Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


Nosso e-mail: umamigalhadeluz@gmail.com

Você pode nos mandar um e-mail ou deixar sua opinião
no final de cada texto. Sua participação é muito importante!
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sábado, 25 de novembro de 2017

Salto Evolutivo - A Terra renovada


Queridos irmão de todas as crenças e de todas as religiões.
                Vivemos um momento de grande importância na história do nosso planeta. Este é um momento de transição que vem sendo anunciado por muitos há muito tempo. Astrólogos atribuem as mudanças que ocorrerão no planeta à chegada da Era de Aquário. Espiritualistas, esotéricos e outros afins dizem tratar-se de uma Nova Era da Consciência. Dizem ainda que a Terra dará um Salto Evolutivo. Encontraremos muitas outras denominações para identificar este fenômeno planetário, se procurarmos.  Mas o fato é que vamos testemunhar a transição do planeta Terra para uma nova fase evolutiva.      
                Como é costume da espiritualidade responsável pela evolução do planeta e, com o objetivo de assegurar a universalidade das informações procedentes do plano espiritual, essas notícias foram surgindo e sendo divulgadas em todos os rincões da Terra e não somente aqui no Brasil, nosso lindo país, tão maltratado pela ambição humana; tão explorado; tão espoliado pelos gananciosos que acreditam que serão mais felizes que os demais se possuírem maior quantidade de bens materiais e dinheiro.
                Em todo o mundo, estes pobres espíritos acreditam que são ou que estão em condições melhores do que os outros. Tolo engano! Na verdade, são apenas irmão que se encontram doentes. A grande maioria deles, nem imagina que fazem papel de verdadeiros zumbis nas mãos das forças contrárias à evolução. Não percebem que são apenas doadores inconscientes de energia. São submetidos rotineiramente a verdadeiras transfusões de energia para espíritos que os manipulam daqui do plano astral. Podemos afirmar que, a maioria desses homens que pisam nos outros; que oprimem os mais humildes; que destroem lares, acreditando que estão levando alguma vantagem sobre seu semelhante, não passam de doentes encarnados conduzidos por doentes desencarnados. Marionetes a serviço do mal. Em boa medida, estes homens são o objeto das transformações que ocorrerão na Terra.
                Tudo que tem acontecido aqui no Brasil, que não é uma exceção no mundo, pode ser considerado um sinal dessa mudança. Estamos nos referindo, além de todas as atrocidades que ocorrem diariamente, a esta série de escândalos envolvendo nomes importantes; nomes conhecidos; nomes de homens que deveriam guiar as pessoas e que, no entanto, estão agindo como ladrões covardes que contribuem para que o povo tenha uma vida ainda mais sacrificada. A transição planetária já se encontra em pleno andamento. Esses fatos fazem com que nós nos conscientizemos da necessidade de uma limpeza, uma depuração, ou seja, a própria humanidade está criando condições energéticas favoráveis para esta grande mudança.
                Saibam que, não se trata de fantasia de uns poucos loucos. Esta mudança já está começando em muitos lugares da Terra. Veremos a dura realidade dessa transformação, que começa a se desenhar no horizonte, para quem quiser ver, ou como dizia jesus: “para quem tem olhos de ver”. Uma grande seleção de espíritos está se processando. Desta vez não será como as outras importantes mudanças que já aconteceram - a transformação não se dará de forma lenta e gradual, pelo contrário, será bruta e abrupta.
                De tempos em tempos, a espiritualidade faz estes remanejamentos coletivos de espíritos. Contingentes de almas com características semelhantes são conduzidos compulsoriamente, ou não, para outras localidades do cosmos, onde poderão, pelas condições de vida oferecida nesses orbes, evoluírem de acordo com seus pendores, de acordo com sua vontade e de acordo com seus atos, porque a vontade pura e simples não resolve nada. É preciso que esta vontade seja acompanhada do comportamento correspondente. Nestes orbes, a vida desses irmãos pode ser mais dura do ponto de vista material ou não. Em algum desses mundos, embora possam ser considerados inferiores a Terra, a vida material é farta e eles não precisarão lutar com tanta dificuldade pela sobrevivência como fazem aqui na Terra, porém, a rigidez moral que é exigida nesses planetas é alguma coisa assustadora. Nesses lugares, as falhas morais dos indivíduos são punidas de modo exemplar. Corretivos duríssimos, que sequer podemos imaginar aqui na Terra são aplicados de modo natural. Infelizmente este é o remédio amargo que muitos de nós terrícolas precisamos para retornarmos novamente para o caminho correto. Em outros lugares a vida pode ser dura, tanto do ponto de vista material, quanto do ponto de vista moral.
                A Lei Maior permite que nós sejamos os responsáveis pela nossa própria evolução. A isso chamamos de livre arbítrio. Mas em alguns casos a demora em evoluir é lenta demais e os espíritos responsáveis pela evolução planetária são obrigados a interferir, limitando o livre arbítrio de muitos irmãos. Isso ocorre todo dia, toda hora. Porém vivemos um momento em que esta interferência está se dando de modo bastante acentuado.
                Nunca, na história da humanidade, um contingente tão grande de espíritos foi, está sendo e será remanejado num período de tempo tão curto, mas tudo tem uma primeira vez. Para que isso aconteça, infelizmente, grandes tragédias precisam ocorrer para que se realizem os desencarnes. O tempo das catástrofes anunciado pelo Mestre se aproxima rapidamente. Não devemos esperar coisas boas para os próximos dias, semanas, meses e anos. A Terra passará pelo mais terrível período de destruição de todos os tempos. E o pior de tudo isso é que, a maior parte dessas desgraças ocorrerão pela intervenção do próprio homem. Não seria exagero dizer que o apocalipse começa a se concretizar. Todas as bestas lá descritas já estão à solta. Não são monstros gigantescos como descritos na linguagem figurada dos textos bíblicos. São pequenos homens com grandes poderes que farão com que essas tragédias e esses desencarnes em massa aconteçam. Podemos fazer alguma coisa para mitigar essas desgraças? Sim, podemos. Podemos orar e pedir ao Nosso Criador que seja misericordioso e que alivie o sofrimento da humanidade.
