmente de determinados problemas. Existem situações que são extremamente aflitivas, das quais é quase impossível este desligamento, mas isso é necessário e precisa ser feito. O que podemos fazer para facilitar esse desligamento? Como espiritualistas, recomendamos em primeiro lugar que tenhamos sempre em mente a transitoriedade da vida material. Ela não dura para sempre. Qualquer problema que tenhamos na vida de encarnado, por pior que possa parecer, um dia terminará. Podemos entender a vida na matéria como uma grande ilusão; como um sonho cuja particularidade é que demora um pouco mais do os outros. Não é animador saber que os problemas não duram para sempre? Outra informação que deve acompanhar todo espiritualista é o fato de sabermos que nada fica sem solução. Mesmo que não consigamos resolver algum problema nesta encarnação, teremos outras oportunidades para fazê-lo. Devemos levar nossas vidas conscientes de que todo dia é um dia novo. Todo dia um sol novinho nasce, e nos dá a chance de resolver aquilo que não resolvemos no dia anterior. Novamente parecerá que estamos repetindo o óbvio, mas não temos como falar isso de outro modo. A vida é assim mesmo: simples. Nós é que temos a mania de complicá-la. Será que já não passou da hora de mudarmos esse nosso jeito de lidar com a vida? Será que já não está na hora de entender que o peso do fardo da vida somos nós mesmos que estabelecemos?
                Mesmo para aqueles que não compartilham das crenças espiritualistas, (que para nós é a mais pura e simples realidade) compreender a ideia de separação do modo como a estamos apresentando pode ser útil. Portanto, acreditamos que nosso conselho, se assim podemos, temerariamente, chamá-lo, pode ajudar, tanto espiritualistas quanto materialistas ou pessoas que pensam diferente dessas duas correntes. Aprender a separar os problemas é algo bom para todos.
                É sempre interessante dar exemplos. Imaginemos uma pessoa que trabalha numa determinada empresa e que tem planos de progredir, pois almeja para si um futuro melhor. Essa pessoa se encanta por um (a) colega de trabalho, mas este outro (a) não corresponde a sua expectativa. O que costuma acontecer é que essa pessoa, por se sentir rejeitada por não ter seu sentimento correspondido, acaba misturando o profissional com o pessoal e deixando que o emocional prejudique seu desempenho na empresa, tornando-se um funcionário (a) ineficiente. Esse é o exemplo típico da pessoa que não sabe e que precisa aprender a separar as coisas. Se ela entender que são questões que devem ser tratados separadamente, terá melhores condições de resolvê-las ou pelo menos não deixar que uma coisa atrapalhe a outra. Se essa pessoa conseguir fazer o exercício de afastamento e tentar ver tudo de longe como se fosse um expectador e não alguém envolvido, terá condições de dar uma melhor solução para esse problema. Separação é a palavra chave para casos como esse, que são tão comuns. A mistura do emocional com problemas que exigem raciocínio lógico é algo extremamente comum.
                Separar os problemas não é somente um modo de viver com mais tranquilidade. Saber separar as coisas é condição essencial para a solução de qualquer situação ou problema complexo. Quando estudamos um assunto muito difícil de entendermos o que fazemos? Separamos, dividimo-lo em partes menores para melhor o compreendermos, não é verdade? Depois de compreendermos uma parte passamos para outra e por fim conseguimos compreender a totalidade do tema. A vida pode ser bem menos problemática se adotarmos uma postura de humildade intelectual. Isso nos permitirá perceber que as coisas costumam se repetir e que as soluções que aplicamos a determinadas coisas podem ser aplicadas à outras, levando em consideração as peculiaridades de cada caso, naturalmente. Todas as grandes estruturas que funcionam bem e que trazem resultados positivos, são organizadas e separadas em partes menores e cada parte funciona de modo que a outra possa funcionar beneficiando o todo. Assim é que deve ser.
                Para levarmos nossa vida de um modo mais sereno e mais produtivo, devemos aprender essa lição básica. Devemos aprender a separar os problemas que se nos apresentam e resolvê-los um de cada vez, no seu devido tempo. Se quisermos, como costumamos fazer, resolver tudo de uma vez, estaremos fadados ao fracasso. É como diziam os antigos: “não podemos assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”. Separar e resolver as coisas com calma não quer dizer, abandonar ou desistir de nossos projetos. Quer dizer que estamos usando nossa inteligência e sendo estratégicos, porque não se pode construir nada grande sem que tenhamos uma base segura e bem estruturada. Lembremos que quanto maior o edifício mais firme deve ser a base que o sustentará, e mesmo esta, deve ser construída por partes e sem pressa para que possa suportar o que virá depois.

É na simplicidade que a sabedoria se revela.

Muita paz e muita luz!

