Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Difícil Vida Fácil


Ai meu Deus! Quanta dor, quanta tristeza tive na minha vida nessa Terra. Desde muito nova sofri na mão de homens inescrupulosos que só queriam me usar.
Nasci na pobreza, no Nordeste do Brasil, mais precisamente em Sergipe numa cidade do interior. Em meio à pobreza fui crescendo e percebendo que eu tinha alguma coisa que agradava e atraía os homens. De todos os meus muitos irmãos e irmãs eu era a filha mais graciosa. A miséria não conseguiu destruir a beleza que eu havia trazido desde o berço.
Quando tinha meus 12 anos, meu pai me entregou à uma família da cidade para que eu tivesse uma vida melhor. A promessa dos patrões era de que eu seria uma empregada doméstica. Ajudaria nas tarefas da casa e em troca eu teria alimentação, roupas e poderia frequentar uma escola. Tudo não passou de promessa! Eu trabalhava dia e noite naquela casa, sem horário para começar e muito menos para parar. Comia apenas os restos que sobrava da mesa dos patrões. Eles sempre diziam que, por enquanto, eu não teria tempo para estudar porque havia muito trabalho para fazer. Quem sabe um dia...
Desse modo, trabalhando feito escrava que só tinha direito a maus tratos, roupas usadas e uns trocados de vez em quando para chupar um picolé, o tempo foi passando. Quatro anos se passaram sem novidades, até aquele fatídico dia. Eu estava dormindo no meu quartinho estreito e abafado quando, de madrugada, o patrão entrou para me forçar a fazer sexo com ele. Desesperada, sem saber o que fazer, sem forças para reagir, fui sentindo aquele homem horrível me tocar até que, percebendo que ele ia levar a efeito seu intento, não me contive e comecei a gritar pedindo socorro. Ele se apavorou, começou a se recompor para poder sair do meu quartinho, me ameaçando, dizendo que aquilo não ia ficar assim. A patroa chegou no momento exato em que ele ia saindo, a tempo de perceber tudo o que estava acontecendo.
Foi uma noite tumultuada. No meu quartinho, em desespero, ouvia o casal discutindo em voz alta. Ele argumentava que eu o havia incentivado; que eu o havia chamado para o quartinho e que na última hora tinha me arrependido. Ele dizia que a amava e que aquilo nunca mais se repetiria. No final da discussão o que pude entender é que já haviam encontrado a culpada por tudo – eu!
O que fariam comigo? Imaginei mil coisas e no meu desespero resolvi fugir naquela mesma madrugada. O que me fez agir assim foi que entre as coisas que disseram em meio à discussão, uma delas e que me entregariam de volta para meu pai e que contariam tudo para ele, ou seja, contariam a ele a sua versão dos fatos. Diante da possibilidade de ser entregue a meu pai como uma vagabunda que tentou seduzir o patrão, decidi pela fuga, não conseguindo imaginar outra solução. Então, de madrugada, em silêncio e no escuro, juntei na minha velha mala, a mesma com que cheguei naquela casa, tudo aquilo que era meu, ou seja, algumas peças de roupas usadas que a patroa havia me dado ao longo da minha estada naquela casa. Sai, sem que ninguém percebesse... Me vi então, de repente só, de madrugada, na rua, sem saber para onde ir - apenas fui andando...
Parei num posto de gasolina à beira da estrada, atraída pelas luzes acesas do lugar. Lá devia haver pessoas que poderiam me ajudar de alguma forma. Todos dormiam, o posto estava fechado. Me sentei num muro baixo que lá havia e chorei. Que mais eu poderia fazer? Nesse momento um caminhoneiro que tinha parado ali para passar a noite se aproximou de mim e com um jeito muito carinhoso me perguntou o que havia acontecido. Em minha ingenuidade e meu desespero contei àquele homem tudo o que havia acontecido. Ele se mostrou indignado com a minha situação e me prometeu ajuda. Ele me levaria para a casa dos meu pais, assim eu teria a chance de contar tudo a eles antes dos ex-patrões.  O único problema é que eu teria que acompanhá-lo até determinada cidade onde ele ia entregar a carga e depois ele voltaria comigo e me entregaria de volta a meus pais. Concordei com ele e aceitei dividir a boleia do caminhão com ele. Ali começaria o inferno na minha vida. Na primeira noite ele se conteve e nada aconteceu, na segunda ele me estuprou. Assim eu perdia, aos dezesseis anos, a minha virgindade para aquele homem de caráter duvidoso.