                Ao mesmo tempo, recomendamos que, não nos apavoremos com todos esses acontecimentos, porque, em pequena proporção, isso já acontece todos os dias e bem em frente dos nossos indiferentes narizes. Muitos de nossos parente e amigos que estão deixando o corpo físico já estão sendo direcionados para outros orbes. Alguns estão sendo conduzidos para zonas de espera. Nesses lugares já vão sendo preparados, fazendo uma espécie de pré-adaptação para os novos mundos em que encarnarão. Por causa da diferença molecular dos corpos que ocuparão, precisam que seus corpos astrais sejam remodelados para tornarem-se compatíveis com a nova condição física em que nascerão. Alguns terão seus tamanhos e formas reduzidos, enquanto outros terão suas dimensões aumentadas. Alguns desses mundos são extremante rústicos e a adaptação dos humanos não será nada fácil, mas isso também faz parte do aprendizado. Todos esses irmãos que partirão para planetas “inferiores” terão alguma dificuldade de adaptação, mas isso os tornará mais habilitados para uma possível volta à Terra depois dessas experiências. Muitos desejarão ardentemente retornar ao lindo planeta que não souberam dar valor.
                Nem tudo é tragédia. Nem tudo é desgraça. Uma boa parte da humanidade será conduzida para planetas “melhores”, onde a luta pela sobrevivência física não existe. Todos têm a sua sobrevivência física assegurada pela lei, pois nesses lugares não existem divisões em grupos ou famílias como temos aqui na terra. Nestes planetas todos cuidam de todos! É a lógica dos seres que já atingiram um nível de evolução e inteligência bem superior à dos terrícolas. São lugares onde o conhecimento atemporal que foi trazido aqui na terra, entre outros mestres, por Jesus, é uma prática comum. Os habitantes desses planetas já entenderam que não podem agir de outro modo. Seria ilógico e irracional. Para eles é tão claro que, todos estarão bem somente se cada um estiver bem. Entendem que, se pelo menos um dos habitantes dessas sociedades não estiver bem os outros não se sentirão bem. Nesses planetas, a ideia de que somos UM não é mais um discurso metafísico e sim uma realidade cotidiana na vida de seus habitantes.  Os humanos que irão para esses planetas mais evoluídos, também passarão por zonas de adaptação, como preparação para a vida em corpos diferentes. Aqui, estamos falando de corpos menos densos, corpos que podem flutuar e se deslocar em grande velocidade mesmo sendo considerados corpos físicos, segundo o que entendemos por físico aqui na Terra.
                Resta falar ainda dos espíritos de outros orbes que vieram, estão vindo e ainda virão para cá. Alguns reencarnarão como missionários para ajudar a humanidade em sua nova fase. Nos ajudarão na reconstrução da Terra, principalmente em nossa reconstrução moral. Alguns estão vindo, por incrível que possa parecer, como uma espécie de admoestação, por não terem correspondido às expectativas evolutivas dos planetas em que viviam. Porém, suas mazelas não são, nem de longe comparadas com as atrocidades cometidas pelos terrícolas. Os remanejamentos não acontecem somente aqui na Terra. A evolução não é uma lei humana, é uma lei universal, por isso ela se dá o tempo todo em todos os lugares.
                A pergunta que naturalmente se faz é: como podemos nos preparar para enfrentar esse tempo de terríveis acontecimentos?
                Para evitá-los, sentimos dizer que nada poderá ser feito. Para enfrentá-los, devemos nos armar com muita fé em Nosso Criador. Aqueles que já procuram levar suas vidas dentro das leis da evolução terão muito trabalho a fazer. Devemos nos preparar, não para fugir ou evitar os acontecimentos, mas devemos sim, como espíritos voltados para o bem, nos prepararmos para auxiliar todos os irmãos que sofrerão por ocasião desses acontecimentos. Vamos ser como faróis na escuridão, para orientar esses irmãos, porque até o último momento podemos ajudar a evitar o desterro de alguns desses nossos irmãos.
                Essas notícias não muito agradáveis que trazemos, e que já não são novidade alguma para uma grande quantidade de espiritualistas, não devem ser motivo de alarme. Sabemos que a morte não existe. Que assim que deixamos o corpo físico voltamos para nossa condição primeira, ou seja, a condição de espíritos imortais. Devemos, na verdade, nos alegrar. Sim, nos alegrar, porque os desígnios do Criador estão se realizando. Toda mudança, mesmo aquelas em que acreditamos estar sendo colocados em situações dolorosas, já sabemos que se trata novas oportunidades de aprendizado. Esses acontecimentos, que já começam a surpreender a belicosa humanidade, representa melhora para o nosso planeta. Felizes serão aqueles que, aqui permanecerem após estes acontecimentos, porque poderão ver a Terra renovada; a Terra onde o respeito pela natureza será lei e hábito. A terra onde a vida, não só a vida humana, mas todas as formas de vida, terão seu valor reconhecido e, por isso respeitadas; a Terra onde o amor será a palavra de ordem para todos, mesmo para aqueles que hoje, por preconceito, consideramos diferentes. Na Terra renovada todos nós nos reconheceremos como espíritos, ou seja, como iguais, apesar das diferenças físicas.
                Não nos revoltemos e nem sejamos tomados de apreensão. Seremos testemunhas do salto evolutivo do nosso planeta, um acontecimento que só acontece de muito em muito tempo. Lembremo-nos sempre que, no nosso universo, toda destruição significa renovação. Nada se perde no nosso universo. As coisas se transformam e sempre se transformam para melhor. Portanto meus irmãos, tenhamos fé em Nosso Criador, do qual temos um pedacinho em de nós, porque na verdade, somos também, embora seja difícil entender este pensamento, coartífices de todas essas transformações que ocorrem e que sempre ocorrerão.