Victor

Mensagem psicografada em 25/05/2018



quarta-feira, 16 de maio de 2018

A voz da consciência


‘‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” Matheus 11:15

               
Por mais que o barulho exterior seja forte, nós precisamos ouvir nossa voz interior - a voz da consciência. Aquela vozinha que por vezes nos incomoda com sua insistência. Normalmente ela não nos fala de coisas que nos parecem agradáveis, mas é exatamente essa a sua função, isto é, nos chamar a atenção para as coisas que não nos ajudam a progredir; que não nos ajudam a evoluir. Sua função é mostrar quando estamos tomando o caminho errado, para que possamos corrigir nossa direção. Ouvir a voz da consciência é um meio sempre seguro para não nos desviarmos das metas que traçamos para a nossa encarnação. Digamos que ela é o sinal vermelho que devemos obedecer para não causarmos acidentes de percurso.
                Nem sempre a voz da consciência se manifesta em forma de palavras que nós dizemos para nós mesmos. Algumas vezes ela se apresenta como uma sensação incômoda, como uma pequena opressão no peito, uma sensação de que deixamos de fazer alguma coisa. Outras vezes como uma sensação de vazio, ou mesmo uma sensação de que estamos carregando peso demais. Pode ser também que a voz da consciência se apresente como culpa, embora nem toda culpa que sentimos está relacionada com a consciência, porque existe aquela culpa patológica, que nos joga numa impotência persistente, quando na verdade deveríamos estar reparando as falhas que acreditamos ter cometido.
                Não é errado dizer que a voz da consciência é divina. Ela provém daquilo que chamamos de centelha divina que é a porção de Deus em nós. Ela funciona como um dispositivo orientador, para que nos mantenhamos na programação que nos foi estabelecida. A vida do ser encarnado é cheia de experiências que foram pensadas para que aproveitássemos a passagem pela carne da forma mais produtiva possível. É natural que, em uma ou outra dessas experiências, nós falhemos. Isso faz parte do aprendizado, faz pare do crescimento espiritual que é o nosso objetivo maior. Dentro desse contexto devemos entender a voz da consciência como um instrumento a mais para nos auxiliar no cumprimento das nossas metas como encarnados.
                É muito reconfortante saber que podemos contar com essa ferramenta, que é uma prova da bondade divina para conosco, porém, não podemos esquecer-nos de usá-la. Ela está a nossa disposição, basta querermos, porém, antes de qualquer coisa, precisamos reconhecê-la em nós. Vivemos num mundo barulhento, tanto externamente quando internamente. Quando não estamos envolvidos com a bagunça de fora, estamos atrapalhados com a bagunça interior, e isso não nos permite ouvir nossa consciência. Precisamos arranjar tempo, ainda que sejam poucos minutos por dia, para nos dedicarmos a essa parte essencial de nosso eu. Precisamos ouvir a nós mesmos! Ouvir a voz de nosso eu superior que anseia por nos conduzir ao melhor caminho. Nesses poucos minutos, procuremos estar num ambiente de silêncio e de tranqüilidade, para podermos estar conosco mesmo - eu mais eu comigo. No silêncio, vamos nos perguntar se o que estamos fazendo nesse dia são as coisas certas a se fazer. Vamos refletir sobre nosso relacionamento com as outras pessoas, sejam companheiros de trabalho, amigos, parentes ou esposo (a), etc. Vamos analisar as palavras que dirigimos a essas pessoas. Vamos observar se fomos dóceis ou se fomos ríspidos; se fomos justos ou injustos; se fizemos por eles tudo que poderíamos fazer; se fomos receptivos ou se os repelimos. A resposta virá com toda certeza, e baseados nessa resposta, tiremos nossas conclusões para ver se precisamos mudar alguma coisa. Em caso positivo, não deixemos para depois, vamos resolver os possíveis problemas logo no começo, para que eles não tomem proporções exageradas, de modo que não possam mais ser resolvidos.
                Nesse mundo barulhento, onde não conseguimos nos ouvir, podemos destacar uma consequência dessa surdez voluntária: estamos nos afastando uns dos outros; estamos deixando de nos relacionar e amar as pessoas ao nosso redor. Por não ouvir nossa consciência estamos nos tornando avessos ao amor. Passamos a acreditar que o amor nos enfraquece e nos torna vulneráveis. Passamos a acreditar que não devemos nos envolver nos problemas alheios, mesmo que a nossa consciência esteja nos cobrando uma posição. Essa aversão aos problemas alheios faz com que nos afastemos das pessoas, porque todos têm problemas que precisam ser divididos, inclusive nós mesmos. Imaginem se todos pensarem desse modo egoísta. Cada pessoa vai se transformar numa ilha de solidão. Quando nossa consciência nos diz para ajudar alguém, o que ela está dizendo é: se envolva sem medo de amar, porque ela sabe que o amor não prende nem nos enfraquece. Nossa consciência, que é a representação do amor do Criador em nós, sabe que o amor fortalece e liberta. O amor nos transforma em verdadeiros super-homens e nos dá condições para superarmos todos os obstáculos que surgirem em nossas vidas.
                Hoje em dia não é difícil encontrar homens-ilhas. O que eles não percebem é que não estão ouvindo a si mesmos. Não se dão conta de que, o afastamento dos problemas alheios, apesar da cobrança interior, não lhes faz mais felizes, pelo contrário, transforma a todos em surdos voluntários para quem a consciência, a voz do divino em nós, não significa mais nada. Aquele que deixa de ouvir a voz da consciência pode ser considerado um ser sem rumo, para quem a vida perdeu todo o sentido. Junto com a surdez voluntária vem uma série de patologias que pegam carona neste caminhão de egoísmo. Eles não entendem que agindo assim estão se afastando do propósito de suas existências e não percebem que suas vidas vão ficando tristes e vazias de significado. Vivem para gastar o tempo dado e não para aproveitá-lo.
                A justiça divina é perfeita. Mesmo a pessoa considerada a mais ignorante entre nós, tem dentro de si a voz da consciência para lhe guiar. Pode até mesmo acontecer que uma pessoa muito “inteligente” tenha menos consciência do que alguém menos inteligente. A lógica divina que governa as consciências é diametralmente oposta a que governa as relações humanas. A aparência externa ou aquilo que queremos parecer não tem valor algum no mundo consciencial. Nesse mundo, cada homem é sua própria medida, porque ele tem dentro de si o saber inato da consciência. Mesmo que nunca tenha frequentado um banco escolar,  no fundo, todo homem sabe se está agindo certo ou não, respeitando naturalmente as diferenças culturais das sociedades.
                Precisamos promover reencontros com os outros e conosco mesmo, para retornarmos aos nossos verdadeiros objetivos. Estamos entrando numa fase da humanidade em que os valores do espírito, os valores da consciência precisam aflorar; precisam ser cultivados para que o mundo saia desse estado de indiferença e se torne um mundo onde as pessoas sejam mais solidárias, decentes e honestas, atraindo para si o progresso, tanto material quanto espiritual. Nessa nova fase em que a humanidade está entrando, não haverá espaço para os surdos voluntários. Com o desenvolvimento espiritual do homem não fará mais sentido o isolamento a que muitas pessoas se submetem.
                Parece que não, mas existe estreita ligação entre a falta de consciência, a indiferença e a solidão. Quando ignoramos nossa voz interior, nos tornamos indiferentes ao sofrimento alheio e isso nos conduz diretamente para a solidão. Uma vez isolados, por nossa própria escolha, vamos nos afastando de nossa essência, de nosso propósito de vida e do amor tão recomendado por todos os mestres ao longo da história. As experiências pelas quais temos que passar envolvem, necessariamente, o relacionamento com outras pessoas. Ninguém conseguirá evoluir sozinho! Precisamos trocar sentimentos e emoções com nosso próximo. Só assim é possível evoluir. Podemos até construir uma cidade inteira, mas se não amarmos as pessoas, é como se não tivéssemos vivido e nem construído nada.
                O amor é a razão de nosso viver. Estamos aqui para amar e sermos amados, e enquanto não desenvolvermos esse potencial, teremos que reencarnar muitas vezes, até que isso aconteça. Temos um guia infalível – nossa voz interior, que conhece o caminho do progresso. Só o que temos a fazer é um pouco de silêncio, para poder ouvir suas instruções. Vamos caminhar lado a lado com nossos irmãos de jornada, sabendo que eles são a ponte que nos levará para mundos melhores, onde o amor não é mais um objetivo a ser alcançado e sim uma energia pulsante que a tudo tonifica.
                Vamos aprender a meditar e, no silêncio, vamos ouvir a voz da divindade em nós. Muitos se surpreenderão com aquilo que aprenderão consigo mesmo. Verão que já tinham a resposta para todos os problemas, e que a vida pode ser bem melhor do que isso em que a transformamos.

