Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

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domingo, 2 de abril de 2017

Traição e Vingança

         
 Nem que se passassem mil anos eu deixaria de querer a vingança que tanto mereço!
            Tínhamos toda uma vida pela frente e a maldita colocou tudo a perder. Tínhamos tudo para sermos felizes; morávamos numa maravilhosa casa de campo, nos arredores de Lyon, com um imenso gramado, jardins, bosques e pomar de árvores frutíferas entre outras belezas. Nossa casa era um pequeno castelo que lembrava os castelos medievais, com algumas partes feitas de pedras e com portas muito altas feitas de madeira da melhor qualidade.
            Tínhamos muitos empregados, camareiras e tudo o mais que uma família nobre poderia ter. Éramos ambos herdeiros de famílias ricas e de sangue nobre. Nosso casamento era a união perfeita. Éramos jovens, ricos e bem-apessoados. A união de nossas fortunas nos tornava ainda mais ricos, poderosos e invejados. Toda a província tinha inveja de nossa posição social. Quantas pessoas não dariam tudo para estar em nosso lugar... muitas com certeza!
            Tínhamos tudo para sermos felizes, bastava para isso que seguíssemos as boas normas da sociedade; que apenas cumpríssemos o que havia sido acordado no altar frente à Nosso Senhor Jesus Cristo. Em minha mente havia a certeza de que nada poderia dar errado. Seríamos um casal perfeito, principalmente porque eu a amava com todas as forças do meu coração.
            Eu sentia que havia uma desigualdade em nosso amor. Percebia que a intensidade do meu amor por ela era bem maior do que o amor que ela sentia por mim, se é que ela sentia alguma coisa parecida com este sentimento em relação à minha pessoa, mas tinha a ilusão de que, com o passar do tempo, ela acabaria me amando de modo igual. Eu faria tudo, me esforçaria ao máximo para que isso acontecesse.
            No princípio de nossa convivência tudo correu dentro da normalidade, mas com o passar do tempo fui sentindo uma cera indiferença dela em relação à minha pessoa; uma certa frieza, que se fazia presente até mesmo em nosso leito de casal. Com muita paciência fui dando tempo ao tempo para que ela se acostumasse à vida de senhora do lar. Creditava um pouco dessa insatisfação à sua juventude; ela era um pouco mais jovem do que eu.
            Eu vivia muito atarefado cuidando dos negócios da família; tínhamos muitos bens para administrar. Quando não estava trancado em meu escritório de casa em reuniões com empregados ou outros homens de negócios, estava na cidade próxima, Lyon, onde também mantinha um escritório. Era de fato um homem muito ocupado. Não tinha tempo para cuidar do meu amor; para lhe fazer agrados que a fizessem ter um sentimento mais profundo para comigo. Com o passar do tempo ela foi ficando cada vez mais indiferente, eu diria quase ausente. Nas raras vezes em que estávamos juntos, na maioria delas, eu sentia como se estivesse sozinho. Isso foi se agravando até um ponto tal que decidi mudar de vida para salvar o nosso casamento e a nossa felicidade.
            Quando tomei esta decisão estava no escritório de Lyon, encerrei o trabalho mais cedo, logo após o almoço, assim poderia chegar em casa durante a tarde e lhe comunicar o que havia decidido: trabalharia menos; ficaria mais tempo junto a ela; lhe daria mais atenção e o carinho de que era merecedora. Ao chegar em casa, um dos empregados me informou que ela não estava; havia saído para um passeio a cavalo, sendo acompanhada por outro empregado que tinha a função de protegê-la. Pedi que arreassem outro cavalo para mim. Iria lhe fazer uma surpresa. Cavalgaríamos juntos; conversaríamos; começaríamos a colocar algumas coisas de volta ao seu lugar...
            Cavalguei por uns vinte minutos e não consegui encontrá-los. Acreditando que havíamos nos desencontrado, resolvi parar à beira de um pequeno lago que havia na propriedade para descansar um pouco, observar a natureza, refletir um pouco mais sobre a minha decisão, depois voltaria para casa onde esperava encontrá-la finalmente. Ao me aproximar do lago, ouvi vozes e risos. Aproximei-me com cuidado para ver o que se passava. Encontrei a maldita e o empregado que a acompanhava em pleno coito! Estavam deitados sobre um lençol ou toalha de cor branca. (este detalhe me marcou muito, como se este branco representasse a pureza do meu amor que estava sendo maculado) Meus olhos não queriam acreditar no que viam. Por alguns segundos fiquei estático como se estivesse em estado de choque. O sujeito montou e saiu em disparada, enquanto ela, seminua, não teve sequer forças para reagir. Ali mesmo a espanquei até que seu rosto ficasse quase irreconhecível. Joguei-a no cavalo e fomos para casa, onde fui informado que o empregado que estava com ela havia fugido, levando o cavalo e o pouco que conseguiu pegar de suas coisas. Daquele dia em diante nossa vida tornou-se verdadeiro inferno. Proibi sua saída de casa; para isso coloquei homens para vigiá-la. Passei a dedicar-me mais ainda ao trabalho para não ter tempo de alimentar ainda mais o meu ódio pela traidora.
            Num dia, em que voltava para casa, já quase anoitecendo, fomos surpreendidos por alguns homens que mandaram o meu cocheiro parar, gritando que se tratava de um assalto. Um dos homens, com o rosto coberto por um lenço preto apontou a pistola para meu peito e disparou. Lembro-me das palavras que proferiu antes do disparo: morra desgraçado!
            Vaguei por algum tempo no mundo dos espíritos. Perdi a noção do tempo. Sentia-me ainda ferido, sangrando e com dores até que encontrei um sujeito que se propôs a me ajudar. Era um sujeito estranho, cuja maldade podia sentir pela sua simples presença. Me explicou que eu havia desencarnado e que tudo o que eu sentia era imaginação, reflexo das coisas que me haviam acontecido. Se eu quisesse, bastaria exercer minha vontade e tudo voltaria ao normal, ficaria bem, tão bem quanto antes de desencarnar. Depois me levou até minha casa. Já haviam passado alguns meses de meu desencarne. Lá pude ver a maldita vivendo com seu amante, que só pelo seu olhar pude perceber que se tratava do meu assassino. Foi fácil concluir que tudo foi um plano arquitetado por ele, por ela ou por ambos para darem cabo de minha pessoa e se apossarem de nossa fortuna.
            Passei a viver naquela casa. Eu e meu companheiro, que agora me servia como se fosse um bom empregado. Passamos a fazer de tudo para perturbar a paz daquela casa. Sugeríamos ao assassino que, da mesma forma que ela me traiu poderia traí-lo, e que ele deveria dar cabo dela e se apropriar de toda a sua fortuna; que ele jamais seria reconhecido como seu marido porque não tinha sangue nobre; que seria sempre um capacho apenas para lhe satisfazer as necessidades sexuais e coisas assim. Tanto infernizamos sua vida com nossas sugestões que o infeliz acabou cedendo e numa noite em que havia bebido demais resolveu matá-la; para meu prazer, esfaqueou a maldita enquanto dormia no leito que havia sido nosso.
            Assim que ela deixou o corpo físico lá estávamos para recebê-la, mas os homens que a ajudaram a desprender-se não permitiram que colocássemos as mãos nela. Depois disso passamos a procurá-la em todos os lugares possíveis; todos os lugares onde podíamos penetrar, pois existiam muitos lugares que não nos eram acessíveis. Quando não estávamos procurando por ela, permanecíamos naquela casa, assistindo sua decadência por falta de cuidados. O meu assassino acabou sendo preso e passou longos anos no cárcere, onde conseguimos atormentá-lo até levá-lo praticamente à loucura, por fim o abandonamos. Quanto a ela, até hoje não conseguimos encontrá-la. Essa busca é a motivação de meu existir; preciso dessa vingança; preciso vê-la sofrendo, pagando por sua odiosa traição!
            Algum tempo atrás, fomos encontrados e trazidos por alguns homens e mulheres que desejam me demover de meu objetivo. A algum tempo têm cuidado de mim e de meu companheiro de jornada. Eu estava parecendo um mendigo, maltrapilho, tanto eu quanto meu velho parceiro. Tratados, limpos e alimentados nos fizeram e fazem participar de reuniões onde só falam de amor e perdão. Tudo isso em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tenho pensado a respeito conforme prometi a esses benfeitores, mas cá comigo, tenho que seja impossível desistir de meu intento, pois o ódio que acumulei durante tanto tempo já faz parte de meu ser. Tenho a impressão de que é ele que impulsiona e me dá forças para continuar vivendo.
            Segundo meus benfeitores, existem razões para tudo o que me sucedeu, e que em tempo oportuno, me esclarecerão e me mostrarão justificativas que farão com que eu desista de minha merecida vingança. Estou aguardando, pois não sou um ingrato e prometi lhes dar uma chance para me convencerem, embora eu considere isso uma lamentável perda de tempo.

