A
vida é mesmo cheia de surpresas. Quando a gente menos espera algo acontece e
faz com que a gente mude completamente nosso modo de ver as coisas. Vejam o meu
caso, por exemplo, sempre me considerei um sujeito bom, sem grandes vícios ou
maus hábitos. Me considerava um cavalheiro, comparado com alguns caras que
conhecia e que se assemelhavam mais com os trogloditas. Sempre tive muito
respeito pelo pai, pela mãe, pelos irmãos, enfim, pelos familiares em geral.
Nunca fui um sujeito muito nervoso, nem violento, embora tenha aprendido com
meus pais que “não devemos levar
desaforo para casa’’. O que quero dizer é que não haviam razões, pelo menos
aparentes, para que minha vida tomasse o rumo que tomou.
Vamos
lá. Os fatos que vou relatar ocorreram quando eu tinha vinte e seis anos de
idade. Estava noivo de uma moça muito bonita, pela qual eu tinha verdadeira
paixão. Estávamos prestes a nos casar. Já fazíamos planos para isso.
Era
uma tarde de domingo. Resolvemos fazer um passeio num dos parques da cidade.
Andaríamos um pouco, tomaríamos sorvete, refrigerante ou algo assim. O objetivo
era mesmo ficarmos juntos e juntos à natureza nos curtirmos. Colocar em prática
o nosso sentimento. Trazer para o físico aquilo que já existia em nossa alma –
amor.
Tudo
corria bem. Caminhamos, brincamos e até cantamos. Envolvidos nessa alegria
paramos à sombra de uma árvore para descansarmos um pouco. Enquanto ali
estávamos, num dado momento, três rapazes passaram muito próximos da gente, nos
olharam e fizeram gestos que no meu entendimento traduzi como se eles tivessem
falando alguma coisa sobre nós, ou seja, na linguagem comum, estavam tirando um sarro da gente. Achei aquilo
muito desrespeitoso e perguntei para eles o que estava acontecendo. Qual era a
graça? Eles desconversaram e falaram que não era da gente que estavam falando,
mas diziam isso num tom sarcástico e desrespeitoso. Diziam que tinham mais o
que fazer do que ficar observando casalzinhos
ou coisas desse tipo. Acabamos discutindo feio. Eu não tinha medo de
enfrentá-los e até cheguei a desafiá-los, afinal
eu não levava desaforo para casa. Depois uma longa troca de elogios que deixavam minha noiva cada
vez mais nervosa e amedrontada, decidi ou decidimos sair daquele local e deixamos
os rapazes falando sozinhos. Enquanto
nos afastávamos podíamos ainda ouvir os xingamentos: Bunda mole! Covarde! E
outros nomes que não vale a pena mencionar. Minha vontade era voltar e esmurrar
todos eles.
Já
distantes daquele local, sentamos num banco para nos acalmar. Já não mais
ouvíamos ou víamos os rapazes. Procurei acalmá-la, no que não fui muito
bem-sucedido. O passeio estava estragado! Mesmo assim pedi-lhe que esquecesse
aquele incidente desagradável e que procurássemos ficar tranquilos. Eu dizia
que devíamos aproveitar a linda tarde de domingo. Não devíamos deixar que
pessoas como aquelas estragassem nosso dia e nosso passeio. Bem ou mal,
acabamos ficando até a hora do pôr-do-sol, quando então resolver voltar para
nossas casas. Procurávamos disfarçar, mas a verdade é que ainda estávamos
chateados por tudo que havia acontecido.
Nos
dirigimos para o local onde nosso carro estava estacionado. Tinha deixado o
carro mais ou menos a dois quilômetros do local onde estávamos. Enquanto
caminhávamos não percebemos, mas estávamos sendo seguidos. Quando já estávamos
perto do nosso carro fomos cercados pelos três rapazes que desta vez não
queriam apenas me xingar. Nos seguiram com a intenção de me agredir, me dar uma
surra ou coisa pior.
Quando
me vi naquela situação, me preocupei com a minha noiva. Pedi-lhe que entrasse
no carro rapidamente para que não corresse riscos. Relutante ela obedeceu, e
quando mal havia entrado no carro eu já sentia as pancadas que pareciam vir de
todos os lados. Lembro-me que consegui desferir alguns golpes para me defender,
mas eram três contra um e apanhei bastante até o momento em que levei uma forte
pancada na cabeça que me fez cair, seguida por um momento de escuridão que nem
sei quanto tempo durou. Depois disso entrei num período em achava que estava
sonhando. Lembrava daqueles últimos acontecimentos como algo distante como se
fosse um sonho mesmo.
Despertei na
cama de um hospital com uma simpática enfermeira de olhar terno ao meu lado me
perguntando se estava tudo bem; se me sentia bem e do que eu me lembrava.
