RECOMEÇOS
Estamos
no início de um novo ano. Um ano que começa e que nos presenteia com a
oportunidade de um recomeço. Sim, porque o que começa é o período de tempo que
denominamos ano. Quanto a nós, espíritos imortais, só temos um começo e depois
dele só teremos recomeços.
Queridos
irmãos queremos falar hoje a respeito de recomeços. Como a própria palavra
sugere, trata-se de começos depois do um começo. Tudo na vida; tudo na
natureza; tudo na criação segue este padrão, desde os seres microscópios até o
mais brilhante dos astros celestes. Tudo que começou está sempre recomeçando.
Assim se cumpre a finalidade estabelecida pelo Criador, ou seja, tudo deve
progredir; tudo deve evoluir para se tornar cada vez melhor. Tal é a lei do
Criador: evolução constante e ininterrupta.
É
reconfortante saber que podemos recomeçar sempre, não é verdade? Saber que
podemos errar quantas vezes forem necessárias até que aprendamos a discernir o
que nos faz melhores daquilo que nos é prejudicial. Isso mostra a bondade, a
misericórdia e a sabedoria do nosso Criador, que nos permite consertar os
próprios erros; que nos permite reconstruir nossos mundos interiores e sermos
os artífices de nosso próprio crescimento. Mas é de se perguntar: não haverá um
limite para os erros? Será que não corremos o risco de ficar eternamente
estagnados, cometendo os mesmos deslizes e permanecermos nessa condição por
muito tempo? Sim, claro que podemos, mas necessariamente não chegaremos à essa
condição. Quando cometemos o mesmo erro por muito tempo, nós acabamos por nos
cansar e começamos a buscar soluções diferentes para as nossas necessidades
evolutivas. A natureza do espírito é o movimento em direção ao Criador. Temos,
intrinsecamente em nós, essa força dinâmica, que nos impulsiona em direção à
Fonte Primeira, portanto, não é razoável que nos preocupemos com a
possibilidade da estagnação eterna. Existem também os obstáculos...
Em
nosso momento evolutivo já temos condições de percebermos quando estamos
estagnados, e isso nos impulsiona para os recomeços. É uma necessidade interior
que, na maioria das vezes nem percebemos, mas que nos lança em novos
empreendimentos, parecendo até que a escolha nem foi nossa. Existem, é claro,
casos de espíritos mais empedernidos do que os outros, e estes, nos dão a
impressão de que não sairão do lugar tão cedo. Alguns desses irmãos passam a
vida inteira como cegos que não querem enxergar. Pisam todos os dias no mesmo
espinho e não procuram se desviar desse caminho. Para estes existe a aplicação da Lei de
Evolução. Tais irmãos acabam sendo colocados em determinadas situações, nas
quais, são obrigados a fazer escolhas que lhes darão oportunidades de
crescimento. Algumas vezes tais escolhas levam a situações muito dolorosas,
isso quando observamos a partir do nosso tacanho ponto de vista de espírito
encarnado. Infelizmente para alguns desses irmãos não há outro caminho. Se não
se desviam do caminho do atraso por vontade própria são obrigados a desviar, em
função de obstáculos que são colocados em seu caminho. O fato é que, terminam por
evoluir, pois como dissemos antes, evolução é determinação divina. Nada e
ninguém escapam dela - é lei universal. Vejamos este exemplo a seguir.
Havia
um homem que insistia em permanecer atrelado a uma determinada situação, que o
mantinha como que engessado e não permitia que ele evoluísse. Nosso amigo era
alcoólico. Ele sabia que tinha essa doença, conhecia a cura, mas não se
determinava a lutar contra ela. Ela sabia que podia vencê-la. Sabia que tinha
condições psicológicas para enfrentar o problema e vencê-lo, mas não o fazia.
Sempre adiava essa decisão e dizia para si mesmo: amanhã eu paro; segunda feira
eu paro; semana que vem eu paro e nunca começava, ou melhor, recomeçava. O
tempo foi passando, e esse irmão, já um homem de meia idade, começou a sentir
que estava demorando para tomar a decisão que mudaria sua vida. Era um homem
que tinha algum conhecimento das coisas espirituais e isso o angustiava mais
ainda, porém, mesmo assim ele continuou adiando a escolha que o levaria à
recuperação. Sentia e sabia que poderia, caso deixasse de beber, ser uma pessoa
mais útil para a sociedade. Poderia, com seu conhecimento e com novos estudos,
ajudar o próximo e agindo assim ajudar a si mesmo. Mas ele continuava adiando,
adiando...