Que a paz e o amor de Nosso querido Mestre Jesus Cristo esteja no coração de todos vocês.

Victor.

Mensagem psicografada em 20/11/2017

domingo, 2 de abril de 2017

Traição e Vingança

         
 Nem que se passassem mil anos eu deixaria de querer a vingança que tanto mereço!
            Tínhamos toda uma vida pela frente e a maldita colocou tudo a perder. Tínhamos tudo para sermos felizes; morávamos numa maravilhosa casa de campo, nos arredores de Lyon, com um imenso gramado, jardins, bosques e pomar de árvores frutíferas entre outras belezas. Nossa casa era um pequeno castelo que lembrava os castelos medievais, com algumas partes feitas de pedras e com portas muito altas feitas de madeira da melhor qualidade.
            Tínhamos muitos empregados, camareiras e tudo o mais que uma família nobre poderia ter. Éramos ambos herdeiros de famílias ricas e de sangue nobre. Nosso casamento era a união perfeita. Éramos jovens, ricos e bem-apessoados. A união de nossas fortunas nos tornava ainda mais ricos, poderosos e invejados. Toda a província tinha inveja de nossa posição social. Quantas pessoas não dariam tudo para estar em nosso lugar... muitas com certeza!
            Tínhamos tudo para sermos felizes, bastava para isso que seguíssemos as boas normas da sociedade; que apenas cumpríssemos o que havia sido acordado no altar frente à Nosso Senhor Jesus Cristo. Em minha mente havia a certeza de que nada poderia dar errado. Seríamos um casal perfeito, principalmente porque eu a amava com todas as forças do meu coração.
            Eu sentia que havia uma desigualdade em nosso amor. Percebia que a intensidade do meu amor por ela era bem maior do que o amor que ela sentia por mim, se é que ela sentia alguma coisa parecida com este sentimento em relação à minha pessoa, mas tinha a ilusão de que, com o passar do tempo, ela acabaria me amando de modo igual. Eu faria tudo, me esforçaria ao máximo para que isso acontecesse.
            No princípio de nossa convivência tudo correu dentro da normalidade, mas com o passar do tempo fui sentindo uma cera indiferença dela em relação à minha pessoa; uma certa frieza, que se fazia presente até mesmo em nosso leito de casal. Com muita paciência fui dando tempo ao tempo para que ela se acostumasse à vida de senhora do lar. Creditava um pouco dessa insatisfação à sua juventude; ela era um pouco mais jovem do que eu.
            Eu vivia muito atarefado cuidando dos negócios da família; tínhamos muitos bens para administrar. Quando não estava trancado em meu escritório de casa em reuniões com empregados ou outros homens de negócios, estava na cidade próxima, Lyon, onde também mantinha um escritório. Era de fato um homem muito ocupado. Não tinha tempo para cuidar do meu amor; para lhe fazer agrados que a fizessem ter um sentimento mais profundo para comigo. Com o passar do tempo ela foi ficando cada vez mais indiferente, eu diria quase ausente. Nas raras vezes em que estávamos juntos, na maioria delas, eu sentia como se estivesse sozinho. Isso foi se agravando até um ponto tal que decidi mudar de vida para salvar o nosso casamento e a nossa felicidade.
            Quando tomei esta decisão estava no escritório de Lyon, encerrei o trabalho mais cedo, logo após o almoço, assim poderia chegar em casa durante a tarde e lhe comunicar o que havia decidido: trabalharia menos; ficaria mais tempo junto a ela; lhe daria mais atenção e o carinho de que era merecedora. Ao chegar em casa, um dos empregados me informou que ela não estava; havia saído para um passeio a cavalo, sendo acompanhada por outro empregado que tinha a função de protegê-la. Pedi que arreassem outro cavalo para mim. Iria lhe fazer uma surpresa. Cavalgaríamos juntos; conversaríamos; começaríamos a colocar algumas coisas de volta ao seu lugar...
            Cavalguei por uns vinte minutos e não consegui encontrá-los. Acreditando que havíamos nos desencontrado, resolvi parar à beira de um pequeno lago que havia na propriedade para descansar um pouco, observar a natureza, refletir um pouco mais sobre a minha decisão, depois voltaria para casa onde esperava encontrá-la finalmente. Ao me aproximar do lago, ouvi vozes e risos. Aproximei-me com cuidado para ver o que se passava. Encontrei a maldita e o empregado que a acompanhava em pleno coito! Estavam deitados sobre um lençol ou toalha de cor branca. (este detalhe me marcou muito, como se este branco representasse a pureza do meu amor que estava sendo maculado) Meus olhos