Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


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Você pode nos mandar um e-mail ou deixar sua opinião
no final de cada texto. Sua participação é muito importante!

quinta-feira, 22 de março de 2018

A CULPA


                

A Culpa

                Culpa é aquela sensação desconfortável que sentimos quando acreditamos que não fizemos a coisa certa ou deixamos de fazê-la. É aquele sentimento oprimente, que parece querer nos esmagar quando nossa consciência nos acusa de termos prejudicado outra pessoa ou outras pessoas através de nossas atitudes, através de nossas escolhas. Culpa é um sentimento negativo, como se fosse uma punição que impomos a nós mesmos na esperança de que isso justifique nossos atos e depois nos faça sentir melhor, porém o que ocorre é exatamente o contrário. Além da consciência de saber que não agimos bem, ainda nos agredimos psicologicamente através desta autopunição. Tão estranho é o sentimento de culpa que não podemos sequer dividi-lo. Ele é só nosso. Invisível para os que estão à nossa volta, mas tão real para nós que o sentimos. A culpa é um fantasma que só nós podemos ver. Sendo só nosso, só a nós ele assusta. Mas, de onde vem esse sentimento tão particular? Ele é bom em algum sentido? Qual poderia ser a utilidade deste sentimento, uma vez que, enquanto espiritualistas, sabemos que nada existe sem que seja necessário?
                É bastante comum ouvirmos pessoas comentando que o sentimento de culpa não leva a nada e que, ao invés de ficarmos curtindo culpa, devemos procurar reparar o mal que fizemos ou fazer o bem que deixamos de fazer. É comum também ouvirmos a opinião de que “não fomos nós que fizemos o mundo” ou ainda “em primeiro lugar venho eu, depois cuido dos outros”. São frases feitas que têm por objetivo tirar de nós toda a responsabilidade pelas coisas que acontecem no mundo, incluindo aquelas que ajudamos a construir. Se o meu próximo sofre, o problema é dele! Se sofre é porque merece! Acreditamos que são opiniões válidas, porém, precisam ser melhor pensadas. De um ponto de vista psicológico materialista, num contexto de uma vida material única, podemos dizer que este seria o modo de pensar mais lógico, porque num contexto assim, o mais lógico seria viver da melhor forma possível, não importando a quem prejudicamos ou deixamos de ajudar. Numa realidade vista deste ângulo, é óbvio que sejamos nossa maior prioridade.
                O problema ganha contornos diferentes quando nos colocamos como espíritos que sobreviverão à matéria e que partirão para outra dimensão levando toda a bagagem sentimental, emocional e moral que adquirimos nesta encarnação. Sabendo também que o que somos hoje já é o fruto de nossas experiências reencarnatórias passadas, as coisas se complicam mais ainda. Se admitirmos isso como verdade, seremos obrigados a rever este conceito de culpa dentro desta realidade mais abrangente. Se tudo o que fazemos aqui vai repercutir em nossa condição espiritual e em nossas próximas reencarnações, então vamos ter que repensar alguns conceitos, dentre os quais a culpa se destaca como sendo de suma importância.
                Esse sentimento que nos coloca numa situação desconfortável e que se confunde, de certo modo, com aquilo que chamamos de consciência, tem um lado positivo sim. Tem um lado que, se for bem entendido, pode nos ajudar a viver de uma forma mais plena e mais de acordo com os princípios evolutivos que fazem parte de nossa existência como espíritos imortais temporariamente encarnados. Podemos entender a culpa como um aviso de que fizemos alguma escolha errada. Muitos discordarão dessa opinião que, nem queremos chamar de tese, para não gerar polêmica, uma vez que, o que desejamos é fazer as pessoas refletirem e não provocar discussões improfícuas. Percebam bem a palavra que usamos: um “aviso”. Se entendermos a culpa deste modo, significa que ela não deve ser entendida como uma coisa que deva durar e nos fazer sofrer. Se entendida assim, ela deve ser encarada como um chamado para a reflexão, que num primeiro momento, dará a impressão de autopunição, mas que funcionará como o ponto de partida para a reversão da atitude, comportamento ou pensamento que a desencadeou. Vejam que, o que propomos não é o oito e nem o oitenta. Buscamos algo que esteja no meio do caminho, ou seja, nem frieza e irresponsabilidade total e nem uma culpabilidade autodestrutiva. Se nos sentimos culpados é porque consideramos que não agimos de acordo com nossa verdade interior. Isso é um fato que devemos considerar. Não podemos ser como os psicopatas que não se importam com outros e não sentem culpa ou remorsos por quaisquer atos que praticam. Se adentrarmos por este caminho e entendermos a culpa somente como algo que não deve fazer parte de nossa vida - tal como aqueles que pensam que o que está feito está feito, e que não devemos