Victor

Mensagem psicografada em 14/05/2018


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ansiedade, conhecimento e sabedoria


                Como em todas as coisas na vida do espírito encarnado, com relação ao aprendizado, com relação ao conhecimento, devemos ter o mesmo carinho, a mesma consideração. Isso para podermos nos beneficiar da melhor maneira das novas descobertas, das novas informações que nos vão chegando das mais diversas fontes. Aliás, a diversidade das fontes é algo de suma importância. Muito conhecimento provindo de uma única fonte não é recomendável. O melhor é adquirir conhecimento, ainda que pouco, mas que provenha de muitas fontes, o que lhe garante a universalidade. É aconselhável irmos devagar, pois em nossa condição de encarnados, não temos condições de absorver grande quantidade de conhecimento de uma só vez sem que isso nos deixe desorientados. Essa é uma das razões pelas quais a espiritualidade vai trazendo novas informações à moda do conta-gotas.
                Querer conhecer tudo ao mesmo tempo não é outra coisa senão sinal de desequilíbrio, pois tanto é desequilibrado o preguiçoso que não quer saber de nada quanto o esforçado que quer conhecer tudo de uma vez. Os mistérios que ainda envolvem as outras dimensões da vida, particularmente o chamado plano espiritual, estão apenas começando a serem apresentados. São outras realidades que não podem ser descortinadas abruptamente. Se assim ocorrer, tal conhecimento pode trazer mais problemas do que soluções. Ao invés de trazer o progresso, podem nos levar ao caos. Como podemos ensinar coisas novas para as quais ainda não temos nada que sirva de base estruturadora? Não podemos, por exemplo, explicar a composição da água, sem explicarmos o que oxigênio e hidrogênio. Usando o exemplo da matemática, podemos dizer que estamos na fase de ensinar o que significam os sinais para depois poder mostrar sua utilidade nas diversas operações com os números. O homem ainda se encontra numa fase primária, onde os conhecimentos mais sutis devem ser ministrados de modo gradual. Muito ainda precisa ser feito em nível de preparação para que estes conhecimentos possam ser absorvidos por nós em toda sua plenitude
                É sem razão e desnecessário que nos desesperemos para adquirir novos conhecimentos, para desvendar novos mistérios. Essa ansiedade coletiva, que pode ser facilmente observada, e que é causada pela pressa de conhecer é a prova maior do despreparo dos homens para entrarem numa fase evolutiva superior. Precisamos preparar o recipiente, ter certeza de que ele está forte o bastante para suportar o conteúdo que pretendemos guardar nele. Se suas paredes não forem firmes ele se romperá e terá que ser reconstruído, fazendo com que o processo do aprendizado demore bem mais do que o necessário.
                Cada ser que habita este planeta, independente do reino a que pertença; todas as coisas animadas ou não, estão sob a supervisão de consciências superiores. Nada aqui está sem supervisão e governo. Essas consciências elevadas sabem que a evolução não poder ser apressada. Ela tem o tempo certo de acontecer. Algumas coisas não podem ser feitas rapidamente. É como um remédio que não pode ser tomado de uma só vez, porque ao invés de curar, pode até matar o doente. É bastante compreensível que algumas pessoas sintam essa pressão, esta necessidade de conhecer cada vez mais. Entramos a pouco tempo numa época onde a informação é abundante e esse é um dos motivos dessa ansiedade coletiva que existe hoje, que já pode ser considerada patológica, e que já começa a trazer problemas para a evolução dos espíritos. É uma fase difícil, onde muitos se confundirão e terão que recomeçar, mas como tudo o que existe, é também uma fase necessária. É mais ou menos como alguém que se depara com uma linda montanha distante. Ele sabe que ela está lá; sabe das belezas que poderá contemplar quando atingir o seu cume. Porém, existe uma floresta que precisa ser transposta, e depois ainda terá a escalada pela frente. O viajante deve estar consciente de que haverá muito perigos e obstáculos a enfrentar, e por isso deverá caminhar somente um pouco por dia. Deverá parar muitas vezes para o necessário descanso que lhe renovará as forças. Vencendo os primeiros desafios chegará ao sopé da montanha preparado para a escalada. Assim deve ser o estudante das coisas espirituais, um viajante consciente das etapas de sua viagem, enfrentando-as uma de cada vez, porque não poderá vencer um novo obstáculo sem que tenha passado pelo obstáculo anterior.