não queriam acreditar no que viam. Por alguns segundos fiquei estático como se estivesse em estado de choque. O sujeito montou e saiu em disparada, enquanto ela, seminua, não teve sequer forças para reagir. Ali mesmo a espanquei até que seu rosto ficasse quase irreconhecível. Joguei-a no cavalo e fomos para casa, onde fui informado que o empregado que estava com ela havia fugido, levando o cavalo e o pouco que conseguiu pegar de suas coisas. Daquele dia em diante nossa vida tornou-se verdadeiro inferno. Proibi sua saída de casa; para isso coloquei homens para vigiá-la. Passei a dedicar-me mais ainda ao trabalho para não ter tempo de alimentar ainda mais o meu ódio pela traidora.
            Num dia, em que voltava para casa, já quase anoitecendo, fomos surpreendidos por alguns homens que mandaram o meu cocheiro parar, gritando que se tratava de um assalto. Um dos homens, com o rosto coberto por um lenço preto apontou a pistola para meu peito e disparou. Lembro-me das palavras que proferiu antes do disparo: morra desgraçado!
            Vaguei por algum tempo no mundo dos espíritos. Perdi a noção do tempo. Sentia-me ainda ferido, sangrando e com dores até que encontrei um sujeito que se propôs a me ajudar. Era um sujeito estranho, cuja maldade podia sentir pela sua simples presença. Me explicou que eu havia desencarnado e que tudo o que eu sentia era imaginação, reflexo das coisas que me haviam acontecido. Se eu quisesse, bastaria exercer minha vontade e tudo voltaria ao normal, ficaria bem, tão bem quanto antes de desencarnar. Depois me levou até minha casa. Já haviam passado alguns meses de meu desencarne. Lá pude ver a maldita vivendo com seu amante, que só pelo seu olhar pude perceber que se tratava do meu assassino. Foi fácil concluir que tudo foi um plano arquitetado por ele, por ela ou por ambos para darem cabo de minha pessoa e se apossarem de nossa fortuna.
            Passei a viver naquela casa. Eu e meu companheiro, que agora me servia como se fosse um bom empregado. Passamos a fazer de tudo para perturbar a paz daquela casa. Sugeríamos ao assassino que, da mesma forma que ela me traiu poderia traí-lo, e que ele deveria dar cabo dela e se apropriar de toda a sua fortuna; que ele jamais seria reconhecido como seu marido porque não tinha sangue nobre; que seria sempre um capacho apenas para lhe satisfazer as necessidades sexuais e coisas assim. Tanto infernizamos sua vida com nossas sugestões que o infeliz acabou cedendo e numa noite em que havia bebido demais resolveu matá-la; para meu prazer, esfaqueou a maldita enquanto dormia no leito que havia sido nosso.
            Assim que ela deixou o corpo físico lá estávamos para recebê-la, mas os homens que a ajudaram a desprender-se não permitiram que colocássemos as mãos nela. Depois disso passamos a procurá-la em todos os lugares possíveis; todos os lugares onde podíamos penetrar, pois existiam muitos lugares que não nos eram acessíveis. Quando não estávamos procurando por ela, permanecíamos naquela casa, assistindo sua decadência por falta de cuidados. O meu assassino acabou sendo preso e passou longos anos no cárcere, onde conseguimos atormentá-lo até levá-lo praticamente à loucura, por fim o abandonamos. Quanto a ela, até hoje não conseguimos encontrá-la. Essa busca é a motivação de meu existir; preciso dessa vingança; preciso vê-la sofrendo, pagando por sua odiosa traição!
            Algum tempo atrás, fomos encontrados e trazidos por alguns homens e mulheres que desejam me demover de meu objetivo. A algum tempo têm cuidado de mim e de meu companheiro de jornada. Eu estava parecendo um mendigo, maltrapilho, tanto eu quanto meu velho parceiro. Tratados, limpos e alimentados nos fizeram e fazem participar de reuniões onde só falam de amor e perdão. Tudo isso em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tenho pensado a respeito conforme prometi a esses benfeitores, mas cá comigo, tenho que seja impossível desistir de meu intento, pois o ódio que acumulei durante tanto tempo já faz parte de meu ser. Tenho a impressão de que é ele que impulsiona e me dá forças para continuar vivendo.
            Segundo meus benfeitores, existem razões para tudo o que me sucedeu, e que em tempo oportuno, me esclarecerão e me mostrarão justificativas que farão com que eu desista de minha merecida vingança. Estou aguardando, pois não sou um ingrato e prometi lhes dar uma chance para me convencerem, embora eu considere isso uma lamentável perda de tempo.

