Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


Nosso e-mail: umamigalhadeluz@gmail.com

Você pode nos mandar um e-mail ou deixar sua opinião
no final de cada texto. Sua participação é muito importante!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

NECESSIDADE E MERECIMENTO - UM MODO DIFERENTE DE VER





NECESSIDADE E MERECIMENTO

                Fazer a distinção entre estes dois conceitos é um tema que merece consideração. É muito comum, no meio espírita ou espiritualista ver as pessoas confundindo estes dois conceitos, ou misturando-os, tomando um pelo outro ou mesmo fundindo-os em um só. A verdade é que são coisas muito distintas e se aplicam a diferentes situações.
                Merecimento é aquilo que podemos considerar como algo que deve me pertencer; algo a que tenho direito; algo a que fiz jus. Entendemos o merecimento como o direito a recompensas por uma tarefa que tenhamos executado bem; por um comportamento adequado;  por um simples modo de pensar que acreditamos correto e oportuno. Acreditamos que merecemos alguma coisa até mesmo por calarmos no momento certo. Acreditamos que merecemos recompensas até por termos deixado fazer alguma coisa. Como assim? Isso acontece no caso de algo que poderia ser nosso, mas abrimos mão para que outro o conquiste, por entendermos que tal pessoa precisava mais daquilo do que nós. Em resumo, podemos dizer que merecimento é algo que a justiça divina leva em consideração para a distribuição das “recompensas”. Numa visão ingênua, merecimento é isso mesmo, mas precisamos alargar nossa visão e entender que não se trata simplesmente de uma busca de prêmios; não se trata de um jogo. O merecimento é parte de uma lei maior que rege todos os mundos e diz respeito diretamente ao modo como nosso Criador, através de suas leis, rege este infinito universo. Podemos dizer que este conceito é relativo somente ao ser humano, espírito encarnado, ou aos seres que possuem consciência. Certamente não poderá ser aplicado ou pensado em relação a seres irracionais ou seres inanimados. Não queremos dizer que esses seres também não estejam sob as leis do Criador. É que o merecimento está relacionado somente àqueles que sabem de si, aqueles que sabem distinguir o que é bom do que é ruim. O que é progresso do que atraso.
                Já a necessidade refere-se a algo que é indispensável para nós, ou seja, algo que sem ele não podemos passar; algo que impreterivelmente deve acontecer. A necessidade faz parte de nosso processo de evolução, tal como o alimento é imprescindível para aquele que sente fome ou como a água é imprescindível para quem tem sede. Ao contrário do merecimento que aplicamos às coisas boas, o conceito de necessidade pode ser aplicado tanto a coisas boas quanto a coisas ruins. Que fique claro uma coisa; usamos estes termos, “bom” e “ruim” mais por uma questão didática do que por qualquer outro motivo, pois para nós, não existe nada que seja ruim, trata-se apenas de posição em relação à polaridade. Não existe nada na criação que não tenha sido feito para evoluir e melhorar sempre. Infelizmente, para nós, espíritos em evolução, ainda é difícil entendermos alguns fenômenos, tais como as doenças, os abusos sexuais e a violência como coisas boas, porque não temos consciência plena e não sabemos de tudo o que está por trás dessas coisas. Nossa visão é temporal se restringe ao presente. Nós só conseguimos ver a aparência, não conseguimos ver a essência desses eventos. Tenham certeza de que Deus em sua infinita bondade e sabedoria, tal como acontece com pessoas que sofrem acidentes ou sentem uma dor muito intensa e que têm o cérebro desligado por um dispositivo natural, faz com que todas as pessoas que sofrem estas barbaridades (pessoas que às vezes estão crianças) também sejam dotadas de um dispositivo natural que as livra do sofrimento que chamamos de insuportável. Mas voltemos ao conceito de que estávamos falando. Podem argumentar que o merecimento também pode ter um lado ruim ou negativo, por exemplo, no caso de pessoas que cometem crimes terríveis. Diriam que estas pessoas merecem determinada punição até por uma questão de justiça. Essa pequena confusão se dá porque entendemos que neste caso, o que estão chamando de merecimento deveria ser chamado de necessidade. Nós diríamos que este criminoso necessita de uma lição que pode vir em forma de punição, ou seja, deixa de ser merecimento e passa a ser uma necessidade. Confuso? Podemos esclarecer um pouco mais. O que queremos dizer é que uma coisa merecida quando passa para o lado negativo pode ser entendida como uma necessidade. Por questão de didática adotamos este modo de interpretar o conceito de merecimento apenas para coisas boas e o de necessidade para ambas as coisas, boas ou ruins. Este modo de ver facilita o entendimento destes dois conceitos.
                Quando elevamos nosso pensamento ao Criador, independente do nome que usemos para designá-Lo, na maioria das vezes, o fazemos para pedir. Claro, muitos elevam seu pensamento para agradecer, mas na maioria das vezes o petitório prevalece. Nessas orações costumamos pedir as mais diversas coisas, seja saúde, seja dinheiro, seja emprego, seja amor de alguém, enfim a lista é imensa. O que não fazemos é perguntar para nós mesmos o seguinte: será que realmente preciso do que estou pedindo? Será que eu mereço aquilo que estou pedindo? Não vamos entrar aqui, até por uma questão de tempo, no campo dos exemplos, pois sabemos que costumamos pedir as coisas mais absurdas. O que queremos deixar marcado é que não levamos em consideração, quando vamos ‘’falar’’ com Deus, nossa necessidade e nosso merecimento.
