Podemos perceber que a solução para o problema do egoísmo
que gera o individualismo e suas funestas consequências para toda a humanidade
tem uma resposta simples: as pessoas devem passar do modo de pensar individualista
para o modo de pensar coletivista fraterno. Embora a resposta seja simples, a
execução deste projeto, à primeira vista, não parece muito fácil. Temos todo
tipo de problemas sociais decorrentes desse modo de pensar que já é tão enraizado em nossas
mentes e em nossa sociedade, que o problema nos parece de impossível solução. Como fazer com que as pessoas passem a agir de modo a pensar no outro da mesma forma que pensa em si mesmo? Será que isso pode ser feito a curto prazo de tempo?
É preciso que fique bem claro que não estamos nos referindo
ao coletivismo comercial, aquele que visa a formação de cooperativas e de empresas
onde todos participam dos frutos e dos lucros. Estamos pensando um pouco mais
além. Estamos pensando como se fôssemos uma única família humana. Um ser humano - um
espírito imortal pensando em outro ser humano - outro espírito imortal. Amigo
pensando em amigo. Irmão pensando em irmão.
O que estamos sugerindo como solução para o nosso problema,
passa pela visão espiritualista universalista da vida. Nesta visão a vida não
se restringe ao momento atual pelo qual passamos, mas se estende por toda a eternidade, pois somos
espíritos imortais e nossa caminhada evolutiva se estenderá por muitas
encarnações, seja neste planeta ou em outros que fazem parte do universo e de suas
múltiplas dimensões. Os interesses que são despertados em nós neste mundo não
serão os mesmos em outros mundos, ou seja, cada mundo tem seus atrativos e uma
coisa podemos afirmar: os interesses ditos materiais, aquilo pelo que as
pessoas se matam aqui, não são tão apreciados nos mundos mais adiantados. Nestes
mundos, já existe a consciência de que a maior riqueza é conhecimento aliado ao
sentimento de amor fraterno.
A solução virá, de modo quase espontâneo, quando nos
conscientizarmos de que tudo o que juntamos aqui neste plano de vida não passa
de ilusão passageira. O que é real tem a característica fundamental da durabilidade.
Neste planeta, todas as coisas, incluindo aí nossos corpos já nascem com prazo
de validade determinado. Não há nada neste mundo, sob o aspecto material, que
possamos chamar de “nosso para sempre”. Chega a ser desconcertante o modo de
viver e de pensar de algumas pessoas. É comum vermos pessoas de idade muito avançada,
autodestruindo-se no esforço para amealhar bens materiais, outros ainda em
busca do poder, quando seus dias estão tão próximos de terminar neste plano. Por
aí podemos ver até onde chega a estupidez humana gerada pelo monstro do pensamento
individualista.
Estaremos livres deste problema quando nos conscientizarmos de
que só através do amor fraterno poderemos ter o melhor que o mundo pode
oferecer para todos. Quando desejarmos que todos tenham uma vida tão boa quanto
a nossa estaremos a caminho da solução da maioria dos problemas da humanidade. É
interessante lembrar que todos os grandes espíritos, com os quais a humanidade
já teve o privilégio de conviver, já apontavam para esta solução. Lembremo-nos de
Jesus, que é o mais conhecido aqui no ocidente: “amai-vos uns aos outros”.
Quem ama fraternalmente jamais vai querer, sob qualquer aspecto,
maltratar ou explorar o seu semelhante; não se sentirá confortável sabendo que
seu irmão, seu vizinho ou quem quer que seja, não têm o que comer ou onde dormir;
todo o desperdício de alimentos e outros produtos necessários à manutenção da
vida serão melhor distribuídos, uma vez que, imperando o amor fraterno, o lucro
não será o objetivo principal de quem produz; e por aí vai... Imaginem a
questão das relações entre as pessoas num mundo onde exista respeito mútuo: a
paz será uma constante. Convém mencionar que não estamos falando de regimes
políticos ou estruturas de poder. Acreditamos que estamos pensando um pouco
mais além. Pensamos na humanidade como uma só, onde os interesses de um sejam
os interesses de todos. Parece utopia? Sim parece, mas só até o momento em que
começarmos a colocar em prática estas coisas tão simples que apontamos aqui e
as mudanças começarão a acontecer, mesmo que lentamente. Uma mudança desse tipo
não se dará de forma brusca, isso é óbvio.
Esse é o tipo de coisa que não acorrerá através de
religiões, seitas, movimentos sociais, determinações de governo, imposições de
líderes ou qualquer outro modo de intervenção de fora para dentro, de alto para
baixo. É algo que extrapola a tudo isso, pois não se restringe ao que mostramos
exteriormente. É um movimento que, paradoxalmente, deve começar dentro de cada
um. Acreditemos que a mudança é possível e façamos cada um a nossa parte, com
sinceridade, com vontade, e nosso exemplo irá se multiplicar e se espalhar, até
que um dia este comportamento se torne o habitual e não a exceção. Cada pequeno
gesto de respeito, carinho e compreensão para com o próximo já é um passo a
mais nessa caminhada para um mundo melhor. Não tenhamos pressa, a eternidade
dura bastante...O importante é começar!
É possível que algumas pessoas nos considerem sonhadores, e
que o objetivo almejado em nossas palavras seja inalcançável. Juntamente com o pedido pra que se unam a nós, lembraremos a
eles que todas as grandes conquistas da humanidade começaram como sonhos inalcançáveis
até que se tornaram fatos concretos.
Uma migalha de luz.
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