            Comentário de um dos espíritos que o resgataram:

            Este irmão passou por uma situação lamentável, embora comum, e por isso se deixou envolver pelo ódio e pelo desejo cego de vingança. Associou-se a outro irmão que se encontrava perdido a mais tempo que ele e passaram a viver como obsessores, tanto da ex-esposa quanto de seu assassino, comprometendo e atrasando cada vez mais suas próprias evoluções. Antes dessa, foram feitas algumas tentativas fracassadas de resgatá-los para que fossem instruídos e convencidos a desistirem dessa vingança.
            Ela já está em sua segunda encarnação depois dessa existência desastrada. Na verdade, ela não teve tanta culpa quanto ele lhe atribui, porque ela foi obrigada a se casar, sem que tivesse qualquer sentimento por ele. Era uma pessoa muito insegura e deixou-se seduzir pelo empregado da casa, de modo que está mais para vítima de que para qualquer outro adjetivo.
            Temos confiança de que, em pouco tempo, faremos com que ele mude de ideia, principalmente quando lhe mostrarmos fatos relacionados às suas encarnações anteriores, onde estavam ela, ele e o empregado que fez parte desta trama.
            O propósito de trazê-lo para se expressar faz parte de seu tratamento. É uma forma de descarregar um pouco da energia ruim que acumulou em função do sentimento de vingança. Quanto ao comparsa, também está recebendo orientação. Este, na verdade, já está quase cedendo e desejando sua reabilitação. Sente-se muito cansado, pois está há muito tempo vagando no mundo espiritual sem rumo definido.
            O fato é que, mais cedo ou mais tarde, todos eles estarão reunidos em nova reencarnação e terão oportunidade de consertar as coisas; entenderão que tudo o que se passou com eles foi simplesmente aprendizado, que teve por finalidade fazê-los evoluir e os torna-los espíritos melhores.