sofrer por coisas que não têm como voltar atrás – nos tornaremos pessoas insensíveis que em nada contribuem para a construção de um mundo melhor. Cremos que agindo assim, nos aproximamos dos animais irracionais que agem de modo instintivo visando tão somente a sua sobrevivência. Somos mais do que animais instintivos; somos carne, mas também somos espírito; somos matéria, mas também somos essência. Já entendemos que o outro é tão importante para nós como nós mesmos somos. O ser humano, espírito encarnado, já sabe que é no outro que vê a si próprio. Simplesmente não podemos ignorar o outro. Esse sentimento de culpa, que nos assalta de vez em quando, serve também para nos lembrar de que já ultrapassamos esta, que pode ser entendida como a fase mais egoísta de nossa existência.
                Não queremos dizer que devemos viver a vida do outro, negligenciando a nossa própria vida. Jesus resumiu todo o seu ensinamento na frase “ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Podemos, na análise desta máxima do Cristo, auferir algumas lições interessantes que tem muito a ver com o nosso tema. Quando Ele diz que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, fica patente que nós e o outro estamos em igualdade de importância na escala de valores apregoada por Ele. É muito natural que eu me sinta culpado quando prejudique o meu próximo, até porque eu estou prejudicando a mim mesmo e o sentimento de culpa é a consequência moral do meu ato impensado ou não. Por que não aproveitarmos esse “aviso” para refletirmos sobre nossos atos futuros? Os espiritualistas, pelo menos boa parte deles, entende que fazemos parte da divindade. Carregamos em nós aquilo que muitos chamam de “a centelha divina”, ou seja, um pedacinho do Criador dentro de nós. Essa ideia pode ser resumida na expressão “somos todos um”. Partindo dessa idéia, fica mais fácil compreender a primeira parte da máxima cristã que ora analisamos e que diz “ama a Deus sobre todas coisas”. Ora, se somos todos um e se fazemos parte da divindade, então só podemos concluir que somos a própria divindade. Deus está em nós e nós estamos em Deus. Amar a Deus é amar ao homem; é amar ao próximo como a si mesmo! Ao prejudicarmos o próximo estamos prejudicando a Deus. Cremos que isso seja razão suficiente para justificar o sentimento de culpa.
                Bem, agora resta-nos mostrar que não estamos defendendo o sentimento de culpa. Somente queremos dizer que ele não é algo totalmente inútil e desnecessário. Ele existe e é poderoso, mas deve ser compreendido como mais uma das ferramentas que o Criador colocou em nossas mãos para nos ajudar em nossa evolução. Vamos entendê-lo como aquele farol que se acende mostrando a beira do abismo, e não como um castigo que nos foi imposto e que devemos sofrer para purgar nossos ‘’pecados’’. Na justiça divina, a moeda com a qual pagamos nossos débitos é o amor e não o sofrimento. O sofrimento é sempre o aviso de que temos contas a acertar. Assim é que devemos entender o sentimento de culpa. Não Poderemos reparar o dano que causamos a alguém através da culpa. Viver anos a fio sentindo culpa não vai fazer com que o nosso erro seja reparado e o nosso irmão seja recompensado. Quando o Mestre Jesus nos diz que devemos pagar o mal com o bem, Ele nos dá uma chave para entendermos, entre outras coisas, a questão da culpa. Se fizermos mal para alguém, só poderemos reparar este mal fazendo o bem para esta pessoa a quem prejudicamos. Certamente não será nos contorcendo de culpa e remorsos que o faremos.
                Quando os ‘’materialistas da vida única’’ dizem que não devemos nos sentir culpados e que a culpa não leva a nada, tais pessoas também têm sua razão, porque a culpa não repara o erro cometido e a pessoa que se deixa corroer pelo remorso só aumenta o problema, fazendo de si mesma uma extensão do problema anteriormente criado que trouxe prejuízo à alguém. O que sugerimos é que não vejamos a questão somente deste ponto de vista. Há mais coisas envolvidas num sentimento de culpa do que costumamos observar. A culpa, que surgiu na humanidade em função de seus sentimentos ambivalentes, pode ser aproveitada no sentido que preconizamos: como um alerta para mudarmos as coisas para melhor. Não deve ser usada como autopunição, porque só podemos compensar aquele a quem prejudicamos pelo bem que fizermos a ele, seja nesta ou em outra encarnação. Em muitos casos, nossos erros não podem ser reparados pelo fato da pessoa prejudicada não estar mais entre os encarnados. Mesmo assim não devemos nos deixar dominar pela culpa e ficar paralisados. Lembremo-nos sempre de que “somos todos um”. O bem que faço ao próximo, faço a qualquer um, faço a mim mesmo e faço a Deus!

Num mundo como o nosso, infelizmente a culpa ainda é necessária!

Muita paz e muita luz!

Victor.

Mensagem psicografada em fevereiro/2018


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