                O conhecimento faz com que o espírito se fortaleça tornando-o mais apto para as próximas jornadas, seja em que mundo for, seja em que corpo for. Mas é preciso estar atento para uma coisa aparentemente simples: conhecimento deve ser acompanhado por sabedoria. É preciso ter a simplicidade que se estampa em toda a criação para se tornar um sábio. Podemos dizer que a sabedoria é fruto da observação e não produto de complexos raciocínios. É fácil ver pessoas muito simples que não conhecem grandes teorias, mas que possuem grande sabedoria. São pessoas que vivem bem, vivem com tranquilidade e têm vida longa. Isso acontece porque elas souberam usar essa habilidade que todo espírito tem e que poucos aproveitam – a sublime arte da contemplação. Isso nos faz lembrar uma velha história. Um homem considerado grande sábio visitou um homem muito simples e ensinou-lhe coisas muito interessantes. Ao se despedirem, o homem simples pediu ao sábio que esperasse um pouco até a chuva passar. O sábio, vendo o dia radiante e o sol a pique, zombou do homem simples, pois não havia sinal nenhum de que poderia chover e partiu assim mesmo. Alguns minutos depois o sábio volta, todo encharcado, embaixo de um tremendo temporal e pergunta ao homem simples como ele adivinhou que ia chover. Ele respondeu ao sábio que sabia que a chuva vinha pelo zumbido dos insetos, pelo cheiro do vento e pelo silêncio dos pássaros. Nesse dia o pseudossábio compreendeu que ainda tinha alguma coisa para aprender e que havia outros tipos de conhecimento. Costumamos agir como este pseudossábio da história. Achamos que já sabemos de tudo e deixamos de prestar atenção em coisas muito simples que podem ser a chave ou a base para novos conhecimentos.
                Devemos estudar - quanto mais, melhor, com certeza. Mas existem momentos em que devemos parar o observar o mundo à nossa volta. O mundo é um grande livro aberto, cheio de conhecimento, que não deve ser desprezado e que não pode ser encontrado nos livros comuns. O livro do mundo traz conhecimentos que são reconhecidos por nosso espírito sem que palavras sejam escritas ou pronunciadas. É como se o mundo penetrasse em nós com toda a sua beleza e grandiosidade. Devemos parar o olhar o mundo; cheirar o mundo; ouvir o mundo; tocar o mundo e sentir o gosto do mundo. Algumas pessoas, depois de adquirirem muito conhecimento costumam se distanciar do mundo, o que é um erro infantil. Chega a ser paradoxal - quanto mais estas pessoas conhecem o mundo mais se afastam do mundo. Esquecem da lição mais básica, isto é, que somos parte do mundo, ou melhor, que somos o mundo.
                O que de bom podemos tirar de tudo isso?  Que em tudo precisamos encontrar o equilíbrio. Não adianta sermos grandes teóricos das estrelas quando ainda não compreendemos o solo em que pisamos. Não devemos desprezar o conhecimento das pessoas mais simples. Todos têm alguma coisa a aprender e alguma coisa a ensinar, por isso estamos aqui, para nos completarmos e caminharmos juntos para uma condição evolutiva melhor. Vamos aprender qual é composição química da água do mar e da areia da praia, mas vamos acordar cedo e caminhar à beira da água para sentirmos a carícia que fazem em nossos pés; vamos ouvir o canto do mar. Vamos sentir a pulsação da Terra no ir e vir das ondas. Essa dupla forma de nos relacionarmos com o mundo nos dará o conhecimento integral e não parte dele. Desse modo, poderemos entender e sentir a grandiosidade da criação em todas as suas formas de expressão.
                Conhecer é reconhecer. Sabendo que no universo tudo está interligado, incluindo a nós, espíritos, encarnados ou livres, podemos concluir que o conhecimento do universo já está em nós, uma vez que fazemos parte dele e que tudo está interligado. Sabendo disso, chegamos também à conclusão de que o melhor modo de conhecer o universo é conhecer a nós mesmos. Isso não é novidade, chega mesmo a ser uma repetição maçante. É o tipo de conhecimento que, por ser de uma simplicidade desconcertante, faz com que o desprezemos. Esse é outro erro básico que cometemos. Tudo está em nós. Cada espírito é um pequeno universo em expansão e conhecendo a si conhecerá o Todo, do qual é parte essencial.
                Busquemos conhecimento nos livros, busquemos aprender dos mestres, mas não nos esqueçamos de buscar dentro de nós mesmos, e a melhor forma de fazermos isso é parar de vez em quando para observar e contemplar o mundo ao nosso redor. A natureza nos mostrará pacientemente como devemos nos conduzir para aproveitarmos efetivamente nossa estadia na matéria. Vamos nos guiar pela razão sem esquecer que o guia maior é nosso coração. Vamos aprender a ouvir a voz da Terra e a nossa voz interior, porque ambas falam a mesma língua - a língua dos anjos.

