Vamos falar um pouco do individualismo e do egoísmo humanos,
que são causas fundamentais dos males que afligem a sociedade.
O que fazer para mudar isso?
(este texto será apresentado em 2 partes)
Grande parte dos problemas humanos origina-se no
individualismo, isto é, no modo de pensar individualista. Podemos afirmar que,
desde a briga entre vizinhos até a mais destruidora das guerras, encontramos no
fundo de tudo isso o pensamento individualista, cuja raiz é o egoísmo humano, como o ponto de partida para
estas contendas.
O pensamento individualista nos leva ao paradoxal
individualismo coletivo. Nos referimos aos grupos que se formam, quase automaticamente em torno de interesses comuns, tais como
seitas, facções etc. Isso sem falar do individualismo coletivo representado
pelos interesses comerciais, chegando até ao individualismo de rua, bairro,
cidade e assim por diante.
Por trás do individualismo encontramos o egoísmo, este
apontado por Allan Kardec no Livro dos Espíritos e outras obras de sua autoria
como um dos problemas que emperram a evolução da espécie humana. Não só Kardec,
mas grandes nomes do pensamento filosófico já afirmavam que a solução para a
maior parte dos problemas humanos passava pelo combate ao egoísmo. É muito raro
uma religião ou instituição humanitária que não tem como uma de suas metas o
combate ao egoísmo, este velho conhecido. Por que será que essa característica humana persiste até os
dias atuais? Em alguns momentos chegamos a ter a impressão de que isso até se
intensificou...
A felicidade não está na individualidade – ninguém é ou pode
ser feliz sozinho. Nós temos a necessidade do outro até para nos reconhecermos.
Só sabemos quem somos nós porque temos o outro para negar. Praticamente tudo o
que fazemos é em função do outro, mas parece que não queremos enxergar este fato. Sem o outro nossa vida não teria o menor
sentido. O filósofo alemão Edmund Russel chegou a conclusão de que a nossa
consciência não é nada sozinha, explico: ele dizia que a "consciência só é
consciência de alguma coisa". Se a consciência do homem pode ser entendida como
o “eu”, então eu só existo em função das outras coisas e dos outros seres que
me rodeiam. Parece um pouco complicado, mas não é. O queremos dizer é que
estamos inseridos no mundo como parte dele, de modo que temos que nos sentir como
pedaços do mundo. Ora, do mesmo modo que a parte não é o todo, o todo também
não é o todo sem uma de suas partes, por menor que seja esta parte. Somos humanos que
fazem parte de uma humanidade, que faz parte de um mundo, que faz parte de um
universo. Porque deveríamos nos sentir tão fortemente como individualidades
separadas do todo e que só pensam em si mesmas, mesmo sabendo que sozinhos não
somos nada? É chegada a hora de compreendermos esta realidade que, de tão simples, parece não ter tanta importância.
Será que não é chegada a hora de aprendermos a dividir para somar?
Será que não é hora de valorizarmos o prazer de amar e ser amado, de respeitar
e ser respeitado? Será que não é hora de sorrir pela boca do outro; de comer
pela boca do outro; de ter saúde pelo corpo do outro? É hora de sentirmo-nos
como se fôssemos o outro! Acreditamos que, quando assim procedermos estaremos
muito próximos da felicidade possível na Terra.
Não é nossa intenção produzirmos um texto acadêmico que prima pela erudição e pela complexidade. Queremos, antes de tudo, falar ao coração das pessoas, mostrando que, nem sempre as soluções para os grandes problemas humanos necessitam de grandes teorias científica ou fórmulas complexas. Pequenas coisas para mudar esta nossa realidade, podem ser feitas em nosso dia a dia, através atitudes simples, que quando somados a outras irão mudanças gigantescas. A tolerância para com as pequenas falhas de nossos irmãos é um bom começo. Não podemos exigir perfeição de ninguém, pois nós mesmos não somos perfeitos.
A segunda parte já foi publicada.
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