O medo do escuro é mais comum do que se pensa.
Existem pessoas de todas as idades que sofrem por causa desse mal.
Esperamos que esta reflexão, que leva em conta fatores espirituais, possa ajudar de alguma maneira,
ou pelo menos mostrar possíveis caminhos para a solução do problema.
“Chega
a noite e, como toda noite, traz consigo sua escuridão, sua atmosfera sombria e
sua problemática...”
Por
que a noite traz, para alguns, tanta inquietude e até mesmo tanto medo? Porque
o medo da noite? Porque o medo do escuro?
As
respostas para isso são muito simples e ao mesmo tempo muito complicadas. Em
primeiro lugar devemos entender que, nem todas as criaturas respondem do mesmo
modo às sensações causadas pela chegada do período noturno, algumas até gostam dele.
A noite e o escuro estão associados, por causa de muitas lendas e mitos, a coisas
ruins. Toda, ou quase toda ação negativa narrada nos mitos e lendas acontece na
escuridão da noite. É no escuro que os monstros e lobisomens atacam. Essas
histórias nos acompanham desde a mais tenra idade e com o passar do tempo vão
se fixando em nossa mente de modo inconsciente, formando em nós uma imagem
negativa da noite e do escuro. Acabamos acreditando, mesmo que inconscientemente, que
é no escuro que as piores coisas podem ocorrer. Mas será que isso é mesmo
verdade? É óbvio que não. Muitas coisas boas de nossas vidas se passam no
período em que estamos no escuro. Por exemplo: quando no útero, ficamos no
escurinho esperando a hora de ver novamente a luz. É o momento de paz, de
descanso para o espírito que está para reencarnar; e ele só conseguiria esta
paz na penumbra. É de noite no escuro, ao dormirmos, que podemos, além de
descansar, deixarmos o corpo físico denso e desfrutar um pouco da liberdade do
espírito. O escuro funciona como uma espécie de aviso: é hora de descanso; é
hora de parar; é hora de reflexão!
Nossa
ignorância é que nos faz ver a noite e o escuro como possíveis inimigos. A
partir do momento em que nos tornamos conscientes de que o perigo que nos ronda
pode nos atingir, tanto no escuro quanto no claro, tudo isso deixa de fazer
sentido, ou então, deveríamos andar apavorados também de dia, mesmo com o sol a
pique.
Basta
a consciência conscientizar-se de sua própria força e de sua capacidade de
defesa contra as “forças das trevas” (reais ou imaginárias) que todo o medo da
escuridão desaparece. Conscientizar-se
da própria luz é o melhor remédio contra o medo da escuridão.
Por
que falar da escuridão? Para mostrar que, como ela, a maioria dos medos da
humanidade não passam de desconhecimento das forças de que dispomos. Como
podemos ter medo do escuro e desejar o escuro para podermos dormir. Não é curioso
pensar que, quando estamos com medo do escuro, tentamos adormecer para fugir deste
medo, porém, depois de adormecer já livres do medo, ainda continuamos no escuro?
Contraditório não?
Quando
dormimos e estamos parcialmente livres do corpo físico é um dos momentos em que
a consciência perde ou simplesmente esquece o medo e é até capaz de enfrentar o
pior dos inimigos - a si mesma.
Outra
questão interessante: Por que alguns de nós continua com medo até mesmo depois
de superada a ignorância a respeito do escuro? Uma das razões é porque temos alguns resquícios de
lembranças de vidas passadas onde as piores coisas, até por uma questão de oportunidade,
eram cometidas no escuro. Até pouco tempo atrás não haviam métodos tão sutis
como hoje de se cometer atrocidades. Precisávamos da escuridão para esconder
nossos atos desprezíveis. Os ladrões só agiam no escuro. Os crimes só eram
praticados no escuro, então, por atavismo (características herdadas dos ancestrais) , associamos nossas más lembranças de terríveis
atos cometidos ou sofridos com a escuridão. Ela é a testemunha dos nossos erros. Ela é que
arrasta, de lá do mais fundo de nosso inconsciente as impressões ruins e
negativas que sentimos em relação a nossa escuridão interior. O fato é que, o
maior inimigo que temos, somos nós mesmos, pois nem a maior escuridão exterior é pior do
que a nossa escuridão interior. Como combater o medo da escuridão? Podemos começar nos conscientizando de que ninguém pode nos ferir tanto quanto nós mesmos. É bom que se
diga que aqui, também estamos nos referindo ao medo de coisas que, por
ignorância, consideramos sobrenaturais, tais como aparições de desencarnados (reais ou imaginárias) que
se revestem de aparências não muito agradáveis, ou seja, os “fantasmas noturnos”.
Podemos ter certeza de que, mais tenebroso que um coração cheio de mágoa ou ódio
não existe nenhuma figura (real ou imaginária) que possa se comparar. Nosso medo, lá no fundo é o medo
de nós mesmos. Em parte, é o medo daquilo que praticamos outrora em encarnações passadas, e que temos de vez em quando, breve sensação de vivenciar novamente.
Para
iluminar a escuridão que temos em nós, devemos primeiro iluminar o nosso
coração e nosso espírito. Purificá-los na luz do amor. Devemos acender nosso
próprio sol. Nosso sol interior deve brilhar mais que a noite de nossa
ignorância e dos nossos sentimentos e emoções negativas.
A
partir do momento que clarearmos nosso interior, não haverá escuridão que nos
faça sentir medo, pois estaremos armados com a luz do amor, e esta, podemos ter
certeza, nem o sol em toda sua plenitude pode se igualar. Um dia, todos seremos
iluminados e iluminaremos, isso depois de percorrermos o caminho que aponto
aqui: a iluminação interior pelo
conhecimento e pelo amor. Somente esta pode acabar com o medo de qualquer
escuridão em qualquer lugar do universo. O Criador nos deu um pedacinho dele; e
nos colocou no mundo para fazê-lo brilhar; e nos deu a escuridão para
percebermos a diferença. Amemos também a escuridão, pois ela é que faz com que
outros percebam o nosso brilho. O maior fantasma que devemos combater é o
fantasma de nossa escuridão interior. Esse sim faz com que tudo se torne
escuro, dentro e fora!
Sejamos
paz e sejamos luz para podermos facilitar o caminho dos que vem depois de nós.
Sejamos nós o brilho que lhes vai mostrar o rumo para a evolução em direção ao
Todo.
Paz,
luz e amor, estas são as chaves das portas de todos os compartimentos do universo,
sejam claros ou escuros...
Um
espírito amigo
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