Victor

Mensagem psicografada em 07/05/2018


terça-feira, 1 de maio de 2018

O Mestre deve habitar em nós!


                O Mestre deve habitar em nós!

                Precisamos deixar que o Mestre habite em nós. Devemos representar o Mestre espiritual no mundo material. Nós, que o seguimos, devemos exemplificar suas ideias vivas, fazer com que seus desejos sejam realizados. Nós escolhemos o Mestre ou o Mestre nos escolhe? A verdade é que nos escolhemos mutuamente, nós e o Mestre. Assim aconteceu porque pertencemos a mesma origem e reconhecemos Nele o caminho. Viemos Daquele que tudo criou e que tudo sabe, tudo determinou. Pode-se perguntar: para que precisamos de um Mestre, será que não somos bastante inteligentes para caminhar sozinhos, para fazer nossas escolhas? A resposta é não. Somos como crianças e precisamos de alguém a nos orientar, a nos mostrar o caminho para que conheçamos a nós mesmos e desenvolvamos todos os nossos potenciais. O Mestre é um pai amoroso.

                Um verdadeiro Mestre não é aquele que nos conduz no caminho. Um Mestre é aquele que mostra o caminho e deixa que seus discípulos tenham a opção de segui-lo ou não. Ele sabe que aquele que é conduzido não aprende a caminhar por suas próprias pernas e precisará sempre que alguém o conduza, e isso não é o que um verdadeiro mestre deseja para o seu discípulo. O Mestre quer que o discípulo aprenda, cresça e o supere. Essa é a recompensa que o Mestre deseja mais do que tudo. Esse é o objetivo do Mestre. Nosso Mestre é Jesus Cristo! Existem outros, mas é a este que, por amor, nos ligamos e é a este que dedicamos nossos esforços para que seus ensinamentos atravessem os séculos ajudando o homem na sua caminhada de volta para o Todo.

                Jesus de Nazaré, o Cristo, como outros Mestres que estiveram entre nós, nos deixou exemplos de como devemos proceder nas mais diversas situações. Nos deixou exemplos que, com certeza, não conseguiremos reproduzir plenamente, e talvez ainda devam se passar alguns séculos até que venhamos a fazê-lo.  O Mestre, como um bom educador, nos pediu para fazer uma centena, porque sabia que, com muito esforço, faríamos uma dezena. Assim fazem os grandes Mestres. Eles nos pedem o máximo, mesmo sabendo que faremos o mínimo. Essa é a didática divina. Mesmo sabendo das nossas fraquezas, Ele acredita em nós, e nos dá a confiança tentar, esperando que façamos o melhor.

