Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


Nosso e-mail: umamigalhadeluz@gmail.com

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domingo, 5 de março de 2017

Tristeza no Natal

                Era o natal do ano de 1959. Estávamos nos preparando para a comemoração desta bela data, época em que comemoramos o nascimento, ou melhor dizendo, a visita do grande mestre Jesus Cristo. Sempre gostei dessa época, não somente pelo que se comemora, mas pelo espírito de paz e de solidariedade que contagia a todos nestes dias.
                 Estávamos em casa na véspera do natal, eu minha esposa e meus três filhos, fazendo nossos preparativos para esse dia tão especial. Tudo estava em ordem. A árvore já montada, os presentes comprados. Tínhamos até alguns convidados que viriam festejar conosco o abençoado natal.
                À tarde, por volta das quinze horas, minha esposa se queixou que estava com um pouco de dor de cabeça. Disse que tomaria um comprimido e iria se deitar um pouco para ver se a dor passava. Estranhei um pouco, pois não era comum que ela tivesse dores de cabeça. Acreditei tratar-se de um pouco de cansaço, pois ela, desde o dia anterior estava às voltas com os preparativos para a noite natalina, desdobrando-se para que tudo ficasse pronto a tempo. A comida; a decoração da casa; a roupa das crianças, nossas roupas. Eram muitas coisas ao mesmo tempo. Ela me pediu que, caso adormecesse, para acordá-la às dezessete horas para que ela finalizasse os pratos que seriam servidos e para que pudesse tomar as últimas providências para nossa noite natalina.
                Como combinado, às dezessete horas entrei em nosso quarto para acordá-la. Chamei-a pelo nome, falando baixinho para que ela não se assustasse. Como ela não respondeu chamei-a novamente. Nada! O quarto estava na penumbra, acendi a luz e me aproximei. Ela estava respirando, seu corpo estava quente, mas ela não despertava. Bati em seu rosto, gritei, mas nada! Ela não acordava. Estava, na verdade, desmaiada, inconsciente.
                Corri até a rua. Parei um taxi que passava naquele momento. Pedi-lhe que esperasse, porque iríamos socorrer alguém. Entrei novamente em casa, peguei-a nos braços e a carreguei até o carro. Pedi ao meu filho mais velho que cuidasse dos irmãos e qualquer problema chamasse a vizinha.
Dirigimo-nos ao pronto socorro mais próximo. Paramos em frente à porta de entrada e, desesperado, gritei por socorro. Dois enfermeiros com uma maca vieram e a recolheram para dentro do hospital. Expliquei rapidamente o que havia acontecido. Ela foi socorrida enquanto eu fiquei na recepção apresentando meus documentos, como era de praxe nestas situações, ainda mais se tratando de um hospital público - eu não era um homem de grandes posses. Mandaram-me esperar dizendo que assim que tivessem alguma notícia me informariam. A suspeita, em princípio, era que ela poderia ter tido um derrame. Essa informação me foi dada por um dos rapazes que a conduziram para dentro.
                Esperei por mais ou menos uma hora, quando o médico que a atendeu mandou me chamar. Pelo jeito do rapaz que me chamou comecei a imaginar o pior, e o pior aconteceu mesmo! O médico me disse que ela realmente tinha tido um derrame cerebral muito forte, que haviam feito tudo o que foi possível naquela situação, mas ela não reagiu. Minha esposa havia assim, falecido inesperadamente. Eu não sabia o que fazer, senti que estava prestes a desmaiar e sentei numa cadeira que havia por perto para não cair ao chão. Naquele momento eu pensava: Meu Deus! Isso não é possível! Isso não pode estar acontecendo! Aquilo não era um pesadelo, estava acontecendo sim, era a dura realidade! Por que meu Deus? E no dia de natal!!!
                Depois de alguns minutos, consegui me recompor e me dirigi para casa. Fui buscar mais alguns documentos para dar início ao processo para o sepultamento de minha esposa e falar com as crianças. Talvez tenha sido a coisa mais difícil que fiz na vida: reunir três crianças na minha frente para contar-lhes que não tinham mais uma mãe; que sua mãe havia falecido. Choramos muito. Unimo-nos na dor. Naquela união encontramos a força para superar aquele momento terrível. No dia seguinte estávamos no cemitério, nos despedindo da esposa amada e da mãe dedicada. Tínhamos que tocar nossas vidas e assim fizemos. Com a grande ajuda de minha irmã fomos tocando nossas vidas como tinha de ser.
                Com o passar do tempo fui me transformando num homem amargo. Trabalhando e me desdobrando para cuidar dos filhos. Tivemos muitos problemas, mas o pior deles era que eu não me conformava com a morte da esposa. Na bebida encontrei um pouco de consolo para minha revolta. Se já não acreditava muito em Deus antes de tudo isso, agora não acreditava nem um pouco. Achava que Deus era uma figura, um mito que a sociedade inventou para nos consolar naquelas situações que não tem remédio. Para ser mais franco, passei mesmo a combater a ideia de Deus. Como poderia haver um Deus justo e bondoso que permitia que uma esposa fiel e mãe amorosa morresse inesperadamente deixando marido e três filhos pequenos em plena noite de natal?
                Os filhos foram crescendo, estudando, trabalhando, enfim tocando suas vidas do melhor modo que podiam. Tornaram-se boas pessoas, apesar de tudo. Houve ocasiões em que eles queriam que comemorássemos o natal; que montássemos uma árvore de natal e ficássemos juntos. Argumentavam que a mãe gostaria que assim fizéssemos, mas eu não cedia. Para mim, o natal era o pior dia da minha vida. Lembro-me que em alguns desses natais fiquei sozinho em casa. Meus filhos preferiam ir para a casa de parentes ou amigos me deixando sozinho para não terem que conviver com minha amargura e revolta.
                Lá pelos meus sessenta anos conheci uma pessoa que me falou algumas coisas sobre espiritismo; que as pessoas não morriam de fato; que estavam apenas em outra dimensão da vida; e coisas desse tipo. Em princípio achei aquilo tudo besteira de gente ignorante, sonhadora e desocupada. Mas comecei a pensar: e se aquilo fosse verdade? Será que eu poderia entrar em contato com minha esposa? Conversando com esse novo amigo sobre isso, ele me falou que era possível sim, mas que ele não poderia garantir, porque isso dependia de muitos fatores, tais como merecimento, entre outros. Se eu quisesse poderia acompanhá-lo ao Centro Espírita que ele frequentava e trabalhava. Lá havia um trabalho de psicografia onde alguns desencarnados mandavam mensagens para parentes encarnados. Quem sabe eu fosse agraciado com uma mensagem? Topei e lá fomos nós.
                Fui ao Centro Espírita quatro semanas seguidas e nada! Decidi que iria somente mais uma vez. Não iria mais dar asas à imaginação. Meu amigo insistiu para que eu não desistisse, porque apesar de não ter recebido mensagem alguma eu estava aprendendo alguma coisa sobre o mundo dos espíritos. Não colega! Essa foi minha resposta, já bastava o sofrimento pelo qual passei e ainda passava com a saudade daquela mulher que dava sentido para minha vida.
                Algum tempo depois, numa tarde em que havia acabado de chegar do trabalho um fato interessante ocorreu. Estava cansado e antes de tomar meu banho me joguei numa poltrona para descansar um pouco. Acabei adormecendo e até sonhando. No sonho, minha falecida esposa aparecia tão bonita ou mais do que era no tempo que partiu, e dizia que iria mandar uma mensagem para mim. Acordei de supetão, muito assustado. Foi um sonho que parecia real. Tomei meu banho e resolvi ir ao Centro Espírita, pois era justamente o dia do trabalho de psicografia.
                Ouvimos uma palestra enquanto os médiuns psicografavam. Ao final da palestra, para minha surpresa, a pessoa que conduzia os trabalhos me chamou pelo nome. Havia uma mensagem para mim! Emocionado, me dirigi à pessoa que iria me entregar a mensagem. Não quis ler a mensagem ali. Coloquei-a no bolso e fui para casa. Lá chegando, tranquei-me naquele que foi nosso quarto para poder ler a mensagem com tranquilidade.
                A mensagem era realmente dela, não tive dúvida nenhuma. Chamava nossos filhos pelo nome e me chamava pelo apelido carinhoso que somente nós dois conhecíamos. Pedia-me para mudar de atitude com relação a Deus. Dizia que somos ignorantes demais para compreendermos os seus desígnios e para compreendermos o porquê de as coisas terem acontecido da forma como aconteceram. Pediu-me para continuar cuidando de nossos filhos, apesar deles já serem adultos e que eu deveria estudar as coisas espirituais, porque isso ia me ajudar muito.
                A partir daquele dia passei a frequentar o Centro Espírita. Estudei e me tornei um trabalhador da casa, onde tive oportunidade de ajudar e orientar outras pessoas que como eu, tinham perdido entes queridos e estavam infelizes ou revoltados com a perda que tiveram. Aprendi que somos realmente pequenos demais para compreendermos a grandeza da divindade. Aprendi muito no convívio com os espíritos que trabalhavam naquela casa e que nos ajudavam a evoluir cada vez mais.
                Aos setenta e cinco anos de idade desencarnei de um modo muito tranquilo. Deitei-me para dormir e de repente, acreditando estar sonhando, fui recebido por M. no plano espiritual. Finalmente estávamos juntos novamente! Passei por um período não muito longo de adaptação. Pude então saber que ela esteve a maior parte do tempo junto de nós. Nos orientando e nos apoiando naqueles momentos mais críticos de nossas vidas na carne.

