Para
onde devemos caminhar?
Esta
pergunta bastante genérica pode querer dizer muitas coisas, mas no nosso caso
particular, que escrevemos sob a luz do espiritualismo universalista, seu
sentido é bastante simples de ser apreendido. Quando fazemos esta pergunta a
resposta é: Devemos caminhar para Deus, a Origem e a Fonte da Vida. Devemos
caminhar para a comunhão com o Todo.
Há
coisas que, para serem melhor entendidas, devem ser separadas. Uma coisa é o
caminhar, outra coisa é o caminho. Este último é a senda, as referências pelas
quais devemos nos guiar. São as margens que devemos obedecer para não nos
perdermos e nos distanciarmos daquilo que já foi de antemão traçado, mesmo
antes de encarnarmos. O caminho significa também as etapas que devemos superar;
os obstáculos que devemos ultrapassar; as pedras que teremos que pisar com
nossos pés descalços. Em resumo, significa o conjunto das situações que temos
que vivenciar para podermos atingir nosso destino final. Fazendo uma analogia
simplória, podemos dizer que o caminho é a vida na matéria e o caminhar são as
atitudes e as escolhas que o espírito vai fazendo durante a sua peregrinação no
mundo material – o mundo da ilusão. O caminho é tudo aquilo que nos é oferecido
para que o espírito possa experimentar e fazer suas escolhas, para depois
avaliar se saiu-se melhor ou permaneceu na mesma condição em que se encontrava.
Para ser mais claro, o caminho são os meios e o caminhar são as decisões que
vamos tomando e que vão nos levando em direção ao nosso destino final.
Desta
singela digressão podemos inferir que o caminho está, de certo modo, em segundo
plano numa escala imaginária de valores. O caminho pode ser suave ou áspero.
Pode ser fresco e à sombra ou pode ser quente e causticante, ou seja, o caminho
pode mudar e se apresentar de várias formas, mas o caminhar não permite
mudanças – seu rumo é único, e por mais que nos desviemos do caminho nos
afastando do objetivo que precisamos alcançar, mais cedo ou mais tarde temos
que retornar e caminhar na direção certa. E mesmo que o caminho se torne mais
cheio de obstáculos e dificuldades em função dos desvios, o caminhar precisa
prosseguir, pois o destino está traçado e dele não podemos fugir. Não há opção
de voltar.
Podemos
assim dividir a evolução do espírito em dois elementos: O mundo material
representando o caminho a ser percorrido e a vida espiritual como o caminhar. O
primeiro é o mundo das formas que formam os limites para as experiências e o
segundo é o movimento do espírito em direção ao seu Criador. A ideia que
pretendemos expor aqui com essa divisão entre caminho e caminhar tem como
objetivo estabelecer para cada um o seu devido valor. O caminho representado
pela matéria é importante, claro, pois é através dele como meio e instrumento
que vivemos nossa experiência e trabalhamos para nossa evolução, mas nunca
poderemos dar a ele a mesma importância que o caminhar que é o movimento de
espírito imortal e seu destino inexorável: os braços do Criador!
Muitos
de nós, através de nossas escolhas, optamos por dar mais valor ao caminho do
que ao caminhar. Falamos aqui daqueles que se apegam à matéria e vivem como se as
coisas externas e passageiras fossem mais valiosas que as experiências do
espírito e sua ascensão para o mais alto. Nesse caso, o que acontece é que num
belo dia esta pessoa chegará ao fim do suposto caminho e perceberá que estava
num desvio e que não andou quase nada. Perceberá que se encantou com o caminho
e esqueceu de caminhar, permanecendo ainda distante de sua meta.
É
importante que estejamos atentos para esta questão. O que é mais importante, o corpo do homem ou a essência do homem? O caminho ou o caminhar que o levará ao seu destino?
Devemos caminhar conscientes da importância do caminho e de sua utilidade, mas
devemos estar também conscientes de que o destino precisa ser alcançado. O
caminho vai ficando para trás enquanto o destino está sempre à frente e é ele
que nos motiva a continuar caminhando. É bem verdade que existem caminhos
encantadores que nos iludem com sua beleza passageira, mas devemos saber que as
flores murcham, mas os espinhos permanecem.
O
caminho – a matéria é alguma coisa que existe temporariamente e que é necessária, mas é algo
que deve ser superado. Essa é a natureza do caminho: ser percorrido. A jornada
do espírito na matéria deve ser entendida como algo passageiro que deve ser
superado para que novos caminhos nos sejam oferecidos. Por isso temos que nos
acautelar com os caminhos. Não podemos parar e permanecermos estáticos, pois a
natureza do espírito é o movimento; é o caminhar para a luz.
Com
essa nossa analogia, esperamos despertar nas pessoas a ideia de que a matéria,
caminho passageiro, é algo que tem o seu valor, mas nunca poderá ser comparado
com a caminhada do espírito, cuja marca principal é imortalidade. O espírito e
sua evolução estão acima de qualquer coisa material, cuja marca principal por
sua vez é o caráter passageiro.
Vamos
caminhar, seja devagar ou depressa, lembrando sempre que temos uma meta à
alcançar e sabedores de que o que nos espera é mil vezes superior à beleza
fugaz de qualquer caminho que viermos a percorrer. Ao longo de nossa caminhada
vamos desenvolvendo os valores do espírito, aqueles que não ficam para trás e
que farão sempre parte de nosso ser.
Algumas
pessoas podem pensar que tudo isso é algo sem sentido, mas isso ocorre porque
elas ainda não se conscientizaram de que a caminhada do espírito é uma
finalidade em si mesma. A busca por Deus possui um sentido em si mesma. Quando
nos sentirmos cansados em nossa caminhada busquemos focar em nosso destino que
é Deus. Ele é nosso sentido e a nossa meta. E ainda que jamais o alcançássemos,
o que não é verdade, a busca por Ele já seria um sentido suficiente para o
espírito. O desejo de sua Luz já é por si mesmo razão bastante para
prosseguirmos em nossa caminhada.
Portanto,
vamos continuar sempre em frente meus irmãos, sabedores de que os caminhos
passam e que o caminhar deve continuar. Repetindo, a natureza do espírito é o
movimento em direção ao seu Criador.
Muita
paz, muita luz, muito movimento, porque a vida é movimento.
Victor
Mensagem
psicografada em 12/12/2016
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