                Toda a doutrina do Cristo pode ser reduzida a esta frase “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Como é possível que numa frase tão curta, toda uma doutrina que se diz universal e atemporal pode estar contida? Pois vamos dividi-la, analisá-la e ver se chegamos a mesma conclusão do Mestre. Comecemos por “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Hoje não podemos mais aceitar que a divindade seja aquilo que a humanidade em sua ignorância definiu. Deus, a consciência cósmica universal, está aquém e além de qualquer definição possível. Deus é o indefinível. E dizer isso ainda é temeroso porque estamos dando nome ao inominável. Deus é o Todo. Aquele que está em tudo. Aquele que simplesmente é. Nada está fora Dele. Amar a Deus, entendendo-o deste modo significa amar a tudo que nos rodeia. Valorizar cada pedra, cada planta e cada ser que encontrarmos, porque em todos eles há um pedacinho Daquele que, por questão de didática chamaremos de Criador. O ideal é que cheguemos ao ponto de quando olharmos para qualquer coisa que nosso olhos possam ver, possamos sentir a presença dessa Consciência Cósmica que a tudo deu forma e agradecermos pela individualização que nos permite essa observação como se fôssemos separados Dela. Amar a Deus é amar a vida; é agradecer por tudo que existe e por todas as nossas experiências. Quando conseguirmos reconhecer a divindade nas coisas que nos cercam, já poderemos nos considerar espíritos conscientemente integrados à divindade. Poderemos sentir que Deus está em nós e que nós estamos Nele.

                Vamos agora a segunda parte de nossa grosseira análise. “e ao próximo como a ti mesmo”. Será possível que possamos amar alguém tanto quanto amamos a nós mesmos, uma vez que nascemos com esse instinto de preservação que sempre escolhe como prioridade a si mesmo? Vamos dividir também este pedaço da frase do Mestre em duas para melhor analisá-la. Vejam que, uma frase aparentemente simples, vai ganhando contornos inesperados. “amar ao próximo”. Para entendermos esta primeira parte precisamos fazer as seguintes perguntas: Quem é o próximo e quem está mais próximo de mim? Sem estas respostas não saberemos a quem amar, não é verdade? Interessante é que estas duas perguntas tem uma resposta só: eu mesmo! Quem está mais próximo de mim do que eu mesmo? Ninguém! Portanto, para seguir ao Mestre com precisão devemos amar a nós mesmos. Mas, isso não é exatamente o contrário do que Ele pregou? Ele nos disse para não sermos egoístas, certo? Bem vamos para a análise da segunda parte da frase que dividimos, para ver se ela nos ajuda a sair deste suposto labirinto em que nos encontramos. “como a ti mesmo”. Vamos ver, se Ele disse para amar ao próximo como a mim mesmo, posso deduzir que quanto mais amor eu der a mim mesmo, mais amor devo dar ao outro. Cremos que não há dúvida quanto a isso. Está explícito na frase que devo amar ao outro na mesma medida em que me amo. Isso nos leva a solução de nossa pequena charada. Só nos resta uma dúvida: por quem devo começar a amar, a mim ou ao próximo? Isso Ele não especificou, disse apenas para amar ao outro “como” a nós mesmos. Complicado? Não. Na verdade, é muito simples, porque uma coisa leva a outra. Se devemos amar ao próximo na mesma medida, tanto faz amar primeiro a mim ou ao meu próximo, porque no final amaremos os dois igualmente. Vejam que com todas as possíveis deturpações que certamente ocorreram pelas inúmeras traduções desta frase, ela parece ter mantido sua essência. Essa é uma marca do verdadeiro Mestre. Palavras simples, cujo significado é de uma profundidade desconcertante. Mas voltando a nossa análise da segunda parte da frase principal, o que queremos destacar com alguma ênfase, e que também está implícito no axioma, é que precisamos nos amar, pois sem isso não poderemos amar aos outros. Não se pode dar aquilo que não se tem!

                Quando dissemos que Mestre deve habitar em nós, estamos exortando a todos os discípulos a viverem a verdade do Mestre. O Mestre e sua verdade são a mesma coisa, porque a verdade é a essência do verdadeiro Mestre. Quando colocamos em prática seus ensinamentos estamos trazendo-o de volta ao nosso convívio e nos tornando um só. A verdade do Mestre deve habitar em nosso coração. Esta é a casa que ele escolheria para habitar, sem sombra de dúvida, porque todo grande ensinamento não é somente feito de palavras, ele sempre vem acompanhado de muito sentimento, de muito amor e de muita vida.

                Qual é o verbo da frase do Mestre? (em nossa língua o verbo é parte fundamental de uma frase- sem um verbo, sequer podemos chamá-la de frase) É o verbo “amar”. Se Ele disse que toda a sua doutrina estava contida nesta frase, certamente o amor é a parte mais importante de sua mensagem. Quando “amarmos” a Deus; quando “amarmos” a nós mesmos; quando “amarmos” ao próximo estaremos fechando o grande círculo da evolução. Estaremos voltando ao Criador e a própria Criação. Estaremos voltando à Fonte de Todo Amor da qual emanamos. O amor é a base em que fomos criados. Nascemos para amar e sermos amados. Somos aparentemente muito diferentes uns dos outros, mas uma coisa podemos afirmar: o Amor é a essência que restará depois de toda caminhada, depois de toda sublimação.