O Esposo.

                Hoje estamos aqui juntos, passando esta mensagem e contando nossa pequena história. Pedimos desculpas por omitirmos muitos detalhes importantes de nossas vidas, mas acreditamos que o principal foi dito. O que desejamos é mostrar que não devemos nunca duvidar da sabedoria de Deus. Devemos nos resignar e nos conscientizar de nossa ignorância, porque sabemos tão pouco dos desígnios do Criador. Tudo o que aconteceu conosco tinha uma razão de ser. O fato de nossos filhos terem sido criados sem a mãe tornou-os pessoas melhores e mais compreensíveis, de caráter mais firme. Isso só para citar uma das muitas razões. Eles precisavam, tanto quanto meu esposo, passar pelo que passaram para poder compreender muitas coisas, entre elas, as duas realidades da vida: a vida material e a vida espiritual. Tudo isso sem contar os fatores relacionados com as nossas existências passadas, pois nada escapa a lei de causa e efeito.
                Nos preparamos agora para nova jornada. Novas experiências nos aguardam. Ainda não sabemos se estaremos juntos ou não, mas de uma coisa sabemos, que mesmo não estando juntos na carne, estaremos sempre juntos em espírito e ainda vamos comemorar muitos natais na Terra.

Que Deus nos abençoe a todos.

A esposa.

Mensagem psicografada em 27-02-2017


                

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