
Assim como as estrelas que brilham no céu, são os filhos de
Deus. Uma quantidade incontável. E não é por serem muitos que o Pai os trata de
modo diferente ou deixa de atender a todos. Que lições poderíamos tirar disso?
A primeira delas é que, a criação de Deus é de uma imensidão
inimaginável para o homem que, em suas limitações, mal consegue compreender a
noção de infinito.
Neste caso, quantidade não quer dizer complexidade. O que
queremos dizer é que não é por sermos tantos que seria difícil para o Criador cuidar
de todos nós. É claro que Deus não se ocupa de cada um pessoalmente, atendendo nossos
pedidos individualmente. Pela Sua lógica, pela Sua inteligência inigualável,
Ele utiliza um sistema que funciona por si. O que Ele fez foi dar o impulso
primeiro e depois deixar que as coisas funcionassem num efeito cascata.
Os grandes contestadores da Divindade se apegam muito a esta
questão, para poder defender suas ideias contrárias à existência da divindade.
Acreditam ou sugerem que, pela grandiosidade do universo e a grande quantidade
de seres, seria impossível que um só ser pudesse criar e cuidar de tudo e de
todos ao mesmo tempo.
Imaginem aquela brincadeira com dominós, onde muitas peças
são colocadas uma após a outra, guardando entre elas uma distância que, se uma
delas cair derruba a que está à sua frente. Será que precisamos derrubar todas
as peças, uma por uma, para podermos derrubá-las e colocá-las na posição
horizontal? Não. Basta que impulsionemos a primeira e as demais cairão como
efeito deste primeiro movimento, ou seja, este primeiro impulso ganha uma força
inimaginável em função do efeito multiplicador a que está relacionado.
O Criador, em sua magna inteligência, estabeleceu as bases
da criação e deixou que ela se movimentasse por conta própria, por seus
próprios recursos, através de algo muito parecido com este efeito multiplicador.
Um exemplo disso são as questões de consciência. Quando cometemos alguma
injustiça com alguém o que nos acontece? Ficamos com remorsos, entristecidos e
insatisfeitos conosco mesmo. Nossa própria consciência nos cobra a reparação da
falta que cometemos para com nossos irmãos de jornada. Deus não precisa vir ou
mandar emissários para nos cobrar. Assim como um motor que se auto-alimenta,
funciona a criação.
O Criador nos dotou de todas as condições para que cresçamos
e nos tornemos melhores, por isso, não devemos entregar tudo nas mãos Dele e
ficar esperando que as coisas aconteçam como por um passe de mágica. Temos
todos os meios necessários para crescer. Temos o conhecimento à nossa
disposição, mas precisamos procurá-lo. Precisamos estudar, depois precisamos
praticar as coisas que aprendemos. Ninguém deve dizer que Deus o abandonou. O
caso é que Deus não é como o pai superprotetor que está sempre pronto para
segurar o filho na queda. Ao contrário, Ele permite que o filho caia para que
ele adquira forças para se levantar e ganhar confiança em si mesmo.
Não é justo usar a divindade como desculpa para os nossos sofrimentos,
principalmente aquelas pessoas que já têm algum conhecimento das leis básicas
da evolução tais como a lei de atração e lei causa e efeito.
Nem sempre o provérbio “quando aumenta a quantidade, cai a
qualidade” é verdadeiro, principalmente no caso de que estamos tratando. Neste
caso, particularmente ocorre até o contrário, isto é, não é por ser imenso ou
infinito que não funciona. Quanto maior mais se multiplica a sua beleza e sua
auto-gestão. Quanto mais somos, mais aumenta o nosso conhecimento e as
condições para nos ajudarmos uns aos outros.
Tudo o que existe é divino e dinâmico. A grandeza e a
imensidão refletem a divindade. Como infinitas pedras de dominó, a evolução
continua sem parar graças apenas aquele impulso inicial. Seria ilógico se Deus
precisasse ocupar-se com a criação pessoalmente. A verdade é que nem sabemos o
que é Deus nem o tamanho de Deus. Talvez Deus seja um bebezinho que derrubou
sem querer a primeira peça de dominó... Brincadeiras à parte, o intento de
nosso singelo texto é mostrar para todos que, as coisas nem sempre funcionam do
jeito que a gente imagina, pois o nosso modo de ver é muito limitado.
Precisamos aprender a sair do nosso mundinho pessoal para poder imaginar outras
possibilidades de mundos.
Ainda lembrando que nem sempre quantidade quer dizer
complexidade, alguns imaginam que por ser imenso ou infinito o universo seja
extremamente complexo. Isso é um engano. O universo é surpreendentemente
simples. Ele é regido por muitas leis físicas ou não, mas todas elas se originam
da mesma lei primordial. É mais ou menos como o caso do átomo, que forma um
milhão de combinações diferentes, mas partindo sempre do átomo original como base
de tudo. É mais ou menos como um pêndulo que quando parado é visto por nós como
um peso pendurado na ponta de um cordão. Quando em movimento rápido toma outras
formas. Conforme a sua velocidade vai formando algo diferente de ver. Quando o
rodamos aceleradamente em 360 graus vemos uma circunferência. Assim é a
criação: um princípio único que se originou do Criador e que, dependendo da
vibração, pode ser visto de infinitos modos.
Interessante notar também que nós costumamos valorizar a
ideia de que o universo é complexo, ou seja, valorizamos a complexidade como se
ela fosse sinônimo de qualidade ou de perfeição. Vejam as fórmulas descobertas
pelos grandes físicos. As que são consideradas mais elegantes são as mais
simples. Isso é um sinal de que tudo pode ser simplificado, tudo pode ser
reduzido a um princípio simples.
Precisamos aprender a discernir duas coisas: aparência de
essência. Aparência é aquilo que nossos olhos e nossos sentidos acreditam que o
mundo é. Essência é aquilo que o mundo realmente é em si. Aparência é algo
que determinamos a partir dos nossos sentidos físicos e grosseiros. Já a
essência é pressentida ou sentida através de nossos espíritos. Todo o universo
físico é a aparência do universo percebido pelos nossos sentidos físicos,
porém, pelo espírito podemos senti-lo em essência e em sua simplicidade. Basta
querer, basta desejar, sintonizar-se com o Todo e nesse momento sentiremos a
presença de uma força maior que a tudo preenche e que determina todo movimento
do cosmos.
É possível que um dia, nos milênios vindouros, voltemos a
encontrar aquele desastrado bebê que derrubou a primeira pedra de dominó que
deu início a tudo.
Muita paz, muita luz, muita simplicidade!
Victor
Mensagem psicografada em 07/11/2016
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