Num
desses dias em que bebia com amigos encarnados e desencarnados também, sentiu
um pequeno desconforto abdominal acompanhado de uma leve dor de cabeça. A
princípio, não deu muita importância ao fato, achando que poderia ser um
mal-estar passageiro. Nos dias seguintes, quando bebia, sentiu a novamente tais
sintomas e estes, se tornavam cada dia mais fortes, a ponto de fazê-lo, em
algumas ocasiões, parar de beber e voltar para casa mais cedo. Decidiu então
procurar um médico para tentar descobrir o que se passava com ele. Depois de se
consultar com diversos médicos, descobriu que estava com uma doença que lhe
havia destruído o fígado. Quando foi precisamente diagnosticado, já estava com
o fígado cirrótico e que funcionava com apenas vinte por cento ou menos da
capacidade. Iniciou o tratamento, o que naturalmente o forçou a parar de beber,
mas sua condição acabou se agravando com o surgimento de um tumor no fígado já
debilitado. Isso o levou para a fila de transplantes. Depois de mais ou menos
um ano foi submetido a um transplante e recebeu um fígado de um jovem que havia
desencarnado num acidente de motocicleta. Nosso amigo não poderia mais beber,
pois teria que tomar remédios para evitar a rejeição do órgão pelo resto de sua
vida. Sem beber, sobrou tempo para se melhorar e até voltou a estudar.
Aprofundou seus conhecimentos a respeito das coisas espirituais e hoje é uma
pessoa bem mais útil, tanto para a família quanto para a sociedade. Hoje é uma
pessoa que participa voluntariamente até de trabalhos assistenciais. Nosso
irmão foi induzido a recomeçar para o seu próprio bem.
Através
deste exemplo fica mais fácil compreender o que queremos dizer com a palavra
“obstáculos”. São dificuldades que surgem para que nos desviemos do caminho
mais longo e para que não permaneçamos estagnados por muito tempo. Nessa
história verídica, podemos entender como funciona a sabedoria divina. O que,
aparentemente parece um castigo quando olhamos de um ponto de vista puramente
humano, na verdade é uma prova da misericórdia divina, que deu a este nosso
irmão mais uma chance de recomeçar.
Todos
nós deveríamos fazer, de vez em quando, uma autoavaliação, para ver se não
estamos demorando demais para tomar a decisão de mudar de direção e seguir o
caminho que nos fará sair da estagnação. O que é que estamos adiando para
começar ou recomeçar? Devemos fazer nossas escolhas antes que um “obstáculo”
seja colocado no caminho que insistimos em permanecer trilhando. Claro que
podemos, como tudo na natureza, recomeçar muitas vezes, mas certamente chegará
um momento em que teremos nossas escolhas reduzidas para poucas opções, ou
talvez, como nosso amigo da história, teremos nossas escolhas reduzidas à uma
única opção. Não esperemos pelo “obstáculo”. Mudemos já! Vamos escolher o
caminho mais adequado para nós, enquanto ainda temos muitas opções.
Sabemos
que algumas mudanças não são nada fáceis. O espírito em evolução está sujeito a
uma série de dificuldades proporcionadas pela permanência na carne. Ele é
bombardeado por desejos constantes que nem sempre podem ser satisfeitos, por
motivos de diversas ordens. Ele está sujeito a necessidades e sente a pressão
de tendências nem sempre saudáveis, seja do ponto de vista físico ou moral.
Enfim, o espírito encarnado vive numa luta constante entre o que pode e o que
convém, sendo obrigado a fazer escolhas diárias desde o primeiro minuto em que
acorda até o momento em que cerra os olhos para dormir. Reconhecemos que a vida
na matéria é um teste de resistência em que muitos fracassam, e que por isso
precisam recomeçar. Mas sabemos também que temos condições de vencer essa luta
e fazer de nossas vidas algo melhor e maior. Podemos evoluir bem mais
rapidamente, basta para isso escolher os caminhos mais adequados. Contudo,
devemos permanecer serenos e tranquilos porque podemos recomeçar muitas vezes,
só não podemos abusar dessa prerrogativa.
É
mesmo consolador, saber que quando agimos de modo inadequado, nosso Criador nos
dá oportunidade de recomeçar e fazer a coisa certa. Portanto, não devemos nos
encher de culpa pelos erros cometidos e deixar as coisas como estão. Aprendemos
justamente pelos nossos erros e nossos acertos, é assim que evoluímos. Se
tivermos consciência de que agimos mal, não percamos tempo nos sentindo
indignos e culpados. Ao contrário, arregacemos as mangas e recomecemos, procurando
não cometer os mesmos erros.
Cada encarnação é um recomeço, é uma nova chance que o
Criador nos dá para fazer a coisa certa, para fazer o melhor. Aproveitemos!
Muita paz e muita luz sempre!
Victor
Mensagem psicografada em 15/01/2018
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