Texto destinado a pessoas que já praticam a projeção astral, mas que não são ainda muito experientes.
Porque, de repente, estão questão me veio à mente?
Principalmente por eu ter percebido que nos dias em que não ocorrem projeções conscientes, sinto-me como se estivesse faltando algo em mim, um tanto aborrecido, como se minha existência dependesse das projeções para que eu fique alegre, esperançoso e com o sentimento de que sou útil, de que sou necessário. Foi justamente o retorno ao estudo das projeções e o contato com a espiritualidade que me deram um sentido maior para a vida, que me tirou aquele sentimento de contingência tão comum, principalmente às pessoas que não vêem muito sentido na existência. E agora, quando não correm projeções conscientes, sinto-me quase voltando ao tempo em que me via como mais uma dentre tantas contingências num mundo também contingente.
Estaria correta esta maneira de sentir, esta maneira de pensar?
Se não, o que estaria errado e o que seria necessário fazer ou pensar para que este sentimento desapareça ou deixe de fazer sentido e de se fazer sentido?
Creio que posso atribuir tal sentimento com alguma propriedade ao fato de estarmos encarnados e sob a influência da matéria. Uma projeção, por melhor que seja, vai se desvanecendo com o passar do tempo. Parece que a densidade brutal da matéria nos vai convencendo de que tudo aquilo que passou não é tão real quanto o aqui e o agora na matéria, onde as sensações são pesadas, doídas. Onde os gostos são tão acentuados. Onde os sentimentos são tão difíceis de controlar. A impressão que dá, é que somos arrancados de um sonho suave e jogados numa realidade dura. Isso com certeza, é um dos componentes que nos causam esta sensação de vazio, de inutilidade, quando ficamos algum tempo sem nos projetarmos conscientemente. Isso nos leva ao seguinte questionamento: Corremos o risco de nos tornamos viciados e dependentes de projeções para sermos bem humorados, para sermos alegres? Creio que, se não estivermos vigilantes e conscientes dos verdadeiros objetivos da projeção astral, corremos este risco sim. Não podemos nos sentir como se fôssemos órfãos quando não ocorrem projeções. Não podemos nem devemos considerar as projeções como finalidade e sim como meio. A projeção é uma poderosa ferramenta para a evolução espiritual, este sim é o objetivo maior de todos os espíritos, a razão de estarmos encarnados. É a caminhada para o Todo, para o Um.
O que é mais importante, o operário ou o martelo? Certamente, o operário, pois o martelo é somente um meio através do qual este homem facilitará sua tarefa. O que é mais importante, o espírito e sua evolução ou a projeção consciente que o ajudará nesta empreitada?
É sabido que o espírito e sua evolução são mais importantes do que qualquer projeção.
De fato, sentimos uma alegria muito grande saímos do corpo com plena consciência de nossa condição de consciência livre e mais ainda quando podemos participar de trabalhos assistenciais. É como se encontrássemos o verdadeiro sentido da vida. Sentimo-nos articulados com os supremos desígnios do Criador. Nesta condição, temos uma pequena amostra de como é bom estar ligado ao Todo. Por um segundo, nos dissolvemos no Cosmos e podemos ter uma vaga noção deste pedacinho do Criador que temos em nós.
Se ficarmos apreensivos por não termos projeções conscientes, estaremos simplesmente criando dificuldades para as próximas projeções, pois, com certeza, os amparadores darão preferência ao projetor que estiver melhor preparado para a tarefa e não àquele ansioso, mal humorado e, consequentemente, desequilibrado.
O ideal é sempre procurar o equilíbrio, o caminho do meio como recomendava Aristóteles. É natural que fiquemos um pouco desapontados quando não nos projetamos tanto quanto gostaríamos, mas não podemos deixar que isso nos desequilibre, até porque, sabemos que isso depende em muito de nós mesmos. Quanto mais equilibrados e sintonizados com os amparadores e os ideais universalistas, mais facilmente se darão nossas projeções, ou seja, uma coisa está atrelada à outra: quando mais evoluímos, mais afiamos a ferramenta e quando mais afiamos a ferramenta mais evoluímos.
Tenhamos uma coisa como certa: a evolução é sempre mais importante que qualquer projeção, por isso é que, é possível evoluir sem ser projetor e não é possível evoluir só porque se é projetor. Para dar uma resposta concisa à questão colocada, poderíamos dizer o seguinte: é bom ter alegria para se projetar, tanto quanto é bom ter alegria por se projetar, mas não devemos ficar dependentes das projeções para nos alegrar. Devemos ter sempre em mente que nosso objetivo ao encarnarmos é a evolução espiritual com ou sem projeções.
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