Porque mais um blog?

É natural que se pergunte:

Porque mais um blog espiritualista de mensagens e poemas em meio a tantos que já existem?

Que teríamos de novo pra oferecer?

Além da simplicidade, sinceridade e desejo de sermos úteis, não temos nada de novo a oferecer, mas gostaríamos de perguntar: será que temos realmente prestado atenção naquilo que temos lido nestes muitos sites e blogs de mensagens ou poemas? Muitos deles trazem ótimas mensagens, lindos poemas e excelentes textos que, se prestássemos mesmo atenção, seriam de grande utilidade para nossa s vidas.

Oferecemos mais um destes blogs com mensagens, poemas e pequenos textos de esclarecimento, porém recomendamos que você leia apenas um texto de cada vez, reflita sobre ele, somente depois leia outro. Nestes tempos de excesso de informação em que vivemos, cometemos o erro de querer ler tudo para saber de tudo e acabamos, na pressa, não lendo nada e não aprendendo nada. Parece que o problema não está na quantidade de blogs e sites, mas no modo como temos nos relacionado com estes textos.

Vamos apresentar textos escritos por espíritos - alguns que ainda estão no corpo físico e outros que já deixaram a matéria densa e desfrutam da liberdade espiritual em corpos menos densos. A preocupação maior desses textos é de contribuir, ainda que minimamente, para tornar a humanidade melhor.

Esperamos que vocês leiam com atenção, desfrutem, reflitam... mas sem pressa!

Não queremos convencer, pregar religião ou fazer a cabeça de ninguém, pois acreditamos que a melhora espiritual só ocorre quando vem de dentro para fora e, para isso, é necessário que tenhamos autonomia. Entendemos que é preciso estar com a mente aberta, livre de dogmas para poder aprender coisas novas.

Se desejar, faça um comentário. Sua opinião e/ou colaboração além de muito importante, será bem vinda.

Do lado direito, logo abaixo, temos os marcadores - através deles você localiza os textos pelo assunto de seu interesse.


Nosso e-mail: umamigalhadeluz@gmail.com

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no final de cada texto. Sua participação é muito importante!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

HISTÓRIA DE UM MATADOR


HISTÓRIA DO TENÓRIO

Tenório era um jagunço, naquele tempo em que no Nordeste havia muitos cabras machos. Um tempo em que ser homem significava ser bruto, ser violento, castigar o adversário ou inimigo da pior forma possível. Fazia parte da educação não levar desaforo para casa e se possível ferir, de algum modo, o oponente ou até mesmo matá-lo.
Tenório era o mais terrível jagunço da região, tanto que quando algum fazendeiro ou qualquer um que tivesse dinheiro para pagar, queria se livrar de algum adversário, corriam logo para contratá-lo para que ele fizesse o “serviço”. Sabiam que com o Tenório, o serviço estava garantido ou teriam o dinheiro de volta.
Certa época, quando Tenório já contava com muitas marcas em seu trinta e oito, isto é, quando tinha muitas mortes nas costas, os bons espíritos que cuidavam da evolução naquelas bandas e que já andavam desanimados com a situação e principalmente com a maldade do Tenório foram se queixar diretamente com o chefe: Jesus em carne e osso – ou melhor dizendo: Jesus em espírito e verdade.
Após explicarem toda a situação e a dificuldade em influenciar Tenório para que ele mudasse de atitudes, Jesus pensou um pouco e disse: Deixem comigo, isso requer uma intervenção direta, um tratamento de choque. Continuem o serviço de rotina por lá, do Tenório cuidarei eu.
Então Jesus, lembrando-se da estratégia que havia usado com Paulo de Tarso, um belo dia, num imenso clarão de luz, apareceu de repente na frente do Tenório, que apesar de ser um matador malvado já tinha tido algum ensinamento religioso e logo reconheceu Jesus, mas mesmo assim não se abalou. Era cabra macho!  Não se espantava nem com o diabo, porque haveria de se espantar com Jesus.
- Olá Tenório, vim lhe procurar porque você foi um dos escolhidos para virar santo e me auxiliar na redenção do mundo!
- O Senhor me desculpe a franqueza, mas o Senhor só pode estar brincando!
Jesus ergueu as mãos para o céu, capturou um raio e jogou aos pés de Tenório, que sentiu toda a sua pele chamuscada pelo fogo que se desprendeu do corisco.
- Vixe! Não precisa ficar com raiva meu Senhor! Já entendi. Só não entendo porque tem que ser eu, que já estou com um pé no inferno e outro na casaca de banana. Sou sujeito ruim.
- Todos podem se redimir, por pior que seja a situação em que se encontram. O fato é que você está escalado e pronto! Vá se preparando. Preciso que você se torne uma pessoa boa e quando você desencarnar lhe transformo em santo, e sumiu em outra explosão de luz.
Ora, Tenório, que já tinha enfrentado todo tipo de besta humana ou não, ficou atônito. Desse dia em diante fez de um tudo para melhorar e se tornar bom, mas era tão difícil. Com o tempo parou de matar e começou só a bater. Judiar só pouquinho para que o cabra criasse vergonha. Perdeu muito “serviço” com isso e acabou trabalhando na lavoura e lá sentindo como era dura a vida dos seus conterrâneos. Logo parou de bater nas pessoas também. Trabalhou até a sua velhice, mas nunca conseguiu se tornar uma pessoa boa de fato. É claro que ajudou a um ou outro, mas sabia que era por obrigação e não por bondade mesmo. Assim desencarnou...
 Após curto período na erraticidade (espaço de tempo em que os espíritos aguardam nova encarnação), onde Tenório pode se encontrar com alguns daqueles que ajudou a fazer a passagem ou “despachar” como ele mesmo dizia e sentir o ódio que tinham por ele, alguns espíritos amigos o resgataram e o levaram à presença de Jesus.
Ele já chegou arrependido e constrangido pelos encontros que havia tido com algumas de suas ex-vítimas e muito envergonhado porque sabia que tinha falhado na missão que Jesus havia lhe confiado. De cabeça baixa chegou pra perto de Jesus e ficou calado. Então Jesus falou:
- Parabéns Tenório! Estou muito feliz por você! Fizemos muito progresso!
- Mas Senhor, eu falhei, não consegui me tornar uma pessoa boa. Parei de matar e depois de bater. Depois trabalhei tanto pra sobreviver que não tive nem tempo de ficar bom naquela vida duríssima que levei trabalhando de sol a sol.
- Vou lhe dizer toda a verdade Tenório. Quando lhe procurei, eu já sabia que você não ia conseguir. Imagine se eu lhe dissesse apenas para parar de matar. Você estaria até agora surrando seus irmãos conterrâneos. Eu lhe dei logo a tarefa maior pra ver se você conseguia cumprir pelo menos uma parte dela. Veja o que conseguimos: você parou de matar, com o tempo parou de bater e ainda por cima viu como é dura a vida dos seus irmãos para saber que já sofrem o bastante sem precisar da sua ajuda. Agora você vai renascer no mesmo local, vai ter uma ruma  de filhos, vai amá-los e educá-los, sem saber que a maioria deles são aqueles a quem você “despachou” e depois vai voltar aqui, sabe porque? Porque ainda estou precisando daquele santo!
Tenório não conseguiu dizer uma palavra. As lágrimas falaram por ele...

Uma migalha de luz.


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