Acabei ficando com ele mais ou menos uma semana, transando forçadamente todas as noites em troca das refeições. Já estava quase me acostumando, mas ele me largou num posto de gasolina numa cidade estranha, ainda mais longe da casa dos meus pais. Não poderia ficar comigo. Era casado.
Assim, de boleia em boleia, iniciei minha vida de puta estradeira, como passei a ser chamada. Aprendi a cobrar um pouco mais do que a refeição e quando sobrava algum dinheiro descansava em algum hotelzinho de beira de estrada.
Fiquei grávida, fiz abortos. Me transformei num verdadeiro monstro sem sentimentos, cujo objetivo na vida era apenas sobreviver da forma menos pior possível. Já contava 25 anos de idade. Foi nessa época que conheci, num forró, um rapaz muito simpático, cujo nome não desejo mencionar. Era uma pessoa sofrida; um trabalhador braçal; pedreiro de profissão. Uma pessoa muito solitária que mal sabia conversar. Aproveitei-me da minha experiência para seduzi-lo, naturalmente pensando também em levantar algum dinheiro. Fomos para sua casa. Uma casa humilde que precisava de um toque feminino. Dei a este homem uma noite como ele nunca havia sonhado. Eu senti a possibilidade de ter uma vida nova e fiz o melhor; o que de melhor havia aprendido na profissão. Deu certo. Ele pediu que eu ficasse e dormisse com ele. Na manhã seguinte não me deixou ir embora. Eu estava casada!
Combinamos que eu seria fiel a ele. Que deixaria a vida da rua; que cuidaria dele e de sua casa. Eu não o amava, mas estava disposta a fazer o tudo que fosse possível para tratá-lo bem. Levamos uma vida tranquila por alguns anos. Pobres, mas tranquilos. Ele queria ter filhos, mas eu não podia tê-los. Estava estragada por dentro, tanto pela atividade sexual constante que a profissão me exigiu quanto pelos abortos que havia feito nas piores condições possíveis. Primeiro isso, depois a bebida, em seguida ciúmes doentios. A verdade é que ele não conseguia esquecer que eu havia sido uma puta. Em sua cabeça eu poderia traí-lo a qualquer momento. Em suas crises e bebedeiras começou a me bater. Quando enfurecido me tratava como um animal peçonhento. Gritava coisas como: Uma vez puta, sempre puta! Minha vida voltou a ser o que era: um inferno.
Tal como havia feito na adolescência, numa madrugada qualquer, peguei o que pude colocar numa mala e deixei tudo para trás. Conhecia os postos onde os caminhoneiros paravam para descansar. Estava de volta à vida de puta estradeira.
De tanto desgosto e maus tratos nas mãos de homens da pior espécie, comecei a beber de vez em quando para ajudar a suportar tanta amargura na minha vida. Aos 45 anos estava envelhecida. Havia me transformado numa pessoa viciada em álcool ou qualquer outra coisa que me dessem para ficar “louca”. Minha vida agora era frequentar bares ou qualquer lugar onde houvesse qualquer coisa para beber, fumar ou cheirar. Transava agora pela bebida, pela droga e alguma coisa para comer. Depois de algum tempo estava dormindo na rua, completamente fora de mim. Passei a catar papelão ou qualquer outra coisa que pudesse vender para poder comprar alguma bebida para esquecer da vida.
Na rua haviam muitos fracassados como eu. Nos juntávamos em função de nossas desgraças. O engraçado é que nessa fase da minha vida foi o período em que conheci um pouco de solidariedade, pois os mendigos como eu, de vez em quando dividiam o pouco que conseguiam uns com os outros. Dividíamos cigarros, cachaça e qualquer coisa que tivéssemos para comer. Não chorava mais, ou melhor, chorava um choro sem lágrimas. Nos poucos momentos de sobriedade ficava imaginado o que teria feito de tão ruim para merecer aquela vida.