            Comentário de um dos espíritos que o resgataram:

            Este irmão passou por uma situação lamentável, embora comum, e por isso se deixou envolver pelo ódio e pelo desejo cego de vingança. Associou-se a outro irmão que se encontrava perdido a mais tempo que ele e passaram a viver como obsessores, tanto da ex-esposa quanto de seu assassino, comprometendo e atrasando cada vez mais suas próprias evoluções. Antes dessa, foram feitas algumas tentativas fracassadas de resgatá-los para que fossem instruídos e convencidos a desistirem dessa vingança.
            Ela já está em sua segunda encarnação depois dessa existência desastrada. Na verdade, ela não teve tanta culpa quanto ele lhe atribui, porque ela foi obrigada a se casar, sem que tivesse qualquer sentimento por ele. Era uma pessoa muito insegura e deixou-se seduzir pelo empregado da casa, de modo que está mais para vítima de que para qualquer outro adjetivo.
            Temos confiança de que, em pouco tempo, faremos com que ele mude de ideia, principalmente quando lhe mostrarmos fatos relacionados às suas encarnações anteriores, onde estavam ela, ele e o empregado que fez parte desta trama.
            O propósito de trazê-lo para se expressar faz parte de seu tratamento. É uma forma de descarregar um pouco da energia ruim que acumulou em função do sentimento de vingança. Quanto ao comparsa, também está recebendo orientação. Este, na verdade, já está quase cedendo e desejando sua reabilitação. Sente-se muito cansado, pois está há muito tempo vagando no mundo espiritual sem rumo definido.
            O fato é que, mais cedo ou mais tarde, todos eles estarão reunidos em nova reencarnação e terão oportunidade de consertar as coisas; entenderão que tudo o que se passou com eles foi simplesmente aprendizado, que teve por finalidade fazê-los evoluir e os torna-los espíritos melhores.

            Um amigo espiritual.
           
            Mensagem psicografada em 27-03-2017


         

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