            Um amigo espiritual.
           
            Mensagem psicografada em 27-03-2017


         

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Difícil Vida Fácil


Ai meu Deus! Quanta dor, quanta tristeza tive na minha vida nessa Terra. Desde muito nova sofri na mão de homens inescrupulosos que só queriam me usar.
Nasci na pobreza, no Nordeste do Brasil, mais precisamente em Sergipe numa cidade do interior. Em meio à pobreza fui crescendo e percebendo que eu tinha alguma coisa que agradava e atraía os homens. De todos os meus muitos irmãos e irmãs eu era a filha mais graciosa. A miséria não conseguiu destruir a beleza que eu havia trazido desde o berço.
Quando tinha meus 12 anos, meu pai me entregou à uma família da cidade para que eu tivesse uma vida melhor. A promessa dos patrões era de que eu seria uma empregada doméstica. Ajudaria nas tarefas da casa e em troca eu teria alimentação, roupas e poderia frequentar uma escola. Tudo não passou de promessa! Eu trabalhava dia e noite naquela casa, sem horário para começar e muito menos para parar. Comia apenas os restos que sobrava da mesa dos patrões. Eles sempre diziam que, por enquanto, eu não teria tempo para estudar porque havia muito trabalho para fazer. Quem sabe um dia...
Desse modo, trabalhando feito escrava que só tinha direito a maus tratos, roupas usadas e uns trocados de vez em quando para chupar um picolé, o tempo foi passando. Quatro anos se passaram sem novidades, até aquele fatídico dia. Eu estava dormindo no meu quartinho estreito e abafado quando, de madrugada, o patrão entrou para me forçar a fazer sexo com ele. Desesperada, sem saber o que fazer, sem forças para reagir, fui sentindo aquele homem horrível me tocar até que, percebendo que ele ia levar a efeito seu intento, não me contive e comecei a gritar pedindo socorro. Ele se apavorou, começou a se recompor para poder sair do meu quartinho, me ameaçando, dizendo que aquilo não ia ficar assim. A patroa chegou no momento exato em que ele ia saindo, a tempo de perceber tudo o que estava acontecendo.
Foi uma noite tumultuada. No meu quartinho, em desespero, ouvia o casal discutindo em voz alta. Ele argumentava que eu o havia incentivado; que eu o havia chamado para o quartinho e que na última hora tinha me arrependido. Ele dizia que a amava e que aquilo nunca mais se repetiria. No final da discussão o que pude entender é que já haviam encontrado a culpada por tudo – eu!
O que fariam comigo? Imaginei mil coisas e no meu desespero resolvi fugir naquela mesma madrugada. O que me fez agir assim foi que entre as coisas que disseram em meio à discussão, uma delas e que me entregariam de volta para meu pai e que contariam tudo para ele, ou seja, contariam a ele a sua versão dos fatos. Diante da possibilidade de ser entregue a meu pai como uma vagabunda que tentou seduzir o patrão, decidi pela fuga, não conseguindo imaginar outra solução. Então, de madrugada, em silêncio e no escuro, juntei na minha velha mala, a mesma com que cheguei naquela casa, tudo aquilo que era meu, ou seja, algumas peças de roupas usadas que a patroa havia me dado ao longo da minha estada naquela casa. Sai, sem que ninguém percebesse... Me vi então, de repente só, de madrugada, na rua, sem saber para onde ir - apenas fui andando...
Parei num posto de gasolina à beira da estrada, atraída pelas luzes acesas do lugar. Lá devia haver pessoas que poderiam me ajudar de alguma forma. Todos dormiam, o posto estava fechado. Me sentei num muro baixo que lá havia e chorei. Que mais eu poderia fazer? Nesse momento um caminhoneiro que tinha parado ali para passar a noite se aproximou de mim e com um jeito muito carinhoso me perguntou o que havia acontecido. Em minha ingenuidade e meu desespero contei àquele homem tudo o que havia acontecido. Ele se mostrou indignado com a minha situação e me prometeu ajuda. Ele me levaria para a casa dos meu pais, assim eu teria a chance de contar tudo a eles antes dos ex-patrões.  O único problema é que eu teria que acompanhá-lo até determinada cidade onde ele ia entregar a carga e depois ele voltaria comigo e me entregaria de volta a meus pais. Concordei com ele e aceitei dividir a boleia do caminhão com ele. Ali começaria o inferno na minha vida. Na primeira noite ele se conteve e nada aconteceu, na segunda ele me estuprou. Assim eu perdia, aos dezesseis anos, a minha virgindade para aquele homem de caráter duvidoso.