                Nossa sugestão é que tentemos responder a essas duas perguntas ante de nos dirigirmos aos nossos protetores, santos, deuses, etc. Pode ser que nos surpreendamos com a resposta que vamos dar a nós mesmos. Veremos que, com poucas exceções, na maioria das vezes não necessitamos daquilo que estamos pedindo (o que temos dificuldade de entender é que em alguns casos o que necessitamos é justamente a falta de alguma coisa, para aprendermos o seu verdadeiro valor). E com mais surpresa veremos que não merecemos aquilo que estamos pedindo, quando não exigindo (por exemplo, pessoas que pedem para receberem um salário melhor sem se preocuparem em trabalhar um pouco mais ou estudar para se tornarem melhores profissionais). Infelizmente isso é um fato - pedimos muito e merecemos pouco.
                Que podemos fazer a respeito disso? Devemos parar de pedir? Devemos nos considerar seres miseráveis que não merecem atenção do Criador? Não, não e não! O que devemos fazer é entender essa relação entre merecimento e necessidade e como tudo em nossa vida, buscar o equilíbrio entre esses dois conceitos para não pedirmos o que não merecemos e nem aquilo de que não necessitamos. Fica a impressão de que não adianta orar, não é mesmo? Mas adianta sim, e por várias razões, sendo a primeira delas porque é através da oração que nos conectamos com a divindade. Pela oração, por alguns instantes conseguimos nos libertar da materialidade do mundo físico, percebemos sua transitoriedade e sentimos que pertencemos a algo muito maior. Pela oração, e pedindo aquilo que merecemos ou que de fato necessitamos, podemos ter certeza de que seremos atendidos. Jesus dizia que o Pai sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos. É assim mesmo que funciona a Lei Divina. O que temos dificuldade em perceber é que quando pedimos alguma coisa a Deus, em muitos casos, Ele já nos deu aquilo a que tínhamos direito e se ainda não nos deu com certeza nos dará no momento oportuno. Nem sempre o que pedimos é o que merecemos, mas o que recebemos sempre é o que necessitamos.
                Desejamos, ao propor esta reflexão, que sejamos mais coerentes em nossos pedidos, que sejamos mais comedidos em nossos desejos. O mundo moderno nos ilude e nos faz acreditar que precisamos de muitas coisas. O homem dos dias atuais inventou necessidades que não são reais. Isso faz com que com que nós nos achemos merecedores de muitas coisas. Acreditamos que temos muitos direitos e acabamos esquecendo que também temos muitos deveres. Isso é algo que também precisa ser colocado na balança do bom senso. Uma boa solução para isso é buscar a espiritualização, procurando viver como um espírito que temporariamente ocupa um corpo que logo se desintegrará pelas leis naturais. Corpo este que não precisa de tantos acessórios quanto pensamos, porque seu prazo de validade já está determinado. O homem espiritualizado já não se martiriza quando não consegue possuir as coisas que deseja. Fica feliz com o pouco que tem e continua buscando a melhora sem que isso lhe transforme num ser cuja obsessão é acumular riquezas materiais, se é que há alguma riqueza na matéria. Não queremos dizer com isso que devemos nos tornar criaturas acomodadas que não buscam a melhoria material. Estamos imersos na matéria e precisamos sobreviver na matéria, e devemos fazer isso da melhor forma possível. Só alertamos a todos para que não façam disso a razão de suas existências. Muitos irmãos, com o argumento de que Deus quer que tenhamos uma vida confortável, acabam se tornando pessoas ávidas por bens materiais, tornando-se tão gananciosas e desequilibradas que não conseguem nem desfrutar desses bens pelos quais sacrificam toda encarnação. Nunca é demais repetir que não levaremos nada de material quando nos libertarmos do corpo físico, portanto não é sábio sacrificar nossa existência em busca da riqueza material. Procuremos desenvolver em nós os valores do espírito, cuja marca maior é o amor pelo próximo.
                Entre merecimento e necessidade a palavra chave é equilíbrio. Quando encontrarmos esse equilíbrio estaremos mais próximos do objetivo pelo qual estamos encarnados. Estamos aqui para nos tornarmos melhores do que éramos antes de encarnar. Não só em relação a esses conceitos, mas devemos buscar o equilíbrio em todas as coisas, esse é um objetivo intrínseco no conceito de encarnação.
                Não esperamos que todos concordem com nossas singelas palavras, que apenas mostram um dos muitos lados dessa questão, mas esperamos que elas possam servir de base para reflexão. O antagonismo é ferramenta de evolução. Se você não concordar com essas palavras, esperamos que elas sirvam, pelo menos, como elemento de comparação com suas próprias ideias e que, dessa síntese, surja uma ideia melhor!

                Que o nosso Criador, que a tudo provê, dê a todos sabedoria suficiente para que possamos ter aquilo que merecemos e necessitamos na justa medida.

Muita paz e muita luz!

Victor

Psicografado em fevereiro de 2018

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