Numa noite em que bebemos até desmaiar lembro-me que um dos companheiros me chamava pelo nome, pois ele percebeu que eu estava desacordada e fria. Eu ouvia seu chamado que parecia vir de longe, tentava responder, mas alguém ao meu lado me dizia: não adianta responder, você não está mais lá. Foi aí que percebi que não estava mais no lugar onde havia deitado. Estava num lugar frio, úmido e escuro. Eu havia passado desta para melhor.
A mesma pessoa que me disse que não adiantava responder me pediu que a acompanhasse. Ele me levaria a um lugar melhor, onde não haveria mais sofrimentos. Em meu delírio, naquele primeiro momento imaginei que ele queria sexo, mas logo me dei conta que nem isso eu podia dar para mais ninguém. Ninguém ia querer transar com um monstro, feio e inchado.
                Ele era um socorrista do plano espiritual. Em pouco tempo eu estava num leito, sendo alimentada, sendo cuidada e tratada com respeito, como um ser humano deve ser tratado sempre. Foi um longo período até que eu conseguisse esquecer a bebida e todas as drogas que eu costumava usar para fugir de mim quando estava “viva”, mas acabei conseguindo.
Me falavam muito em Deus e Jesus, mas eu não conseguia aceitar ou acreditar na Sua bondade. Não aceitava que precisasse sofrer tudo aquilo que sofri em vida. Esse mesmo amigo que me socorreu naquele primeiro momento foi o encarregado de mostrar o porquê da minha existência tão sofrida. Ele me mostrou que numa vida passada eu havia sido uma pessoa muito rica, mas nem um pouco honesta. Tinha uma vida dupla. Era uma dama na sociedade, mas por outro lado era uma cafetina da pior espécie, responsável pelo desvio e perda de muitas mulheres pobres que me procuravam na esperança de uma vida melhor. Prometia-lhes uma vida melhor e as transformava em prostitutas. Aquelas que iam ficando feias, velhas, grávidas eu jogava na rua sem um pingo de piedade – já não me serviam mais. Isso era só uma parte das coisas absurdas que eu fazia.
Com o passar do tempo, novas explicações e avivamento de lembranças, compreendi que o que sofri não foi, na verdade, castigo bastante para todas as maldades que fiz como a rica e perversa “dama da sociedade”.
Preparo-me agora para nova encarnação, onde continuarei meu resgate. Desta feita, serei mãe de algumas dessas meninas que tanto fiz sofrer. Espero que Deus me dê forças para poder apagar através da compensação pelo menos um pouco das manchas do meu passado.
Tudo o que passei mostra somente que existe uma justiça pairando acima de todos nós. Por isso aconselho a todos que pensem bem antes de provocarem o sofrimento de outras pessoas, porque mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, nós temos que pagar o preço. É como dizia Jesus: “Digo-te que dali não sairás enquanto não pagares até o último ceitil.”
Que Deus nos abençoe a todos e nos dê sempre a chance de podermos recompensar a todos que fizemos sofrer.

Maria


Comentário do amigo espiritual

A vida deste espírito daria um romance de 2000 páginas e ainda ficaria muita coisa de fora. Ela passou por situações de extrema humilhação e sofrimentos atrozes. Sentiu na pele tudo o que havia causado a outras pessoas. Antes de encarnar, lhe foram oferecidas condições melhores de existência na carne, onde poderia resgatar suas faltas sem que o sofrimento fosse tão intenso, mas ela, em seu orgulho não aceitou que as condições fossem tão diferentes da vida que tinha como uma pessoa rica, como também não aceitou que devesse resgatar suas faltas de um modo menos penoso como era o plano original. Em suma, tudo aquilo que ela passou não lhe foi imposto como um castigo. Foi a condição em que ela mesma se colocou. O queremos dizer é que Deus não castiga ninguém. A Lei justa que tudo governa faz com que as pessoas se coloquem nas situações em que vivem por suas próprias escolhas. Também é bom que diga: nenhum sofrimento dura para sempre.

Muita paz e muita luz.

Um espírito amigo.


Mensagem psicografada em 20/02/2017

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