Acabei ficando com ele mais ou menos uma semana, transando forçadamente todas as noites em troca das refeições. Já estava quase me acostumando, mas ele me largou num posto de gasolina numa cidade estranha, ainda mais longe da casa dos meus pais. Não poderia ficar comigo. Era casado.
Assim, de boleia em boleia, iniciei minha vida de puta estradeira, como passei a ser chamada. Aprendi a cobrar um pouco mais do que a refeição e quando sobrava algum dinheiro descansava em algum hotelzinho de beira de estrada.
Fiquei grávida, fiz abortos. Me transformei num verdadeiro monstro sem sentimentos, cujo objetivo na vida era apenas sobreviver da forma menos pior possível. Já contava 25 anos de idade. Foi nessa época que conheci, num forró, um rapaz muito simpático, cujo nome não desejo mencionar. Era uma pessoa sofrida; um trabalhador braçal; pedreiro de profissão. Uma pessoa muito solitária que mal sabia conversar. Aproveitei-me da minha experiência para seduzi-lo, naturalmente pensando também em levantar algum dinheiro. Fomos para sua casa. Uma casa humilde que precisava de um toque feminino. Dei a este homem uma noite como ele nunca havia sonhado. Eu senti a possibilidade de ter uma vida nova e fiz o melhor; o que de melhor havia aprendido na profissão. Deu certo. Ele pediu que eu ficasse e dormisse com ele. Na manhã seguinte não me deixou ir embora. Eu estava casada!
Combinamos que eu seria fiel a ele. Que deixaria a vida da rua; que cuidaria dele e de sua casa. Eu não o amava, mas estava disposta a fazer o tudo que fosse possível para tratá-lo bem. Levamos uma vida tranquila por alguns anos. Pobres, mas tranquilos. Ele queria ter filhos, mas eu não podia tê-los. Estava estragada por dentro, tanto pela atividade sexual constante que a profissão me exigiu quanto pelos abortos que havia feito nas piores condições possíveis. Primeiro isso, depois a bebida, em seguida ciúmes doentios. A verdade é que ele não conseguia esquecer que eu havia sido uma puta. Em sua cabeça eu poderia traí-lo a qualquer momento. Em suas crises e bebedeiras começou a me bater. Quando enfurecido me tratava como um animal peçonhento. Gritava coisas como: Uma vez puta, sempre puta! Minha vida voltou a ser o que era: um inferno.
Tal como havia feito na adolescência, numa madrugada qualquer, peguei o que pude colocar numa mala e deixei tudo para trás. Conhecia os postos onde os caminhoneiros paravam para descansar. Estava de volta à vida de puta estradeira.
De tanto desgosto e maus tratos nas mãos de homens da pior espécie, comecei a beber de vez em quando para ajudar a suportar tanta amargura na minha vida. Aos 45 anos estava envelhecida. Havia me transformado numa pessoa viciada em álcool ou qualquer outra coisa que me dessem para ficar “louca”. Minha vida agora era frequentar bares ou qualquer lugar onde houvesse qualquer coisa para beber, fumar ou cheirar. Transava agora pela bebida, pela droga e alguma coisa para comer. Depois de algum tempo estava dormindo na rua, completamente fora de mim. Passei a catar papelão ou qualquer outra coisa que pudesse vender para poder comprar alguma bebida para esquecer da vida.
Na rua haviam muitos fracassados como eu. Nos juntávamos em função de nossas desgraças. O engraçado é que nessa fase da minha vida foi o período em que conheci um pouco de solidariedade, pois os mendigos como eu, de vez em quando dividiam o pouco que conseguiam uns com os outros. Dividíamos cigarros, cachaça e qualquer coisa que tivéssemos para comer. Não chorava mais, ou melhor, chorava um choro sem lágrimas. Nos poucos momentos de sobriedade ficava imaginado o que teria feito de tão ruim para merecer aquela vida.