                Não só Jesus, mas todos os Mestres que vieram ajudar na evolução da humanidade deixaram ensinamentos importantes, e todos eles muito simples de serem entendidos, porém muito difíceis de serem vivenciados. Todos os Mestres pregaram o amor como a ferramenta para o aprimoramento e a transformação do homem e do mundo para melhor. Em nossa ignorância conseguimos complicar o que é simples e tornar tortuoso um caminho reto. Isso é errado? Não, não devemos pensar assim. Devemos entender que isso faz parte de nosso aprendizado, de nossa caminhada rumo ao Todo. Fomos criados por amor e o amor só pode construir, nunca destruir, por isso, mesmo quando estivermos passando ou vendo outros passarem por situações terríveis não devemos nos preocupar, pois algumas coisas precisam ser reformadas ou mesmo destruídas para serem reconstruídas numa condição melhor.

                Desejamos que cada um encontre o seu Mestre e que cada um permita que esse Mestre faça morada em seu coração. Desejamos que todos um dia venham a superar o seu Mestre e assim fazê-lo sentir-se realizado por saber que seu trabalho não foi em vão. Uma boa maneira de encontrar o Mestre é abrir o coração, pois sem a abertura desta porta, cuja chave é o amor, não é possível que Ele penetre e faça ali sua morada. Desejamos e pedimos que nosso Mestre Jesus, este que em nós habita, possa abrir os corações de todos, para que cada um encontre seu verdadeiro Mestre.

Victor

Mensagem psicografada em 09/04/2018

terça-feira, 17 de abril de 2018

É PRECISO SABER VIVER


  
           

É preciso saber viver!