Demorei um pouco para me reestruturar psiquicamente. Alguns minutos depois eu
já me lembrava do passeio, da noiva, do espancamento e deduzi que a surra tinha
sido tão grande que eu tinha ido parar no hospital. Achei estranho aquele
hospital...o quarto era todo branco com alguns quadros nas paredes
representando flores ou belas paisagens, mas não tinha nenhum daqueles
aparelhos que costumamos ver nos quartos dos hospitais. Sabia, não sei como que
estava num hospital, mas não imaginava que hospital poderia ser. Sentia muita
paz. Sentia que estava bem e não sentia nenhuma vontade de sair dali. Logo a
enfermeira me disse que eu tinha sofrido vários traumas e que o Dr. Viria me
explicar o que de fato havia acontecido comigo. Perguntei a ela o nome do
hospital, mas ela me disse que não devia me preocupar com isso. Novamente
adormeci e quando despertei lá estava o Dr. Carlos que me explicou o que de
fato havia acontecido. Por causa das pancadas recebidas na cabeça sofri
traumatismo craniano e não resisti, ou seja, havia desencarnado. Mesmo com todo
o jeito carinhoso que ele me expôs a situação entrei em pânico e comecei a
gritar desesperadamente que aquilo tudo era loucura. Tentei me levantar para
sair correndo daquele lugar que naquele momento para mim era um hospício, mas o Dr. Carlos me fazia
permanecer deitado apenas com a imposição de suas mãos próximas ao meu corpo.
Com
o passar dos dias fui me conscientizando da minha verdadeira situação – estava
no mundo dos espíritos! Logo pude sair do quarto, passear nos jardins do
hospital, participar de algumas palestras e reuniões onde pude compreender tudo
o que estava acontecendo comigo. Recebi
tratamento energético, através do qual pude recobrar boa parte da minha memória
integral e me inteirar das minhas últimas encarnações o que me fez compreender
o porquê daquele desencarne aparentemente sem sentido.
Não
faz muito tempo que estas coisas aconteceram. Na verdade, ainda estou um pouco
abalado com toda essa situação. Sinto saudades de todos que inesperadamente deixei
sem sequer me despedir. Os amigos me
disseram que seria bom escrever esta mensagem para desabafar um pouco, para ter
contato com as energias mais densas pela proximidade com a crosta e para
mostrar a que lição eu tirei desse evento e que pode ser útil para quem quer
que venha ler esta mensagem.
Bem meus amigos,
o que posso dizer é que tudo isso foi muito inesperado para mim e que tive um
desencarne precoce e que poderia ter sido facilmente evitado. Foi numa fração
de segundos que fiz com que toda esta sequência de eventos fosse desencadeada.
No momento em que olhei para os três rapazes e achei que eles estivessem tirando sarro de nós, coloquei nossas
encarnações em risco. Eu poderia simplesmente ter ignorado aqueles gestos;
poderia ter me retirado daquele local como mandaria o bom senso; poderia ter
pensado que aquelas pessoas fossem perigosas ou coisa assim. Enfim, poderia ter
pensado em nossa segurança, mas aquele velho ensinamento de família de que não devemos levar desaforo para casa
falou mais alto e me fez desencadear todos esses acontecimentos. Então meus
amigos, se aprendi alguma coisa com isso foi que a vida na matéria é uma
experiência importante demais para arriscarmos toda ela numa fração de
segundos; por uma impressão certa ou errada que possamos ter. A ironia de tudo
isso é que ainda não sei e talvez jamais venha a saber se aqueles rapazes
estavam ou não, tirando sarro da
gente.
Se
algo assim vier a acontecer com algum de vocês, por favor não sejam tão
imaturos e inconsequentes como eu fui. Parem para pensar nos riscos que a situação
oferece. Não arrisquem toda uma encarnação apenas para não passar por covardes
ou medrosos. A experiência na carne está cima de todas essas coisas. O presente
divino da encarnação é maior que qualquer desaforo
que levemos para casa. Se algo assim acontecer e alguém lhe perguntar se
está trazendo desaforo para casa, espero que você responda, seja para seu pai,
sua mãe ou que quer que seja, que não está trazendo desaforo e sim que está
trazendo sua vida em segurança para as pessoas que você ama...
Jovem desencarnado
Comentário do amigo espiritual:
Existem, é claro, por trás do
desencarne deste espírito, fatos relacionados ao seu passado em outras encarnações
e que contribuíram para este desfecho encarnatório que não foram mencionados
pelo jovem que escreveu estas palavras, mas achamos que ele poderia nos passar uma
lição importante. Ele, com sua simplicidade, nos ensina a compreender que às
vezes podemos estar colocando tantas coisas em risco por medo de parecermos
fracos. Meu Deus! Nós somos fracos mesmo! Porque o medo de parecermos o que
realmente somos? Pensemos bem sobre isso para não termos que um dia desses
estar aqui no plano espiritual descrevendo uma situação que poderia ter sido
evitada apenas com um pouquinho de prudência e tolerância.
Muita paz e muita luz! Que Deus
abençoe a todos nós!
Um espírito amigo.
Mensagem psicografada em
13/02/2017
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