Numa noite em que bebemos até desmaiar lembro-me que um dos companheiros me chamava pelo nome, pois ele percebeu que eu estava desacordada e fria. Eu ouvia seu chamado que parecia vir de longe, tentava responder, mas alguém ao meu lado me dizia: não adianta responder, você não está mais lá. Foi aí que percebi que não estava mais no lugar onde havia deitado. Estava num lugar frio, úmido e escuro. Eu havia passado desta para melhor.
A mesma pessoa que me disse que não adiantava responder me pediu que a acompanhasse. Ele me levaria a um lugar melhor, onde não haveria mais sofrimentos. Em meu delírio, naquele primeiro momento imaginei que ele queria sexo, mas logo me dei conta que nem isso eu podia dar para mais ninguém. Ninguém ia querer transar com um monstro, feio e inchado.
                Ele era um socorrista do plano espiritual. Em pouco tempo eu estava num leito, sendo alimentada, sendo cuidada e tratada com respeito, como um ser humano deve ser tratado sempre. Foi um longo período até que eu conseguisse esquecer a bebida e todas as drogas que eu costumava usar para fugir de mim quando estava “viva”, mas acabei conseguindo.
Me falavam muito em Deus e Jesus, mas eu não conseguia aceitar ou acreditar na Sua bondade. Não aceitava que precisasse sofrer tudo aquilo que sofri em vida. Esse mesmo amigo que me socorreu naquele primeiro momento foi o encarregado de mostrar o porquê da minha existência tão sofrida. Ele me mostrou que numa vida passada eu havia sido uma pessoa muito rica, mas nem um pouco honesta. Tinha uma vida dupla. Era uma dama na sociedade, mas por outro lado era uma cafetina da pior espécie, responsável pelo desvio e perda de muitas mulheres pobres que me procuravam na esperança de uma vida melhor. Prometia-lhes uma vida melhor e as transformava em prostitutas. Aquelas que iam ficando feias, velhas, grávidas eu jogava na rua sem um pingo de piedade – já não me serviam mais. Isso era só uma parte das coisas absurdas que eu fazia.
Com o passar do tempo, novas explicações e avivamento de lembranças, compreendi que o que sofri não foi, na verdade, castigo bastante para todas as maldades que fiz como a rica e perversa “dama da sociedade”.
Preparo-me agora para nova encarnação, onde continuarei meu resgate. Desta feita, serei mãe de algumas dessas meninas que tanto fiz sofrer. Espero que Deus me dê forças para poder apagar através da compensação pelo menos um pouco das manchas do meu passado.
Tudo o que passei mostra somente que existe uma justiça pairando acima de todos nós. Por isso aconselho a todos que pensem bem antes de provocarem o sofrimento de outras pessoas, porque mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, nós temos que pagar o preço. É como dizia Jesus: “Digo-te que dali não sairás enquanto não pagares até o último ceitil.”
Que Deus nos abençoe a todos e nos dê sempre a chance de podermos recompensar a todos que fizemos sofrer.

Maria


Comentário do amigo espiritual

A vida deste espírito daria um romance de 2000 páginas e ainda ficaria muita coisa de fora. Ela passou por situações de extrema humilhação e sofrimentos atrozes. Sentiu na pele tudo o que havia causado a outras pessoas. Antes de encarnar, lhe foram oferecidas condições melhores de existência na carne, onde poderia resgatar suas faltas sem que o sofrimento fosse tão intenso, mas ela, em seu orgulho não aceitou que as condições fossem tão diferentes da vida que tinha como uma pessoa rica, como também não aceitou que devesse resgatar suas faltas de um modo menos penoso como era o plano original. Em suma, tudo aquilo que ela passou não lhe foi imposto como um castigo. Foi a condição em que ela mesma se colocou. O queremos dizer é que Deus não castiga ninguém. A Lei justa que tudo governa faz com que as pessoas se coloquem nas situações em que vivem por suas próprias escolhas. Também é bom que diga: nenhum sofrimento dura para sempre.

Muita paz e muita luz.

Um espírito amigo.


Mensagem psicografada em 20/02/2017