                Esta afirmação nos leva a seguinte pergunta: Porque precisamos saber viver? Achamos que essa pergunta nos ajudará, de certo modo, a encontrarmos o caminho que devemos seguir em busca do entendimento que procuramos. Precisamos saber viver porque a vida não é tão simples como muitos querem fazer parecer. Na verdade, a vida do homem encarnado nada tem de simples, pelo contrário, durante sua existência o encarnado se depara com as mais complexas situações. Ele se vê colocado em situações que nem sempre sabe como lidar. Situações que são verdadeiras armadilhas, das quais nem sempre é fácil escapar. Ora, se soubermos como viver, isto é, se soubermos conduzir a nossa vida de uma forma equilibrada tudo ficará mais fácil e teremos uma passagem pela vida muito mais produtiva.
                E como adquirir este conhecimento? Como aprender o saber viver?
                Vamos devagar. Recomendamos aprender primeiro uma coisa essencial. Uma coisa já tão falada, tão repetida, que nos sentimos até um pouco constrangidos em repetir novamente esta lição, mas vamos lá. Antes de tudo devemos entender, aceitar e viver de acordo com o fato de que não somos somente o corpo carnal que ocupamos momentaneamente. Ainda que tenhamos certa dificuldade em interiorizar essa ideia, devemos fazer um pequeno esforço para aceitá-la. A partir do momento que nos conscientizamos desse fato, tudo se torna mais fácil.  Ao tirarmos de nossas costas o pesado fardo da vida material, porque ela se torna pesada no momento em que a entendemos como a única vida; como a única oportunidade para fazer o que desejamos; como a única chance de realizar nossos sonhos e projetos. Quando nos liberamos deste fardo tudo se torna mais leve e agradável. Tarefas antes consideradas doloridas e cansativas passam a ser tarefas agradáveis e passageiras. Encontraremos tempo e paciência para trabalharmos as coisas realmente importantes, aquelas que dizem respeito a nossa busca pela melhora interior, que é o segredo da evolução.
                Conscientes da brevidade da vida, não sentiremos tanta culpa, pois nossos “erros” também não terão o caráter de definitivos. Conscientes de que sempre teremos a chance de recomeçar, não desperdiçaremos nosso tempo com lamentações, mas o usaremos para reparar os prejuízos que porventura causarmos aos nossos irmãos. Usaremos nosso tempo para reconstruir aquilo que distraidamente destruímos. Viver sabendo da brevidade da vida na matéria densa faz toda a diferença no modo como vivemos. Somente precisamos entender que esse conhecimento deve ser interiorizado; deve estar ao nível de nossa essência; deve fazer realmente parte da nossa verdade, porque de nada adianta entendermos isso da boca para fora. Se assim entendermos não fará diferença alguma em nossa vida. Continuaremos com autômatos executando tarefas programadas.
                Devemos aprender o saber viver no nosso próprio campo de batalha. Onde é isso? Em nossa própria casa; em nosso trabalho; enfim, em todos os lugares onde nos manifestamos como seres humanos, como espíritos em crescimento. Esse é o onde, mas no nosso caso, o onde não será um lugar importante se não houver nele outros seres humanos como nós e com os quais podemos interagir. Somente aprendemos o saber viver vivendo e vivendo uns com os outros. Sem os outros povoando nossos ‘’ondes’’ nada poderíamos aprender. Só o outro nos vê de fora, portanto, só o outro pode nos dar uma noção de como nós realmente somos. O resumo da lição é que, impreterivelmente precisamos uns dos outros. Não crescemos sozinhos. O outro é tão importante como nós mesmos. Dependemos totalmente do outro para sermos quem somos. Porque será que todos os grandes mestres nos disseram para amar o nosso próximo como a nós mesmos? É óbvio que eles já tinham consciência da dependência que temos uns dos outros!
                Será nessa convivência com nossos semelhantes que aprenderemos a viver melhor. Só precisamos nos posicionar como aquele que observa e aproveita o que cada situação vivida tem de melhor. Todos nós erramos e acertamos. Não há neste mundo aquele só acerta, porque tal como nós ele está na mesma condição, ou seja, alguém que está aprendendo a viver. Podemos concluir disso que, na verdade, ninguém sabe como viver bem plenamente. Estamos todos navegando no mesmo mar, dividindo a mesma insegura embarcação. Tendo essa visão de que somos todos marinheiros no mesmo barco, nos tornamos mais confiantes de nossa vitória. A consciência da interdependência, curiosamente nos dá mais tranquilidade para prosseguir na viagem.
                Outra questão muito importante e que também faz parte da nossa temática é a aceitação do outro como ele é. Essa aceitação é a base para tornarmos nossa existência mais produtiva e proveitosa. Quando acharmos que determinado comportamento ou modo de pensar de pessoas de nossa convivência são inadequados ou inconvenientes, não podemos nos desgastar tentando mudar o outro pela imposição de nossa vontade. As pessoas só mudam quando querem mudar, não antes. Também de nada adiantará mudá-las por fora, pois, em essência continuarão sendo as mesmas. Devemos sim tomar essas pessoas como exemplos de como não devemos ser e tentarmos através de nossa conduta ser exemplo para elas. Nas relações humanas o confronto não costuma trazer bons resultados, (claro que há exceções) até porque as pessoas costumam, quando têm muitos opositores, transformar ideias em paixões e daí para o fanatismo é um pulinho. Algumas pessoas, quando contrariadas, costumam mesmo defender ideias que nem elas acreditam, mas depois de dominadas pelo espírito de contenda, simplesmente perdem a razão e transformam opositores em inimigos, originando dessas querelas muito ódio e suas nefastas consequências. Esta lição pode ser traduzida com apenas uma palavra: tolerância.
                Prudência. Eis uma virtude que deve estar na base do modo de ser de todo aquele que deseja saber viver. A prudência é que vai nos fazer parar para pensar se o que estamos fazendo é mesmo certo e se vai produzir os efeitos que desejamos. Ela é que vai nos fazer parar para analisar as situações e só então, depois de estarmos conscientes do todas as variáveis possíveis, tomarmos nossa decisão. Aquele que se deixa guiar pela prudência, pode ter certeza de já está bem próximo do saber viver, porque tirará de cada situação o que de melhor ela tiver, aumentando assim suas possibilidades de viver melhor.
                Saber viver implica em sermos alegres. Devemos fazer todas as coisas, na medida do possível, com alegria, com gosto. Como somos espelhos do nosso próximo, quanto mais alegres estivermos, mais alegria atrairemos para nós. Aqui falamos em alegria, mas não é difícil deduzir que isso pode ser aplicado a todos os sentimentos e emoções humanos. Sendo cada um o espelho do outro, atrairemos para nós aquilo que mostrarmos para os outros. Essa é uma lei básica da vida que deve fazer parte do cabedal de conhecimento daqueles que desejam aprender a arte de saber viver. Porque será que todos os grandes mestres também nos ensinaram que é dando que se recebe?
                Saber viver é saber aproveitar cada momento da vida para aprender cada vez mais. Sendo a vida aqui na Terra passageira, não é difícil entender que, quanto melhor nos prepararmos nessa vida, melhores estaremos na próxima. Saber viver é compreender as dificuldades de nossos irmãos e, ao invés de julgá-los, condená-los e puni-los, devemos sim ajudá-los a sair de suas dificuldades, seja através de auxílio direto ou através de exemplos. Lembrando sempre que as atitudes são muito mais marcantes do que as palavras. Viver a sua verdade é, sem dúvida, um modo de ajudar ao próximo pelo exemplo.  Saber viver significa entender que o aprendizado é constante, isto é, sempre haverá alguma coisa a aprender.
                Não tivemos a pretensão de trazer a receita de como viver bem. Sabemos quão limitada é a nossa sabedoria, mas acreditamos que essas pequenas dicas de como aprender o saber viver, se forem seguidas, poderão ajudar nessa busca que é de todo ser humano. Todos nós desejamos viver bem, viver felizes na medida do possível, mas para realizarmos esse desejo precisamos saber como atingir esse objetivo. É preciso saber viver!
Somos interdependentes e nesse jogo de espelhos acabaremos descobrindo que Somos todos Um.

Muita paz e muita luz!

Victor

Mensagem psicografada em 26/02/2018